sábado, 18 de setembro de 2021

Raridade - Estação de Condado Na Década de 1950

Olá amigos do HFPB. Dando sequencia a série de estações sertanejas, recentemente fui gentilmente agraciado por incríveis fotografias da saudosa estação de Condado pelo pesquisador Francisco de Assis Pereira de Araújo. Imagens estas muito provavelmente da década de 1950. Estas maravilhosas fotografias pertencem ao precioso acervo de Sr. José Valdo de Oliveira, de Condado.  
A estação localizava no sítio Jenipapo, próximo a área urbana. Segundo informações do próprio Francisco, a estação foi demolida há anos, restando apenas a base da plataforma, além caixa d'água de concreto armado. Os pontilhões próximos ao local aonde existiu a estação, estão em bom estado de conservação, apesar do tempo e ausência de manutenções periódicas. 
Localizada no trecho entre Pombal e Patos, a estação segue a linha arquitetônica das estações pequenas da Rede de Viação Cearense (RVC) existentes em várias localidades no Sertão paraibano e cearense. 
A partir de março de 1957, todo o trecho entre Itabaiana até Sousa, fora incorporado a recém criada Rede Ferroviária Federal (RFFSA), sendo este trecho conhecido como "Ramal de Campina Grande", sendo a então Rede Ferroviária do Nordeste (RFN) uma subsidiária desta nova estatal. 
O ramal foi oficialmente inaugurado no dia 19 de abril de 1944, quando o trecho Pombal - Patos foi finalmente inaugurado, pondo fim ao "isolamento" via férrea da "Morada do Sol", ou seja, Patos. Porém, segundo o Guia Geral das Estradas de Ferro de 1960, a estação de Condado foi construída anos depois, ou seja, inaugurada no dia 15 de março de 1956.
Por cerca de 24 anos, a estação de Condado serviu a comunidade local exclusivamente com o transporte de trens de passageiros até por volta de 1980, quando os trens de passageiros deixaram de trafegar entre Paraíba e Ceará. Esta decisão de suprimir o transporte de passageiros, causou uma lacuna enorme entre os habitantes locais, já que o transporte de trens de passageiros era a maneira mais fácil de locomoção até grandes centros como Campina Grande, João Pessoa, Fortaleza e Recife, por exemplo. 
Com tudo isso, estação local não teve a importância devida como ponto de parada, apenas trens de cargas trafegavam, não mais parando na gare da estação, sendo posteriormente abandonada e lamentavelmente demolida. 
Os trens de cargas por sua vez, trafegaram até início da década de 2010, posteriormente a linha entre Paraíba e Ceará foi fechada, e encontrasse em completo e total abandono, com muitos trilhos furtados em diversos pontos do ramal.
Restaram apenas a saudade e memória daqueles que viveram os tempos áureos quando os "gigantes de aço" faziam parada em Condado.

Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, IBGE, Vol.5, 1960 


A saudosa estação de Condado na década de 1950, provavelmente. Fonte: Acervo de José Valdo de Oliveira

Esplanada da estação de Condado com pontilhão, depósito, caixa d'água e estação. Fonte: Acervo de José Valdo de Oliveira

Mapa do município de Malta na década de 1950, ainda com o então distrito de Condado. Este só viria a se emancipar em 18 de dezembro de 1961. Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, IBGE, Vol.5, 1960 

Localidade da antiga estação de Condado, ampliado do mapa anterior do final dos anos 1950. Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, IBGE, Vol.5, 1960 

