terça-feira, 23 de outubro de 2018

Sob o Céu Nordestino - Filmagens em Bananeiras e Borborema na Década de 1920

Olá amigos do HFPB. Hoje trago imagens raras de filmagens realizadas na década de 1920 das estações de Bananeiras e Borborema no Brejo Paraibano.
Na realidade estas imagens foram extraídas de parte do grandioso filme documentário intitulado Sob o Céu Nordestino, pelo Escritor e Jornalista paraibano Walfredo Rodriguez
As filmagens são iniciadas em 1924, percorrem praticamente todo o estado da "Parahyba", mostrando aspectos, fauna, flora e economia locais. Em 1928 a obra é finalizada com aproximadamente duas horas de filmagens. Foram rodadas 2.080 metros de película. 
Walfredo Rodriguez pretendia mostrar ao Sul do País que o Nordeste mais especificamente a Paraíba que não era apenas miséria. Queria rebater as descriminatórias e absurdas criticas de seus amigos da "Federal Filmes", da Capital Federal, de que na Paraíba não existia "nada de civilizado", de que por aqui "nem se comia direito", e que os índios "atacavam pessoas nas cidades". A ideia inicial era filmar todo o Nordeste, mas só captou a Paraíba
Com a conclusão deste best-seller, o mesmo foi exibido em várias cidades do Estado, e em outros estados nordestinos, além do Rio de Janeiro.
Concluídos as exibições em vários recantos do Estado e em outros o filme foi levado por Antônio Barradas para Paris, a fim de sonorizá-lo, porém isto não foi possível, já que o mesmo faleceu subitamente durante a viagem, a cópia original desapareceu e não foi mais encontrada. 
Ao longo dos anos foram encontradas até então apenas 24 minutos da filmagem original. Infelizmente perdemos boa parte do material, mas felizmente partes das filmagens de Bananeiras e Borborema onde aparecem suas respectivas estações foram preservadas.
Confira abaixo a sequencia de filmagens de ambas as localidades brejeiras por volta tudo indica em 1924, quando a estação de Bananeiras ainda estava em processo de conclusão, inaugurada oficialmente em 30 de julho de 1925. 

Cinema na Paraíba Cinema da Paraíba. Wills Leal, Segundo Volume, 2007.

Sequência de Bananeiras:


Conclusão da estação.

Conclusão da estação e armazém.

Conclusão da estação e armazém.

Sequência de Borborema:


Estação de Borborema no centro da imagem.


Notar três vagões do tipo fechado da antiga Great Western em frente ao armazém





   


