quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Vídeo de Trecho da Linha Férrea em Pocinhos

Olá amigos do HFPB. Em mais uma postagem referente a última visita realizada em um trecho da linha abandonada em Pocinhos no dia 18 do corrente mês, fiz um vídeo de 5:07 minutos percorrendo parte deste trecho, a partir da PN, ao lado de uma antiga barragem de terra.
Este trecho, assim como os demais, está coberto pela vegetação nativa, como mencionado na postagem anterior, predominantemente por cactos da caatinga, a exemplo do Facheiro (Pilosocereus chrysostele), Xique-xique (Pilosocereus gounellei), Coroa-de-frade (Melocactus zehntneri), Quipá (Tacinga inamoena), Palmatória (Tacinga palmadora), Mandacaru (Cereus jamacaru). Também encontramos Macambira (Bromelia laciniosa), Caroá (Neoglasiovia variegata), entre outros que me falha a memória.
Construída no início da década de 1950, pela Construtora Camillo Collier S/A, a serviço da Rede Ferroviária do Nordeste (RFN), cujo objetivo, repetimos, era de prolongar o trecho que ia de Campina Grande a Patos, concluído a construção em 8 de fevereiro de 1958. 
O trecho percorrido está relativamente conservado, a não ser pela presença da vegetação, como mencionada antes, que "invadiu" o leito ferroviário, e alguns poucos dormentes podres, no geral a baixa umidade de certa forma preservou o material presente. Confira abaixo o vídeo através do link do youtube:



 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Percorrendo um Trecho nos Trilhos, Achados Interessantes e uma Casa Centenária em Pocinhos

 Olá amigos do HFPB. Na última sexta-feira, dia 18 de dezembro, percorri parte de um trecho de 3,30 quilômetros próximo a antiga estação de Pocinhos
O trecho local, assim como toda a malha do interior da Paraíba, está completamente abandonada, podendo ser nitidamente notada no trecho percorrido, onde a vegetação típica da caatinga nordestina cobre parte do leito ferroviário, a exemplo de xique-xique, facheiro, mandacaru, coroa-de-frade, macambira, quipá, palmatória de espinho, jurema preta, dentre outras espécies típicas nordestinas.
As obras ficaram a cargo da Construtora Camillo Collier na primeira metade da década de 1950, que consistia em prolongar o ramal de Campina Grande a Patos, no Sertão paraibano, unindo via férrea os Estados da Paraíba com Ceará, que pelo sinal, apesar de todo o abandono, atesta pela tão bem feita obras d'artes encontradas, como pontilhões, ponte, aterros e cortes. As obras foram entregues em 8 de fevereiro de 1958, quando finalmente, ocorreu a união via férrea entre Paraíba e Ceará, realizando um sonho antigo.
Infelizmente o estado de outras construções como por exemplo a estação, armazém, e casa dos trollers, não pode se dizer o mesmo, estas,  em elevado estado de deterioração, além do lixo que toma conta do local.
Voltando ao trecho percorrido, algo que me chamou a atenção, foi ter encontrado pedaços de porcelana de antigos isoladores de postes de energia que seguiam ao longo da linha.

Pequena explicação sobre estes tipos de isoladores:

Estes isoladores são da marca Santana, construída em Pedreira, Estado de São Paulo no início da década de 1950.
São instrumentos em porcelana vidrada na cor branca, em formato cilíndrico. Com 9,5 centímetros de altura por 6 centímetros de diâmetro. Parte superior possui copa em formato de semicírculo, que acompanha o diâmetro do corpo, com sulco dividindo o corpo da copa. Gravado no corpo, logomarca da empresa fabricante, (no caso destas encontradas com as iniciais de RFN, Rede Ferroviária do Nordeste). Parte inferior contendo cavidade com o interior rosqueado para instalação do isolador no poste elétrico. A porcelana possui uma alta capacidade de isolação elétrica e resistência mecânica, desta forma, tornou-se o material ideal para a construção de isoladores elétricos para redes de alta tensão. 
O Isolador normalmente é fixado no poste de energia elétrica, pela cavidade encontrada na sua parte inferior. Os sulcos são utilizados para apoiarmos os fios de energia elétrica (geralmente fios nus), e podem ser utilizados para facilitar uma curva ou como pontos de amarração.

