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quarta-feira, 23 de junho de 2021

Vídeo - Manobras do "Trem do Forró" no Distrito de Galante em 2019

Olá amigos do HFPB. Hoje, 23 de junho de 2021, Dia de Véspera de São João, em homenagem a este dia tão significativo para o calendário festivo nordestino, deixo aqui um vídeo de manobras da locomotiva diesel-elétrica ALCO RS-8 6008 pertencente a CBTU do Sistema Metropolitano de João Pessoa, realizada em uma das última viagens do famoso "Trem do Forró" que na época era denominada de "Forró nos Trilhos", no dia 08 de junho de 2019, durante os festejos juninos no Distrito de Galante, defronte a sua antiga estação. 
Como foi explicado em postagens anteriores, a tradicional viagem de trem com 7 carros de passageiros, partia da Estação Velha de Campina Grande (atual Museu do Algodão) com destino ao Distrito de Galante, 22 quilômetros de muita folia, animada ao som de tradicionais trios de   Forró Pé de Serra, contagiando todos presentes neste passeio.
Naquele mesmo ano, mais precisamente no dia 23 de junho, devido a falhas técnicas na linha, o passeio foi interrompido, não voltando mais a percorrer o deteriorado trecho. 
Deixo aqui este pequeno porém saudoso vídeo, para todos que tiveram o prazer de fazer este agradável e festivo passeio "forroviário". VIVA O SÃO JOÃO !


 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Estação de Coitezeiras - Do Auge ao Abandono

Olá amigos do HFPB. A estação de Coitezeiras, localizada no município de São Miguel do Taipú, microrregião de Sapé, Zona da Mata Paraibana. A estação foi parte integrante do ramal que partia de Entroncamento (Paula Cavalcanti), e seguia até Pilar, sendo este prolongamento inaugurado em 28 de dezembro de 1883 pela The Conde D'Eu Railway Company Limited. 
A trajetória do Ramal do Pilar, como ficou conhecido, seguia o curso do Rio Paraíba, onde sempre tinha provisão d'água para o abastecimento das saudosas locomotivas a vapor. Segundo o relatório do Ministério de Industria, Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1893 traz a seguinte informação:

"Do kilômetro 31 da linha principal, à margem direita do Rio Parahyba, parte o ramal para o Pilar, transpondo terras ferteis que se prestam bem ao cultivo de canna de assucar, algodoeiro, mandioca, carrapateira (mamona), etc., e attingindo o seu termino com o desenvolvimento de 25 kilometros."