quinta-feira, 19 de julho de 2018

A Curva da "Maria Cabocla" e Seu Passado Trágico

Olá amigos da HFPB. Nesta postagem trago imagens recentes da "famosa" Curva da "Maria Cabocla", localizada a cerca de 2 km da estação de Galante, município de Campina Grande.
Poderia ser apenas mais uma curva em tantas espalhadas pelos mal tratados trilhos em nosso estado, porém sua história não é nada gloriosa, mas sim trágica.
Construída como parte integrante do prolongamento férreo entre Itabaiana - Campina Grande, inaugurada em 02 de outubro de 1907.
Em viagem no dia 01 de julho último pela tradicional "Locomotiva do Forró" , passeio turístico realizado anualmente entre as estações velha de Campina Grande (atual Museu do Algodão) e a estação de Galante no período junino, me deparei com esta famosa curva e toda a história que a envolve. 
A história nos conta de um terrível acidente ocorrido no dia 13 de janeiro de 1970 em que uma composição de passageiros da PN-2 máquina de número 819 ALCO RSD - 8 diesel elétrica da RFN, que saíra da estação de Campina Grande as 13:05 h com destino a Recife, ao passar pelo KM-61, faltando apenas 2 km da estação de Galante. As 13:36 h, o maquinista José de Melo sentiu que a máquina "sacolejava" bastante diminuindo a marcha. Quando passou pela curva da "Maria Cabocla" o inevitável aconteceu, a composição composta por sete vagões, sendo seis deles de passageiros e um de carga o trem passou por um "repuxo" - trilhos fora de bitola e a locomotiva tombou perigosamente, porém, seguiu viagem. Porém, o quarto vagão não conseguiu manter o equilíbrio vindo a descarrilhar puxando os demais vagões para um barranco com mais de 10 metros de altura, causando o saldo trágico de 17 mortes e cerca de 148 feridos.
Socorros vieram de toda as partes, tanto ambulâncias e carros populares procedentes de Campina Grande, quanto populares do próprio Distrito de Galante, auxiliaram no resgate dos sobreviventes.
Segundo relatos de um morador do Distrito, os corpos das vítimas ficaram "amontoados" na gare da estação esperando serem transportados e identificados. Muitos destes tiveram mortes horríveis.
Muitos afirmam que o maquinista estava acima da velocidade permitida, porém o mesmo nega, segundo depoimento a revista Veja na época: "Na curva senti um sopapo, como os trilhos estivessem afundando..."
Engenheiros da RFN, chegaram a cogitar três hipóteses para o acidente: erro de operação ou aplicação do freio; defeito mecânico; ou excesso de velocidade.
Um diretor da RFN, Gilvani Pessoa Pires, descartou a época as duas primeiras hipóteses a Revista Veja: “A linha tem pedramento recente e todas as locomotivas da Rede funcionam em condições técnicas perfeitas”.
Novamente, a culpabilidade do acidente recaia sobre o maquinista José Melo, que deu sua versão do acidente a mesma revista: “Saí de Campina Grande às 13:05 h, para chegar a Galante às 13:40 h. O desastre foi às 13:36 h, exatamente a cinco minutos de Galante. O trem fazia 35 quilômetros por hora”.
Após esse desastre, a imprensa paraibana começou uma série de reportagens contra os serviços prestados pela Rede Ferroviária do Nordeste, afirmando que o outrora glorioso serviço, que tanto impulsionou o desenvolvimento campinense e paraibano, estava superado e acima de tudo, tornara-se muito perigoso. 
Quanto ao acidente, nunca foi explicado o que realmente ocorreu. Trata-se sem sombra de dúvidas do pior desastre ferroviário da história da Paraíba.
No local do acidente foi construída uma pequena capela em homenagem as vítimas com o nome de Nossa Senhora das Dores
A lembrança da tragédia ainda está bastante viva na memória da população tanto de Galante quanto de Campina Grande, como uma das maiores tragédias ocorridas em sua história.

Fontes: Diário de Pernambuco de 14-01-1970 e 17-02-1970. 

A Curva da "Maria Cabocla", a esquerda a capela construída em homenagem as vítimas, Nossa Senhora das Dores. Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

A Curva da "Maria Cabocla", a esquerda a capela construída em homenagem as vítimas, Nossa Senhora das Dores. Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

A Curva da "Maria Cabocla", ao fundo a capela construída em homenagem as vítimas, Nossa Senhora das Dores. A composição tombou a esquerda da curva. Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

A Curva da "Maria Cabocla". Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

Curva "Maria Cabocla" sentido Campina Grande - GalanteFoto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

 
Aspecto da tragédia. Diário de Pernambuco - 14/01/1970.

Foto extraída do blog: http://cgretalhos.blogspot.com da tragédia da "Maria Cabocla".

Dois dos passageiros vítimas do sinistro. Um morto e outro ferido. Diário de Pernambuco - 14-01-1970.

Locomotiva Diesel Elétrica ALCO RSD-8 do mesmo modelo da número 819 da tragédia de 13/01/1970. 