Peça esta cada vez mais difícil de se encontrar, ainda existem alguns exemplares, mas no geral, não são muito comuns, já que materiais provenientes da RFN há muito foram substituídos ou simplesmente, como é o caso deste específico, destruídos. Estas peças foram encontradas ao longo do percurso e vários pedaços partidos. 
Não posso afirmar com precisão se estas peças pertenciam exatamente no local, já que não tem indícios de postes elétricos e muito menos telegráficos no setor percorrido. Mais provável serem de algum poste no entorno da estação ou mesmo de alguma PN (Passagem de Nível) localizado nas proximidades.
Chegando a estação, destino final da expedição me deparo com uma beleza.
Nas proximidades da estação local, uma construção me chamou muita a atenção, tratava de uma casa centenária, tipicamente rural antiga, com absoluta certeza uma das mais antigas ainda preservadas de todo o município de Pocinhos
Construída em pedra, caliça e cal, é uma verdadeira joia rara encontrar em tão perfeita construção em bom estado de conservação, graças ao empenho dos moradores da referida residência. Segundo o morador do local, Flávio, o sítio aonde está localizado a residência se chama Sítio Turquia
Construída em estilo  colonial, preserva características de construções do século XIX como a chamada "beira e bica", portas e janelas em arco abatido, entrada voltada para o nascente (a leste), calçada de pedras, inclinação de 30° das duas águas (direção dos telhados, nesta ocasião uma voltada para a entrada e a outra para os fundos da residência), enfim, todos os requintes deste exemplar histórico.
Muito provavelmente, devido a curta distância da estação, esta construção típica colonial rural serviu de apoio aos trabalhadores (cassacos) que estavam construindo o prolongamento até o Sertão paraibano em princípios da década de 1950. Agradeço ao Sr. Flávio, proprietário da histórica casa, pelo acesso e pelos cuidados que tem com este precioso bem. 
Enfim, foi uma manhã/tarde proveitosa, em mais uma expedição a terras pocinhenses. Deixo abaixo imagens desta visita:

  
Painel da visita realizada na sexta feira dia 18 de dezembro de 2020.

Imagem extraída pelo Google Earth mostrando o percurso realizado. A linha branca central determina a rota dos trilhos percorrida. 

Estação totalmente abandonada e deteriorada. Ponto de partida e chegada da expedição.

Aspecto de uma bifurcação nos trilhos próximo a estação.

AMV nas proximidades da estação.

Pontilhão encontrado nas proximidades da estação.

Achado interessante. Isolador da antiga RFN ao lado da linha férrea. 

Achado interessante. Isolador da antiga RFN ao lado da linha férrea. 

Achado interessante. Isolador da antiga RFN ao lado da linha férrea. 

Tala de junção de trilhos. Data de 1952.

Passagem de Nível. Quase que totalmente tomada pela areia.

Aspecto da linha férrea e vegetação quase cobrindo o leito ferroviário.

Aspecto da linha férrea e vegetação quase cobrindo o leito ferroviário. Detalhe para o Xique-xique em primeiro plano.

Pequeno corte na rocha. 

Trilha através dos trilhos.

Pedaço de um antigo parafuso de junção de tala.

O típico xique-xique (Pilosocereus gounellei) no leito. Retrato do abandono do ramal do interior paraibano.

Aspecto da linha férrea e vegetação quase cobrindo o leito ferroviário.

Pequena ponte, construção do início da década de 1950.

Pequena ponte, construção do início da década de 1950.

Pequena ponte, construção do início da década de 1950.