A estação seguia o estilo simples de construção das estações da companhia na época, sem maiores decorações artísticas em sua estrutura. Eram divididas em 5 classes, sendo a estação de Coitezeiras classificada como sendo de 4° classe, assim como as estações de Espírito Santo (Cruz do Espírito Santo), Cobé, Sapé, Araçá (Mari). A estação está localizada a aproximadamente 2 km da sede municipal, direção a Leste.
Como mencionado anteriormente, a região da Várzea do Rio Paraíba é riquíssima no cultivo de diversas, destacando sobretudo o cultivo de Cana de Açúcar, o que fez desenvolver inúmeros engenhos no fábrico de rapadura e aguardente. Dentre os engenhos se destaca o centenário Engenho Lagoa Preta, nas imediações da estação de Coitezeiras.
Segundo o site https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/ sobre o referido engenho, descreve dessa maneira:
"Este engenho recebeu esse nome em homenagem a uma lagoa de água muito escura, que existia por trás do mesmo, a qual com as enchentes do rio Paraíba deixou de existir. Suas terras eram compostas de pequenas planícies com ondulações e por colinas tipos arredondadas. Terras com declividade de maneira que o próprio engenho localizava-se em uma pequena elevação de terra. Em sua área territorial havia alguns açudes e lagos tendo como seu quintal o rio Paraíba. Não constam documentos da fundação do Engenho Lagoa Preta, mas se sabe que a comitiva de D. Pedro ll em 1859 esteve ali quando visitou Pilar.
Não há registro dos primeiros donos, mas esse engenho foi adquirido por uma família que saiu do sertão paraibano a procura de terras próximas ao litoral e do Porto da Capitania com fins de melhor facilidade para transportar suas frutas e os produtos feitos da cana-de-açúcar já que eram grandes produtores.
A linhagem Nóbrega teve a Sinhá Nóbrega, Ana Lins Vieira de Melo que sempre quis ter a admiração dos outros, tendo a fama de ser muito metida de não fala com os menos afortunados e ser muito mesquinha. Foi casada com Dr. Francisco Gouveia de Nóbrega e do casamento nasceram só filhos homens: Alberto, Arnouh, Carlos, Getúlio e Gilberto, este o que mais se destacou dentre os outros.  
Este engenho teve sua ascensão no período de plantação da cana-de-açúcar, pois era um dos maiores produtores desta agricultura tendo terra fértil e vasta dimensão na várzea do Rio Paraíba. Fabricavam açúcar, aguardente destilado, rapadura dentre outros derivados da cana-de-açúcar.  
Seu Gilberto Gouveia de Nóbrega teve a honra de receber através de doação o engenho Lagoa Preta e com sua morte foi entregue aos seus filhos Gilda e Gildo de Nóbrega que passaram a ser donos e administrar o engenho agora com o nome Fazenda Lagoa Preta.
Em meados dos anos 80, a Fazenda Lagoa Preta, antigo Engenho Lagoa Preta, foi arrendada ao senhor Marcos Baracuy, que preservou as características originais e nos fins da década de 90 foi rateado entre os herdeiros que aos poucos foram vendendo suas partes, sendo comprada por pernambucano o Senhor Ercias Barbosa da Menezes que trabalhava com diversos tipos de agricultura.
No ano de 2005, era outro o dono das terras da Fazenda Lagoa Preta que tinha como pensamento resgatar os velhos tempos de plantio de cana-de-açúcar. 
Mesmo tendo passado por muitas reformas, os anteriores donos e o atual sempre mantiveram as características originais. Atualmente o Engenho (Fazenda) Lagoa Preta pertence ao empresário da rede de supermercados Bemais, que preserva ainda as características de engenho, tendo um dos bueiros ainda em pé com o nome da Fazenda na lateral.
O seu Preto assim conhecido tem em suas terras heliportos e uma minipista de pousos para ser usada em benefício próprio e na realização de grandes vaquejadas com participantes do Brasil todo, cultivando, também, atividade voltada para piscicultura.
A Fazenda Lagoa Preta subdividem-se em três propriedades com algumas famílias todos posseiros, o dono ficou com todo o conjunto arquitetônico do engenho e toda extensão da várzea com açudes onde existe a criação de diversos tipos de peixes de água-doce."                    
Foi nesse cenário bucólico de engenhos, cana de açúcar e Rio Paraíba, que o Escritor José Lins do Rego escreveu uma das mais aclamadas obra da literatura nacional, o clássico, Menino de Engenho. Descendente de antigos senhores de engenhos da região José Lins do Rego escreveu cinco livros a que nomeou "Ciclo da cana-de-açúcar", numa referência ao papel que nele ocupa a decadência do engenho açucareiro nordestino, visto de modo cada vez menos nostálgico e mais realista pelo autor: Menino de Engenho (1932), Doidinho (1933), Bangüê (1934), O Moleque Ricardo (1935), e Usina (1936).
A obra é um romance memorialístico regionalista brasileiro, sendo a primeira de José Lins do Rego, publicado em 1932. Custeado pelo autor, o livro foi aclamado pela crítica brasileira por retratar a decadência do Nordeste canavieiro. Entre suas obras deposita-se e mesmo algumas vezes, vive o nordeste úmido da Paraíba, com os seus senhores de engenho, suas negras para o trabalho e amor. O escritor penetra pelo interior e amplia-se com o nordeste sertanejo dos cangaceiros, beatos, fanáticos e coronéis. 
Sua linguagem coloquial que invade a literatura brasileira com a força e o vigor raramente encontrados nos que antecederam o paraibano na captação da matéria regional. É pois, considerado como fundamental na história do moderno romance brasileiro. 
Em 1965 a obra foi adaptada para as telas do cinema. dirigido por Walter Lima Júnior. Dentre uma das cenas do filme, mais precisamente a sequencia final, foram filmadas estas cenas na estação de Coitezeiras, com um antigo trem da Great Western chegando e parando na gare da mesma. Tratava-se de uma locomotiva construída pela North British Locomotive Company, de Glasgow, Escócia, em 1904, do tipo "mogul" com arranjo de rodas 2-6-0, e de numeração 235. 
Aliás, essa talvez seja uma das únicas imagens da antiga estação de Coitezeiras, já que há muitos anos, desde que o transporte ferroviário de passageiros deixou de circular pelo interior paraibano a estação lamentavelmente foi demolida, restando apenas vestígios de que um dia foi uma estação.
Ricardo Henriques, Professor da Prefeitura Municipal de São Miguel de Taipu, me forneceu gentilmente duas imagens do que seria a antiga plataforma da estação ou do armazém. O que agradeço desde já pela gentiliza.
O trecho, assim como toda a malha ferroviária do interior do Estado se encontra em total abandono, onde a vegetação cobre boa parte dos trilhos. Daí partiam inúmeras cargas de cana de açúcar para as usinas da região e a partir daí exportadas para os recantos do Brasil e do Mundo. Tempos estes onde provavelmente não voltarão mais.
Confira abaixo imagens da sequência final do filme Menino de Engenho, mostrando a estação, depósitos e a chegada da composição de passageiros da locomotiva 235 a gare, além das imagens cedidas por Ricardo Henriques, mostrando a trite realidade atual do que foi uma estação ferroviária.

