sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Jornal A Província 10 de Novembro de 1901 - Viação Férrea

Olá amigos do HFPB. Hoje, uma data especial,  há exatos 119 anos era inaugurada oficialmente, a estrada de ferro entre Itabaiana - Campina Grande, marco imprecendível tão sonhado por todos os campinenses por anos.
Em decorrencia desta data importante, deixo aqui uma matéria publicada no jornal A Província em 14 de novembro de 1901 consubstancia-se em uma contundente carta aberta enviada pelo benemérito e empresário Christiano Lauritzen à redação de O Commercio. 
O conteúdo desta matéria na qual ele aborda de maneira minuciosa a imperiosa necessidade do prolongamento da estrada de ferro até Campina Grande, detalhando os impasses técnicos referentes aos traçados pela serra da Borborema, as dificuldades financeiras das companhias concessionárias e a urgência de estancar a evasão do comércio interiorano para estados vizinhos, como Pernambuco. 
Diante desse cenário de estagnação e isolamento econômico, o Sr. Christiano Lauritzen apela enfaticamente para que as rivalidades políticas e as divergências sobre os traçados geométricos sejam superadas em prol de um consenso prático e viável que permitisse a execução da obra, defendendo soluções de engenharia que contornassem os custos exorbitantes de grandes desaterros e viadutos. 
A imensa importância desse apelo reside no seu papel precursor de mobilização e articulação estratégica regional, servindo de base ideológica e prática para a vitoriosa jornada que o próprio Christiano Lauritzen empreenderia à Capital Federal, Rio de Janeiro, no Palácio do Catete, em novembro de 1903 junto ao Presidente da República na época, Rodrigues Alves — êxito que culminou na contratação e início das obras da tão sonhada ferrovia a partir de 1904, coroando-se com a sua inauguração oficial e abertura ao tráfego público em 2 de outubro de 1907, marco definitivo para o progresso socioeconômico de Campina Grande e de toda a Paraíba, cujo desdobramento histórico completa exatamente 119 anos nesta data de 2 de outubro de 2026, celebrando-se o alicerce de uma infraestrutura monumental que revolucionou para sempre a trajetória urbana, mercantil e social campinense.
Confira abaixo: 



segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Jornal O Norte - 15 de Maio de 1915 - Novos Horários

Olá amigos do HFPB. Depois de um bom tempo, eis que trago uma nova postagem para os amantes da ferrovia paraibana.
Em matéria publicada pelo jornal O Norte de 15 de maio de 1915, com o título "O Novo Horário", o mesmo revela como os reflexos da Primeira Guerra Mundial afetaram a infraestrutura logística da ferrovia na Paraíba, forçando a companhia ferroviária Great Western of Brazil Railway (GWBR) a reduzir drasticamente sua oferta de transporte devido à escassez de carvão importado. 
A nova grade horária reorganizou a circulação de passageiros e cargas em eixos vitais, como a linha entre Brum (em Recife) e Cabedelo, que passou a alternar dias de funcionamento, e o Ramal de Campina Grande, que suspendeu suas atividades às quartas-feiras, impactando a conexão com Itabaiana. 
Além disso, o documento detalha alterações nas rotas entre Cabedelo e Independência (Guarabira), bem como no Ramal de Alagoa Grande (sentido Mulungu), evidenciando o descontentamento da imprensa local diante dos prejuízos econômicos impostos à sociedade paraibana, que dependia exclusivamente do sistema ferroviário para suas transações comerciais e escoamento de produção.
Confira abaixo a respectiva matéria:





quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Imagens da Antiga Estação de Pirpirituba Coloridas Digitalmente

Olá amigos do HFPB. Nesta nova onda de imagens sendo melhoradas ou criadas digitalmente, que vem ganhando destaque nos últimos anos, com reproduções bem fiéis as imagens originais, o HFPB não poderia ficar a parte desta ferramenta tecnológica.  
Trago aqui quatro imagens da estação de Pirpirituba, no Brejo paraibano, que foram aprimoradas digitalmente com resultados fidedignos.
Usei cores originais da estação, que era o amarelo ocre e o branco, cores padrão das estações da GWBR.
A estação de Pirpirituba foi construída em 1911, sendo seu primeiro trecho entregue oficialmente, da chamada 'Estrada de Ferro Independencia - Picuhy', ou simplesmente, como viria a ser chamado posteriormente, "Ramal de Bananeiras", acontecendo em 20 de dezembro de 1910. O trecho inaugurado em questão, correspondia entre Itamatahy (com estação concluída também em 1911) e uma parada no Km - 10, localizada no Sítio Grossos. Na época, o então distrito de Pirpirituba pertencia ao município de Guarabira, tendo sua emancipação política em 2 de dezembro de 1953.
O complexo ferroviário consistia na estação propriamente dita, contendo um grande armazém, depósito de inflamáveis, poço, caixa d'água, além de um poço artesiano para o abastecimento das locomotivas movidas à vapor.
Quando o ramal foi suprimido oficialmente em 1968, sendo sua última viagem realizada no ano de 1966, a estação encerrou definitivamente suas atividades Anos mais tarde, foi instalado uma creche em sua edificação. Algum tempo depois a referida creche fechou, ficando o prédio fechado e sem uso.
Passaram alguns anos e a referida estação foi adquirida pelo Tribunal de Justiça da Paraíba que foi instalado em seu prédio o Fórum Juiz Gilson Guedes C. Albuquerque. Contudo, o prédio foi totalmente descaracterizado, não restando praticamente nada da bela construção original. O antigo armazém sofreu algumas modificações ao longo dos anos, sendo transformado em uma capela católica.
Quem passa pelas imediações do Fórum local atualmente, não imagina que um dia no passado, há mais de sessenta anos, circulava trens de passageiros e de cargas praticamente diários.
Hoje resta apenas a saudade daqueles tempos da famosa “Maria Fumaça” apitando pelas ruas de Pirpirituba. Confira abaixo as imagens aprimoradas digitalmente:

Reprodução feita a partir de Inteligência artificial baseada em uma fotografia antiga

Reprodução feita a partir de Inteligência artificial baseada em uma fotografia antiga

Reprodução feita a partir de Inteligência artificial baseada em uma fotografia antiga

Imagem criada a partir das características da estação original

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Há 70 Anos Chegava o Primeiro Trem à Soledade

Olá amigos do HFPB. Hoje, 21 de janeiro de 2026, é uma data comemorativa para a história da cidade de Soledade. Há exatos 70 anos, ou seja, no dia 21 de janeiro de 1956, chegava na gare da estação o primeiro trem no trecho recém concluído.
Foi um dia de muita festa para a cidade na época, onde a população compareceu em grande número, a fim de prestigiar o histórico evento.
O trecho em questão, correspondente entre Campina Grande a Soledade, foi mais uma etapa concluída do prolongamento Campina Grande - Patos, inaugurado oficialmente no dia 8 de fevereiro de 1958.
Os trabalhos de prolongamento deste trecho de 74 quilômetros entre Campina Grande - Soledade ficaram a cargo do DNEF (Departamento Nacional de Estradas de Ferro) esta contando para sua execução, com a colaboração, através de empreitadas, da RFN (Rede Ferroviária do Nordeste), além das empresas especializadas em construções ferroviárias, Empresa Construtora Camillo Collier Ltda, e Empresa Construtora Castro & Ferreira Ltda.
Quando o primeiro trecho do prolongamento foi inaugurado entre Campina Grande e Puxinanã no dia 4 de abril de 1951, os trabalhos não cessaram e prosseguiram em tamanha rapidez, já que grande parte das obras d'arte já estavam praticamente concluídas em 1954, restando apenas a construção da referida estação e colocação dos trilhos, totalmente concluídos em 1955.
De acordo com a matéria do jornal Diário de Pernambuco de 25 de janeiro de 1956 sobre a importante realização: 
"Sob aclamação dos sertanejos, muitos dos quais viam pela primeira vez uma locomotiva, teve lugar às 12 horas do sábado passado, a chegada do comboio repleto de operários em frente à pequenina estação. Presentes também se achavam o prefeito e vereadores da cidade, engenheiros das construções ferroviárias e suas famílias, jornalistas de Pernambuco e da Paraíba e radialistas da Rádio Borborema e Rádio Caturité.
Representaram a administração da Rede Ferroviária do Nordeste engenheiro Orlando Muniz da Rocha, chefe do Departamento de Obras Novas; e o Distrito de Construção - 3, do DNEF, o engenheiro Lauriston Pessoa Monteiro.
Em frente à estação de Soledade teve lugar a cerimônia de exaltação ao trabalho dos cassacos (denominação dada ao trabalhador da linha férrea), usando da palavra, inicialmente o prefeito do município Sr. José Ferreira Ramos, que agradeceu o esforço dos quantos contribuíram para aquela obra. Seguiram-se com a palavra o engenheiro Lauriston Pessoa Monteiro, chefe do Distrito de Construção - 3, que se congratulou com os colegas e operários, no momento em que venciam mais uma etapa no árduo trabalho de construção de novas estradas de ferro, e, por fim, o engenheiro Orlando Muniz da Rocha que, em nome da alta administração da Rede Ferroviária do Nordeste, saudou o povo da Paraíba pelo acontecimento que acabava de presenciar".
Estas foram as solenidades realizadas naquele dia histórico, porém de forma extraoficial. Oficialmente, o trecho foi aberto ao tráfego de passageiros em fevereiro de 1957, no ano seguinte, quando foi inaugurada a estação do vizinho município de Juazeirinho.
O tráfego entre Campina Grande e Juazeirinho passou a vigorar a partir daquela data.
No caso da locomotiva inaugural, ela chegou na estação as 12:00 horas festivamente recepcionada. Tratava-se de uma locomotiva do tipo "mogul", com jogo de rodas 2-6-0, construída pela North British Locomotive Company em 1904, com número de 248, movida a vapor de lenha. 
No referido inaugurado naquele 21 de janeiro de 1956, foram construídas 208 obras d'arte, inclusive 8 grandes pontes, inúmeros bueiros, cortes, aterros, pontilhões e um aterro-barragem na localidade Espírito Santo, servindo esta de abastecimento da população local além de abastecer as locomotivas a vapor na época.
Na localidade Espírito Santo (no atual município de Olivedos, perto com o município de Soledade) foi construída uma pequena parada em concreto armado para a população rural.
A partir de Soledade seriam construídos mais 112 quilômetros até chegar em seu destino final, Patos, no Sertão paraibano, em um total de 186 quilômetros de ferrovia entre Campina Grande e Patos.
Os trens percorreram o ramal até ser totalmente abandonado em princípios da década de 2010. Lamentavelmente, atualmente, a estação está totalmente abandonada e deteriorada.

Fontes: Diário de Pernambuco - 25 de janeiro de 1956
Diário da Borborema - fevereiro de 1958

  Imagem feita através de Inteligência Artificial mostrando a estação na época de sua inauguração em 21 de janeiro de 1956