sábado, 23 de junho de 2018

Estado Atual da Estação de Guarabira

Olá amigos do HFPB. Hoje trago imagens da estação de Guarabira em visita no dia 30 de novembro de 2017. Infelizmente o estado que constatei não é nada satisfatório. A estação está completamente abandonada e estado deplorável. 
Construída originalmente em 1884 como estação ponta de linha da antiga Conde D'Eu Railway Company, fora reformada há cerca de cinquenta anos (aproximadamente) na concepção atual, recebendo as chamadas "mãos francesas" de ferro fundido em apoio a cobertura, em lugar dos pilares de madeira antes existentes. Também recebeu banheiros internos, área de bagagens e outros serviços fundamentais para um conforto maior dos passageiros que a transitavam.
Desde a última visita que fiz a mesma em maio de 2012 a situação só piorou, faltam telhados, portas foram saqueadas por vândalos, boa parte da estrutura está totalmente desgastada, enfim, um cenário nada agradável que se encontra a histórica estação de Guarabira.
Porém, a uma "luz no fim do túnel", o atual Prefeito o Sr. Zenóbio Toscano pretende transformar o local onde encontra-se a estação e seu pátio. O mesmo conseguiu junto a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) um vagão de trem, que será transformado em uma biblioteca. O Prefeito está resgatará a antiga estação, onde ficará o vagão doado.
Zenóbio Toscano anunciou que implantará algumas ações na localidade, onde recuperará a história ferroviária de Guarabira através do que chamou "Museu da Ferrovia" e a construção do "Parque da Estação", que atenderá os moradores do Bairro da Esplanada, onde localiza-se a estação. 
Dentro da proposta de criação do Parque da Estação, a Prefeitura recuperou a secular Ponte de Ferro sobre o Rio Guarabira, localizado a poucos metros da estação. Instalou uma praça com uma academia de saúde ao ar livre e um parque infantil, está concluindo a construção de uma quadra esportiva de piso com telas laterais, em seguida ainda construirá uma quadra de areia, uma pista de skate, uma pista de cooper; além disso, irá recuperar a antiga ponte de tábua, que fica por trás da sede da estação.  
Aguardaremos atentos o encaminhar das obras para que realmente toda a área seja amplamente contemplada e que a história da ferrovia em nosso Estado seja preservada.   


Estado de total abandono da estação de Guarabira.

Estado de total abandono da estação de Guarabira.

Estado de total abandono da estação de Guarabira.

Estado de total abandono da estação de Guarabira.

Estado de total abandono da estação de Guarabira.

Estado de total abandono da estação de Guarabira.

Estado deplorável do interior da estação.

Estado deplorável do interior da estação.

Estado deplorável do interior da estação.

Estado deplorável do interior da estação.

Vagão de passageiros adquirido para servir de futura biblioteca.

Vagão de passageiros adquirido para servir de futura biblioteca.

Vagão de passageiros adquirido para servir de futura biblioteca.

Vagão de passageiros adquirido para servir de futura biblioteca.

Ponte de Ferro sobre o Rio Guarabira recuperada pela atual administração municipal

Ponte de Ferro sobre o Rio Guarabira recuperada pela atual administração municipal

Ponte de Ferro sobre o Rio Guarabira recuperada pela atual administração municipal

Ponte de Ferro sobre o Rio Guarabira recuperada pela atual administração municipal

Ponte de Ferro sobre o Rio Guarabira recuperada pela atual administração municipal




sexta-feira, 1 de junho de 2018

Imagens Históricas da Velha Estação Conde D'Eu de Parahyba (João Pessoa)

Olá amigos do HFPB. Trago imagens históricas da imemorial estação da cidade de Parahyba (a partir de 1930, João Pessoa).
São imagens da estação do início do século XX. A estação chamava-se Estação Ferroviária Conde D'Eu e era a principal estação ferroviária da Paraíba. Segundo registros fora construída em entre 1883/84 para a The Conde D'Eu Railway Company Limited. Infelizmente foi demolida no inicio da década de 1940 para a construção de uma estação, segundo a logística da época mais ampla e confortável para uma Capital. A simpática estação Conde D'Eu localizava-se em frente a atual Praça Álvaro Machado. Confira as históricas imagens abaixo:

Imagem da velha estação Conde D'Eu sem data precisa. 
Mas muito provavelmente entre 1898 e 1905. 

A estação em postal provavelmente em 1908.

A estação em 1920.

A estação em 1920.

A estação na década de 1920.

Obras de construção do Porto do Varadouro em 1922.
 Ao fundo a direita observa-se a estação.

A estação no dia da chegada do então Presidente do Estado o Dr. João Suassuna em 20 de outubro de 1924.