FONTES: Relatório do Ministério de Indústrias, Viação e Obras Públicas, 1893.

A imemorial estação de Coitezeiras. 

Sequencia final do Filme "Menino de Engenho de 1965, mostrando os personagens a espera da composição. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=S4qJ6fM90DM

Sequencia final do Filme Menino de Engenho de 1965, mostrando os personagens a espera da composição. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=S4qJ6fM90DM

Chegada da composição de passageiros a estação de Coitezeiras. Notar a numeração da locomotiva mogul 235, Sequencia final do Filme "Menino de Engenho de 1965. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=S4qJ6fM90DM

Sequencia final do Filme "Menino de Engenho de 1965, despedida emocionante de "Zé Guedes" ao menino "Juca", ao fundo a estação. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=S4qJ6fM90DM

Sequencia final do Filme Menino de Engenho de 1965, despedida emocionante de "Zé Guedes" ao menino "Juca", ao fundo a estação, a esquerda o antigo armazém e dependências da mesma. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=S4qJ6fM90DM

Parte de antiga estrutura de plataforma talvez da estação. Foto: Ricardo Henriques.

Resquícios de que um dia foi o local da antiga estação de Coitezeiras, a esquerda restos de uma plataforma. Não posso afirmar com certeza se fora da estação propriamente dita. Vegetação cobrindo todo o percurso. Não restando nada do que lembre uma estação. Foto: Ricardo Henriques.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Eis Que Apresento... O Novo Painel do Blog

Olá amigos do HFPB. Hoje, 2 de julho de 2020, tenho o prazer de divulgar o mais novo painel do nosso blog. 
Desde o dia 15 de setembro de 2019, quando apresentei a nova logomarca, que acompanhará tanto no painel quanto em algumas imagens em postagens, havia prometido um novo painel para ilustrar o História Ferroviária Paraibana. Desculpem a todos pela demora, mas o dia chegou, e eis que apresento o novo painel.
Na realidade, o novo painel se assemelha esteticamente com o anterior, porém com as imagens em estilo "foto antiga", passando por inúmeras estações espalhadas pelo estado e algumas obras d'artes. No centro, como havia dito anteriormente, a nova logomarca. Todas, repetindo mais uma vez, em estilo foto antiga desgastada. 
Eis que apresento o novo painel. O que acharam pessoal ?. Comentem...