Coroa-de-Frade (Melocactus zehntneri) no leito ferroviário.

Pontilhão. Um dos vários encontrados no trecho.

Aspecto de um Coroa-de-Frade nascido no lastro.

Uma bela "Lagartixa-Paraíba" (Phyllopezus periosus) na ombreira da ponte. Notar que um predador tentou atacar, quando perdeu parte de sua calda, regenerando aos poucos.

Aspecto da linha férrea e vegetação quase cobrindo o leito ferroviário.

Detalhe de uma das residências da antiga vila ferroviário. 

A velha estação em completo abandono.

Casa colonial com mais de um século de existência. Localizada no Sítio Turquia, na proximidades da estação. Provavelmente serviu de apoio para os trabalhadores do prologamento entre Campina Grande a Patos no início da década de 1950.

Aspecto da porta interna que dá da sala para as dependências internas da casa colonial.

Aspecto da chamada "beira e bica" da casa colonial.

Mais uma aspecto da preservada casa colonial do Sítio Turquia, com muitas histórias de outrora.

Um registro para posterioridade.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Mapa da Great Western de 1904 e a Extensão Itabaiana a Campina Grande

Olá amigos do HFPB. Hoje trago de presente pra vocês, uma relíquia. Trata-se de um mapa colorido todo em inglês da antiga GWBR (Great Western of Brazil Railway) no ano de 1904.
Com o título: The Great Western of Brazil Railway Company Ltd Sketch map showing proposed alterations & extensions to the system of the Great Western of Brazil Railway Company Ltd.
Traduzindo: The Great Western of Brazil Railway Company Ltd: Mapa de esboço mostrando as alterações propostas e extensões para o sistema da Great Western of Brazil Railway Company Ltd.
Este mapa foi elaborado pela Waterlow & Sons Limited, London Wall, em Londres, Inglaterra em 1904. 
Esta relíquia pertence a Coleção Benedicto Ottoni, doada em 1911, e registrado no [Livro de Tombo] Acquisições, 3ª Secção, Cartas Geographicas, Bibliotheca Nacional, 13 de março de 1912, nº 12.
Esta carta inclui legenda indicando as ferrovias acordadas e propostas de extensão dessas para o interior dos Estados da Paraíba e Pernambuco. Mostra as estações das localidades contempladas pela companhia inglesa nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas até aquela data. 
Dentre um dos maiores destaques do mapa, está a extensão Itabaiana a Campina Grande. OBS: Para identificar este traçado no mapa, ele está pontilhado em vermelho.
O referido mapa foi elaborado após a revisão do contrato da Clausula VI de 28 de julho de 1904, autorizada pelo Decreto n. 5257, de 26 de julho de 1904, em que o Governo Federal obriga a companhia GWBR a construir o ramal com destino a Campina Grande. 
Os estudos foram aprovados através do decreto n. 5523 de 18 de abril de 1905, sendo os trabalhos de construção do referido ramal iniciados em 18 de maio do mesmo ano. 
Estava previsto um prazo de três anos para a conclusão e entrega total do trecho, e foi exatamente isto que aconteceu. A entrega e inauguração do ramal de 80 quilômetros aconteceu no dia 2 de outubro de 1907, como já foi amplamente postado no referido blog anteriormente.
Também como podemos observar, o ramal entre Independência (posteriormente Guarabira) e Nova Cruz no Rio Grande do Norte já estava operante, já que o mesmo fora inaugurado em 1 de janeiro de 1904, repetindo, data da elaboração deste mapa.
Presente de mais uma relíquia da Great Western disponível a todos os internautas.

Fontes:
Relatório do Ministério de Viação e Obras Públicas do Governo Federal, 1905.
Relatório do Ministério de Viação e Obras Públicas do Governo Federal, 1906.

Mapa da Great Western em 1904.

Detalhe para o prolongamento Itabaiana a Campina Grande.