domingo, 29 de agosto de 2021

Raridade - Trem Trafegando em Guarabira

Olá amigos do HFPB. Mais uma vez o pesquisador guarabirense Daniel Silva Fernandes, me enviou gentilmente duas belas e raras fotos de uma composição trafegando na gare da estação de Guarabira, muito provavelmente esta imagem foi tirada por volta de 1999/2000, sendo portanto um dos últimos trens a circular pelo trecho correspondente entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte.
Segundo o próprio Daniel, esta foto foi encontrada no CEDOC (Centro de Documentação de Guarabira), fará parte do acervo de um futuro museu na estação ferroviária local. 
Na ocasião, a referida composição da imagem carregava uma carga de sal marinho, vindo do vizinho Estado do Rio Grande do Norte em direção ao porto de Cabedelo
A locomotiva na imagem é uma diesel-elétrica RSD-8 construída pela ALCO (American Locomotive Company) no final da década de 1950, com a numeração 6074 da antiga RFFSA (Rede Ferroviária Federal), com uma potência de 1050 HP. 
Tempo depois foi pintada de acordo com as cores das locomotivas da CFN (Companhia Ferrovária do Notrdeste)
Ainda hoje muitas locomotivas deste modelo são usadas, sobretudo pela CBTU.
Inaugurado em 1 de janeiro de 1904, o ramal entre Guarabira e Nova Cruz, no Rio Grande do Norte, foi bastante movimentado, até o ano de 1952, era a única rota de acesso entre ambos os estados via férrea. Em 1952 foi aberta o tráfego entre Mossoró (RN) e Sousa, no Sertão do Estado.
Segundo relatos colhidos por Daniel de antigos funcionários da RFFSA, o último trem de carga circulou mais ou menos em 2002, para nunca mais voltar. O último trem de passageiros circulou pelo ramal Paraíba/Rio Grande do Norte em 1979, aproximadamente. 
Agradeço mais uma vez a Daniel Fernandes pelo envio destas preciosas imagens, confira abaixo:

Bela e histórica imagem de uma das últimas composições a trafegar pelo ramal entre Paraíba e Rio Grande do Norte na gare de Guarabira. Foto provável do ano de 2000. Fonte: CEDOC (Guarabira).

Locomotiva diesel-elétrica ALCO RSD-8 6074 parada na gare da estação de Guarabira provavelmente em 2000. Fonte: CEDOC (Guarabira).  

terça-feira, 27 de julho de 2021

Estado Atual da Estação de Engenheiro Benévolo

Olá amigo do HFPB. É com imensa satisfação que recebi gentilmente do amigo pocinhense Daniel Felix Rodrigues, mais conhecido na região como Tomás D.F.R., imagens de uma visita realizada pelo mesmo a antiga estação de Engenheiro Benévolo, localizada a 14 km da sede municipal de Pocinhos
A visita foi feita na tarde de domingo, dia 25 do corrente mês, com sua bike. Tomás, tem um canal na plataforma Youtube, que trata de assuntos de mistério e lugares abandonados e históricos da região.
A situação constatada não é nada agradável. Infelizmente a estação está em ruínas, em total estado de abandono. Até mesmo a antiga plataforma teve seus blocos de pedra furtados, uma verdadeira lástima. Telhado, portas, janelas, fiação e iluminação interna e externa, tiveram o mesmo destino. Boa parte da estrutura interna de paredes foi demolida, e no alto onde se encontravam os dísticos na lateral também desapareceu. O entulho destas intervenções se encontra espalhada pelo interior e exterior do prédio. 
O estado de conservação não é nada agradável, mas pelo menos, a estação, mesmo com todo este abandono e deterioração, ainda continua de pé, como testemunha dos tempos áureos do transporte ferroviário pelo Estado.  
Mas este cenário de total abandono e deterioração do prédio já era esperado. Em meados de 1980 o tráfego de trens de passageiros no interior paraibano foi interrompido para nunca mais voltar. Algumas estações que integravam o trecho entre Paraíba e Ceará, eram exclusivas apenas para o transporte de passageiros, sendo que estas dependiam diretamente deste fluxo. Com a interrupção deste sistema, elas perderam suas funções de embarque e desembarque de passageiros, acarretando fechamentos e abandonos. 
Engenheiro Benévolo não foi diferente, a estação atendia principalmente habitantes da zona rural dos municípios de Pocinhos e Olivedos. Estas pessoas dependiam exclusivamente do transporte ferroviário de passageiros, já que na época, somente por via férrea poderiam chegar a  grandes centros urbanos regionais a exemplo de Campina GrandeJoão PessoaFortaleza, Recife, Natal, entre outras. Desde a década de 1980 encontrasse neste estado, piorando ainda mais com as seguidas "pilhagens" em sua estrutura. 
A estação foi construída no lugar conhecido como Lagamar, próximo da divisa entre os municípios de Pocinhos e Olivedos, a cerca de 13,5 km da estação de Pocinhos e a 52 km da estação de Campina Grande.
Construída pela Empresa Construtora Camillo Collier Ltda, constituía uma das estações do ramal entre Campina Grande a Patos, iniciada no final da década de 1940 e concluída em sua totalidade em 8 de fevereiro de 1958, quando foi festivamente entregue o trecho. Seguia a linha arquitetônica de estações do ramal, ou seja, em estilo Art Decó, vigente na época. Não há evidências no local que tenha existido um armazém, porém 
A primeira vez que a estação recebeu um trem foi no dia 21 de janeiro de 1956, quando ocorreu a entrega festiva do trecho entre Campina Grande e Soledade. No ano seguinte, em fevereiro de 1957, teve início o tráfego de trens de passageiros e cargas entre Campina Grande e Juazeirinho.
O ramal se encontra em total abandono, desde o início da década de 2010, quando o tráfego de trens de cargas fora interrompida, e até o momento não tem projeto de retorno. 
Agradeço mais uma vez ao amigo Tomás D.F.R. pelo envio destas preciosas imagens. O link do seu  canal no youtube é este, se inscrevam:

A deteriorada estação de Engenheiro Benévolo. Detalhe que nem a plataforma escapou da "pilhagem". Foto: Tomás D.F.R. 

A estação de Engenheiro Benévolo, a muito tempo abandonada e deteriorada. Foto: Tomás D.F.R. 

A estação de Engenheiro Benévolo, a muito tempo abandonada e deteriorada. Foto: Tomás D.F.R. 

Vista da antiga entrada da estação de Engenheiro Benévolo. Foto: Tomás D.F.R. 

Aspecto interno bastante deteriorado da estação. Foto: Tomás D.F.R. 

Mais um aspecto interno onde as paredes foram derrubadas. Foto: Tomás D.F.R. 

Aspecto externo da estação, com a parte superior onde se localizava o dístico desaparecida há tempos. Foto: Tomás D.F.R. 

Mais um aspecto da antiga entrada da estação. Foto: Tomás D.F.R. 

Daniel Felix Rodrigues, mais conhecido como "Tomás D.F.R.", expedição a bike a estação de Engenheiro Benévolo no dia 25 de julho de 2021. Gentilmente enviou todas as imagens. Foto: Tomás D.F.R. 

terça-feira, 13 de julho de 2021

Raridade - Bilhete de Passageiros da Great Western

Olá amigos do HFPB. Hoje trago a todos vocês uma raridade enviada gentilmente pelo pesquisador Daniel da Silva Fernandes de Guarabira. Trata-se de um antigo bilhete de passageiros da imemorial Great Western of Brazil Railway (GWBR) pertencente ao Senhor Eduardo Cavalcanti, mas o mesmo não explicou a Daniel a quem pertencia na época, provavelmente alguém da família.
O bilhete remete a uma viagem realizada entre as estações de Parahyba (João Pessoa) a Guarabira no dia 1 de janeiro de 1930 com o preço de 13$600, uma quarta-feira em uma distância entre as duas cidades via férrea é de 95 quilômetros. 
Não dá pra notar de a passagem é de 1° ou 2° classes, já que foi trincada mesmo acima do número indicativo, porém acredito que tenha sido de segunda classe.
Segundo um anuncio da companhia através do jornal Diário de Pernambuco circulado em 7 de fevereiro de 1929, os horários passaram por mudanças da Seção Norte, saindo de Cabedelo as 9:40 horas aos domingos, segundas, quartas e sextas-feiras, em lugar das 8:00 horas antes marcada com destino as estações de Entroncamento (Paula Cavalcanti) e Guarabira.
Realmente é uma peça rara e bem conservada, já que se passaram mais de 91 anos deste bilhete. 



Raridade - Bilhete da antiga Great Western em 1930

Anuncio da Great Western de 7 de fevereiro de 1929 estabelecendo um novo horário para o trecho até Guarabira

Estação de Parahyba (João Pessoa) no final da década de 1920. Local de partida do referido bilhete.

Estação de Guarabira. Local de destino da viagem de 1 de janeiro de 1930.