sábado, 30 de maio de 2020

Obras D'Artes - Construções de Uma Ferrovia Que Nunca Passou - Santa Luzia

Olá amigos do HFPB. Hoje trago a vocês imagens extraídas do blog marioferreira90.blogspot.com, pertencente ao Sr. Francisco Roberto Ferreira, o nome do blog é uma homenagem ao seu pai, Mario Ferreira de Medeiros, blog este que traz pouco da história de sua terra natal, Santa Luzia, na Microrregião do Seridó Ocidental, Sertão do Estado.     
Francisco, trás em seu blog imagens fantásticas de obras d'artes diversas, do que seria o "Ramal de Penetração", obra esta iniciada em 1921 e consistia em ligar os Estados do Ceará a Paraíba, via férrea. 
Partindo de Alagoa Grande, o traçado passaria por diversas localidades a exemplo de Alagoa Nova, Esperança, Pocinhos, Soledade, Juazeirinho até passar pelo município de Santa Luzia, seguindo até Patos, onde as duas frentes de trabalho se encontrariam, a outra frente partiria do Ceará passando pelo Sertão paraibano até chegar em Patos. Aliás, esta foi a única obra que realmente foi concluída, já na década de 1940.
Muitas obras neste trecho partindo de Alagoa Grande foram iniciadas, e muitas delas concluídas, como por exemplo, o gigantesco bueiro localizado na divisa dos municípios de Alagoa Grande e Alagoa Nova, conhecido como "Ponte do Quinze", sendo este assunto de uma postagem em janeiro de 2019.
No caso específico de Santa Luzia, as obras em destaque estão localizadas a 7 km da sede municipal, nas proximidades da BR - 230, no Sítio Olho D'Água, ao lado da bela Serra da Tubiba.  De acordo com o blog de Francisco, "são bueiros em pedras e alvenaria, aterros e cortes prontos para o assentamento dos dormentes".
Realmente, estas construções abandonadas nos mostram as práticas empregadas na construção ferroviária em princípios do século XX, continuando praticamente intactas, atestando o tão bem feito trabalho realizado neste trecho.
Os trabalhos de construção do referido ramal estava indo "de vento em popa" entre 1921 e 1922, até o parecer do Marechal Cândido Rondon, que cita o seguinte: " ... o ramal sem prejuízo poderia esperar para ser construído, a terminação das grandes açudagens e dos canais de irrigação, mesmo porque é de presumir que só passa a ter tráfego apreciável depois de removido as causas das secas." Trecho retirado no livro: A Paraíba e Seus Problemas, José Américo de Almeida, II. Edição, 1980. 
Além do citado acima, o referido Marechal também citou o fato do traçado excluir a mais importante cidade do interior paraibano e consequentemente nordestino, Campina Grande, não havendo nenhum motivo aparente para tal exclusão, apenas por "pura perseguição" por parte de alguns políticos e comerciantes de algumas localidades, por exemplo.
Outo fato que teve fundamental impacto da não continuidade das obras de prolongamento, foi quando o novo Presidente da República assumiu em novembro de 1922 no lugar do paraibano Epitácio Pessoa, Arthur Bernardes, o mesmo cortou verbas destinadas as obras do antigo IFOCS, Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas, paralisando imediatamente esta e outras obras espalhadas por toda a Paraíba.
Já a frente de trabalho de prolongamento que partiria do Ceará, prosseguiu as obras sendo totalmente concluídas apenas em 19 de abril de 1944, quando foi inaugurada a estação de Patos. Os materiais que seriam destinados a frente de trabalho entre Alagoa Grande e Patos, foram todos destinados a essa frente de trabalho sertaneja. 
Quando o Governo Federal autorizou, na década de 1940, o tão sonhado prolongamento entre Litoral e Sertão, ligando Paraíba e Ceará, consequentemente outros Estados nordestinos via férrea, Santa Luzia não foi contemplada no traçado. Originalmente, o traçado após Juazeirinho passaria por Santa Luzia, porém, o novo traçado passou a cortar terras onde atualmente estão localizados os municípios de Assunção, Salgadinho, Areia de Baraúnas, Passagem, Cacimba de Areia, até chegar em Patos. Como mencionado em postagens anteriores, o Ramal Campina Grande - Patos foi inaugurado oficialmente em 8 de fevereiro de 1958.
Agradeço Francisco Roberto pela fantástica ajuda na elaboração desta postagem de uma história praticamente esquecida da grande maioria da população paraibana.
Confira abaixo as imagens captadas no blog de Francisco:


Entrada de um Bueiro em pedra e concreto concluída. Resistindo ao tempo e abandono, desde 1922. Na realidade foram construídos na área em torno de 3 bueiros com este aspecto, porém, na região possa haver outras construções similares em toda a região de Santa Luzia onde o traçado cortaria o município.

A outra extremidade do bueiro inacabada.

Material em pedra na confecção de um bueiro.

Detalhes da entrada de um bueiro inacabado.

Bueiro inacabado.

Bueiro inacabado.

Entrada de um bueiro. 

Entrada de um bueiro inacabado. 

Pequeno pontilhão praticamente concluído.

Início da escavação de um Corte inacabado.

Início da escavação de um Corte inacabado.

Mais um corte inacabado.

Aterro inacabado. 

Parte de um aterro, ao fundo a Serra da Tubiba.

Aspecto de parte de uma área aonde receberia a linha férrea, algo que jamais aconteceu. Ao fundo a bela Serra da Tubiba.

sábado, 23 de maio de 2020

Imagens Históricas da Ferrovia em Sapé

Olá amigos do HFPB. Hoje, trago a todos vocês imagens históricas da imemorial estação de Sapé e seus arredores. Grande parte das imagens foram extraídas do Grupo do Facebook "Sapé de Outrora" a quem agradeço pela disponibilização do material histórico. São imagens que remetem desde a década de 1910 até a década de 1990. 
A estação de Sapé, foi uma das primeiras inauguradas na Paraíba, pela The Conde D'Eu Railway Company Limited em 7 de setembro de 1883, no trecho inicial da Capital da Província Parahyba até o povoado de Camarazal, posteriormente Mulungu, na época pertencente ao município de Guarabira. 
Sapé foi um importante centro comercial na Mesorregião da Mata Paraibana, Microrregião de Sapé, se destacando o cultivo das culturas da cana de açúcar e abacaxi. 
A Usina Santa Helena, fabricante de açúcar, foi uma das maiores da região, boa parte de seu escoamento produtivo era feito de trens, exportando para diversas partes da região.
Por muito tempo um polo algodoeiro, com usinas como a CIDAO (Companhia Industrial de Algodão e Óleos) e posteriormente SANBRA (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro) se destacando no setor industrial. Inclusive existia desvio ferroviário para o complexo industrial da CIDAO (posteriormente a SANBRA adquiriu as instalações na década de 1930). Praticamente Sapé se desenvolveu em torno da ferrovia, desenvolvimento este bastante significativo. Quando ela chegou em 1883, praticamente, não existiam casas em torno da estação. Um impulso desenvolvimentista "desembarcou" de vez na localidade. A verdade é tanta, que em 1 de dezembro de 1925, Sapé conseguia sua emancipação de Cruz do Espírito Santo, tornando independente e próspera a partir de então.
Abaixo as históricas imagens:

Dia de feira em Sapé no ano de 1910. Ao fundo, quase no centro da imagem, depois do cata-ventos ficava a estação local. Fonte: Sapé de Outrora. 

Usina da CIDAO em 1922. Usina beneficiadora do algodão e fabricante de óleos caseiros. Nota-se os trilhos adentrando no parque industrial no centro da imagem. Fonte: Era Nova, 1922. 

Centro de Sapé no ano de 1922, ao fundo, ao centro da imagem, logo após o cata-ventos ficava a estação. Fonte: Illustração Brasileira, Setembro de 1922.

Imagem da antiga estação que remete provavelmente a década de 1930. Fonte: Autor desconhecido.

Multidão acompanhando Filarmônica Municipal na década de 1950. No centro a estação local. Fonte: Sapé de Outrora.

Passageiros aguardando o comboio chegar a estação de Sapé na década de 1950. Fonte: Sapé de Outrora.

Grupo de pessoas da sociedade sapeense na década de 1950 ao lado da estação local. Fonte: Sapé de Outrora.

Manutenção na linha férrea com a troca de dormentes no perímetro urbano na segunda metade da década de 1960, ao fundo a estação local. Fonte: Sapé de Outrora.

Aspecto de manutenção da linha realizada na segunda metade da década de 1960, com a colocação de brita.  Fonte: Sapé de Outrora.  

Aspecto de manutenção da linha realizada na segunda metade da década de 1960, com a colocação de brita para uma PN (Passagem de Nível).  Fonte: Sapé de Outrora. 

Uma imagem que traz saudades ao amantes do transporte ferroviário de passageiros. Comboio cortando a cidade nas proximidades da estação. Década de 1960. Fonte: Sapé de Outrora.

Desvio perto da estação. Década de 1970. Fonte: Sapé de Outrora.

A estação na década de 1970, após sua reforma estrutural. Fonte: Sapé de Outrora.

A estação demolida inexplicavelmente, na década de 1990. Tempos que não voltam mais. Fonte: Sapé de Outrora.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

A Curva da "Maria Cabocla" e Seu Passado Trágico

Olá amigos da HFPB. Nesta postagem trago imagens recentes da "famosa" Curva da "Maria Cabocla", localizada a cerca de 2 km da estação de Galante, município de Campina Grande.
Poderia ser apenas mais uma curva em tantas espalhadas pelos mal tratados trilhos em nosso estado, porém sua história não é nada gloriosa, mas sim trágica.
Construída como parte integrante do prolongamento férreo entre Itabaiana - Campina Grande, inaugurada em 02 de outubro de 1907.
Em viagem no dia 01 de julho último pela tradicional "Locomotiva do Forró" , passeio turístico realizado anualmente entre as estações velha de Campina Grande (atual Museu do Algodão) e a estação de Galante no período junino, me deparei com esta famosa curva e toda a história que a envolve. 
A história nos conta de um terrível acidente ocorrido no dia 13 de janeiro de 1970 em que uma composição de passageiros da PN-2 máquina de número 819 ALCO RSD - 8 diesel elétrica da RFN, que saíra da estação de Campina Grande as 13:05 h com destino a Recife, ao passar pelo KM-61, faltando apenas 2 km da estação de Galante. As 13:36 h, o maquinista José de Melo sentiu que a máquina "sacolejava" bastante diminuindo a marcha. Quando passou pela curva da "Maria Cabocla" o inevitável aconteceu, a composição composta por sete vagões, sendo seis deles de passageiros e um de carga o trem passou por um "repuxo" - trilhos fora de bitola e a locomotiva tombou perigosamente, porém, seguiu viagem. Porém, o quarto vagão não conseguiu manter o equilíbrio vindo a descarrilhar puxando os demais vagões para um barranco com mais de 10 metros de altura, causando o saldo trágico de 17 mortes e cerca de 148 feridos.
Socorros vieram de toda as partes, tanto ambulâncias e carros populares procedentes de Campina Grande, quanto populares do próprio Distrito de Galante, auxiliaram no resgate dos sobreviventes.
Segundo relatos de um morador do Distrito, os corpos das vítimas ficaram "amontoados" na gare da estação esperando serem transportados e identificados. Muitos destes tiveram mortes horríveis.
Muitos afirmam que o maquinista estava acima da velocidade permitida, porém o mesmo nega, segundo depoimento a revista Veja na época: "Na curva senti um sopapo, como os trilhos estivessem afundando..."
Engenheiros da RFN, chegaram a cogitar três hipóteses para o acidente: erro de operação ou aplicação do freio; defeito mecânico; ou excesso de velocidade.
Um diretor da RFN, Gilvani Pessoa Pires, descartou a época as duas primeiras hipóteses a Revista Veja: “A linha tem pedramento recente e todas as locomotivas da Rede funcionam em condições técnicas perfeitas”.
Novamente, a culpabilidade do acidente recaia sobre o maquinista José Melo, que deu sua versão do acidente a mesma revista: “Saí de Campina Grande às 13:05 h, para chegar a Galante às 13:40 h. O desastre foi às 13:36 h, exatamente a cinco minutos de Galante. O trem fazia 35 quilômetros por hora”.
Após esse desastre, a imprensa paraibana começou uma série de reportagens contra os serviços prestados pela Rede Ferroviária do Nordeste, afirmando que o outrora glorioso serviço, que tanto impulsionou o desenvolvimento campinense e paraibano, estava superado e acima de tudo, tornara-se muito perigoso. 
Quanto ao acidente, nunca foi explicado o que realmente ocorreu. Trata-se sem sombra de dúvidas do pior desastre ferroviário da história da Paraíba.
No local do acidente foi construída uma pequena capela em homenagem as vítimas com o nome de Nossa Senhora das Dores. 
A lembrança da tragédia ainda está bastante viva na memória da população tanto de Galante quanto de Campina Grande, como uma das maiores tragédias ocorridas em sua história.

Fontes: Diário de Pernambuco de 14-01-1970 e 17-02-1970. 

A Curva da "Maria Cabocla", a esquerda a capela construída em homenagem as vítimas, Nossa Senhora das Dores. Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

A Curva da "Maria Cabocla", a esquerda a capela construída em homenagem as vítimas, Nossa Senhora das Dores. Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

A Curva da "Maria Cabocla", ao fundo a capela construída em homenagem as vítimas, Nossa Senhora das Dores. A composição tombou a esquerda da curva. Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

A Curva da "Maria Cabocla". Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

Curva "Maria Cabocla" sentido Campina Grande - Galante. Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

 
Aspecto da tragédia. Diário de Pernambuco - 14/01/1970.

Foto extraída do blog: http://cgretalhos.blogspot.com da tragédia da "Maria Cabocla".

Dois dos passageiros vítimas do sinistro. Um morto e outro ferido. Diário de Pernambuco - 14-01-1970.

Locomotiva Diesel Elétrica ALCO RSD-8 do mesmo modelo da número 819 da tragédia de 13/01/1970. 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Locomotivas e Vagões da Great Western of Brazil Railway (GWBR) - Livro: Impressões do Brazil no Seculo Vinte - 1913

Olá amigos da HFPB. Hoje trago informações extraídas do grande livro Impressões do Brazil no Seculo Vinte, editada em 1913 e impressa na Inglaterra por Lloyd's Greater Britain Publishing Company, Ltd., com 1.080 páginas, mantida no Arquivo Histórico de Cubatão-SP,  e encontrada através do site: http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0300g01.htm.
As informações preciosas contidas nesse grande livro traz dados sobre as ferrovias brasileiras na época. Dentre elas, está a nossa conhecida Great Western (GWBR).
As informações contidas no livro trazem um pequeno histórico sobre a companhia, suas realizações durante os princípios do século XX, e diversas outras atividades nos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, onde a GWBR detinha o controle nesses estados a partir de 1901.
Em um determinado ponto, o livro traz menções ao material rodante da companhia, como transcreveremos abaixo:

Numerosos tipos de toda a sorte de material rodante passaram das companhias primitivas para a Great Western, muitos dos quais bastante antiquados. Grande parte deste estoque foi já substituído por tipos modernos, e essas substituições irão sendo gradualmente feitas até se modernizar todo o estoque.
A maior parte das locomotivas usadas são do tipo Mogul, 2-6-0 com truck duplo, tender com capacidade para quatro toneladas de carvão e 2.000 galões de água; cilindros, 16" x 20"; rodas motrizes, 3' 6"; pressão na caldeira, 160 libras; fornalha, "Belpaire"; movimento, "Walsschart". 67 locomotivas desta classe foram já construídas e postas em tráfego; foram todas construídas pela North British Locomotive Company, que forneceu também três outras classes de locomotivas, a saber: 7 locomotivas tipo 4-8-0, cilindros de 16" x 22", rodas de 3' 6", 160 libras de pressão, para trens de carga dos mais pesados; 12 pequenas locomotivas do tipo Consolidation, cilindros de 15" x 18", para trens de carga nas seções em que os trilhos são leves; 6 locomotivas para passageiros, tipo 4-4-0, cilindros de 16" x 20", rodas de 4' 8" e 160 libras de pressão, para o tráfego suburbano.
Existem ainda 59 outras locomotivas de vários tamanhos e tipos, 21 norte-americanas, 4 francesas e 24 inglesas, as quais quase todas passaram para a companhia com as linhas arrendadas. Estas são empregadas nos trens para os ramais e para manobra nas estações; e as mais pesadas delas, para trens de carga e na construção de novas linhas.
A Great Western possui em tráfego cinco carros-restaurantes do último tipo e com capacidade para 24 passageiros sentados. Esses carros, providos de iluminação elétrica, freios de ar comprimido, cozinha etc., foram construídos pela Metropolitan Amalgamated Carriage & Wagon Company Ltd. Correm nos trens expressos, entre as capitais dos estados de Pernambuco e Alagoas, e Pernambuco e Paraíba.
Os carros de primeira classe, com capacidade para 37 passageiros sentados, são de tipo moderno, com assentos de palhinha, molas e encostos de virar; estrutura inferior de aço do tipo Livesey Gould, freios de ar comprimido, iluminação elétrica pelo sistema Stones. Estes carros foram construídos pela Gloucester Wagon Company e pela Amalgamated Carriage and Wagon Company; a companhia possui 29, mais ou menos semelhantes; e, na última remessa recebida, foram introduzidos alguns melhoramentos ainda mais modernos.
Os carros de segunda classe são semelhantes aos precedentes, com a diferença de terem os assentos de madeira e a iluminação a gás acetileno. Têm capacidade para 72 passageiros sentados. Os carros mistos são uma combinação dos tipos precedentes de carros de primeira e segunda classes e têm capacidade para 18 passageiros de primeira classe e 34 de segunda, todos sentados. São iluminados à luz elétrica, sistema Stone.
Os carros de bagagem e correio são semelhantes aos precedentes, com disposição interna para malas do correio e bagagem. Existem vinte em tráfego. Os restantes carros são de tipos diversos, de fabricação inglesa, norte-americana ou belga. Não há carros dormitórios, pois que não há tráfego noturno; existem, porém, cinco providos de camas, chuveiro, luz elétrica, indicador de velocidade e aparelhados para viagens prolongadas,nos quais o gerente geral e outros empregados superiores fazem as viagens de inspeção.
Os principais tipos do novo material rodante são os seguintes: carros fechados de 25 toneladas, 315; carros fechados de 12 toneladas, 330; carros abertos de 25 toneladas, 245; carros abertos de 12 toneladas, 285; e outros carros, 18. Todos estes vagões são de manufatura inglesa e têm a estrutura inferior do tipo Livesey Gould, trucks de aço e rodas com anel de aço. Os restantes vagões passaram à Great Western com as diferentes linhas arrendadas pelo governo e são de grande variedade de tipos. Incluindo o material antigo, tem a Great Western o total de 151 locomotivas, 253 carros de passageiros etc., 2.171 vagões e 6 saveiros.

De acordo com o transcrito acima, um dos principais fornecedores de locomotivas para a Great Western foi a empresa britânica North British Locomotive Company, criada em 1903 na cidade escocesa de Glasgow através da junção de outras empresas Sharp, Stewart and Company, Neilson and Company e a Dübs & Co. Sendo esta, a empresa britânica mais fornecedora de locomotivas a vapor para vários países do globo.
A North British forneceu locomotivas do tipo Mogul, do arranjo de rodas 2-6-0, sendo este tipo o mais utilizado pela companhia. Também a empresa britânica forneceu os modelos Mastodon, com arranjo de rodas 4-8-0, Consolidation com arranjo de rodas 2-8-0 e os modelos American, com arranjo de 4-4-0. 
O cônsul inglês e amigo William "Eddie" Edmundson, autor do belíssimo livro: "A GRETOESTE - A História da Rede Ferroviária Great Western of Brazil, Ed. Ideia, João pessoa, 2016"., (recomendo a todos conhecerem esta importantíssima obra), me forneceu gentilmente preciosíssimos e raros postais que fazem parte de sua coleção particular de materiais ferroviários raros de sua terra natal a Grã-Bretanha. Estes postais trazem informativos das locomotivas mencionadas na transcrição acima da North British que remetem a primeira década do século XX, quando foram exportadas para o Brasil.  Confira abaixo:

Tipo "Mogul", 2-6-0 da North British. O modelo mais utilizado pela GWBR. Fonte: Eddie Edmundson. 

Tipo "Consolidation", 2-8-0 da North British. Especialmente utilizadas para o transportes de cargas. Fonte: Eddie Edmundson. 

Tipo "Mastodon", 4-8-0 da North British. Fonte: Eddie Edmundson. 

Tipo "Mastodon", 4-8-0 da North British. Fonte: Eddie Edmundson. 

Tipo "American", 4-4-0 da North British. Utilizada no transporte de passageiros suburbano. Fonte: Eddie Edmundson. 

Tipo "Mogul", 2-6-0 da North British. Fonte:  http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0300g24g6g.htm

Carro-Restaurante. Construída pela Metropolitan Amalgamated Carriage & Wagon Company Ltd. Utilizadas no trecho entre a capital paraibana e pernambucana.

Interior do Carro-Restaurante. Fonte: http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0300g24g6g.htm

Vagão do tipo "Fechado", muito utilizado pela GWBR com um total de 315 foram utilizadas. Fonte: http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0300g24g6g.htm

Capa do livro: Impressões do Brazil no Século Vinte - 1913