Olá amigos do HFPB. Hoje, resgatamos a memória da simpática locomotiva Nº 3, acompanhando sua marcante trajetória ao longo das décadas — desde sua chegada para compor o material rodante inaugural da antiga The Conde D'Eu Railway Company Limited, na década de 1880, até o seu melancólico fim.
Fabricada em 1881 pela consagrada fabricante inglesa R. Stephenson & Co., a máquina a vapor integrava o lote inaugural da companhia ao lado de suas irmãs "Diogo Velho" (Nº 1), "Barão de Mamanguape" (Nº 2) e "André" (Nº 4), tendo sido originalmente batizada de "Anysio".
Trasladada da Inglaterra para a então Província da Parahyba do Norte, para integrar o lote pioneiro de locomotivas da referida companhia atuando precipuamente no transporte e assentamento de materiais ao longo dos diversos trechos da estrada de ferro.
a locomotiva teve sua identificação nominal substituída apenas pelo número com a incorporação da linha pela Great Western of Brazil Railway (GWBR) em julho de 1901. Contudo, revelou uma longevidade singular ao atravessar as transformações do transporte ferroviário regional.
Em meio à sua rotina como trem de lastro no transporte de materiais para a construção da linha entre Itabaiana e Campina Grande, a Nº 3 fez história ao se tornar, em 22 de junho de 1907, a primeira locomotiva a apitar estridentemente na gare da estação de Campina Grande — ainda em fase de conclusão —, sendo recebida em clima de festa pelos trabalhadores e pela população local, antecipando em meses a inauguração oficial do ramal, ocorrida em 2 de outubro daquele mesmo ano.
Ao longo de sua vida útil, continuou prestando relevantes serviços de manobra e manutenção de vias. Na década de 1940, passou por modificações operacionais, recebendo novos limpa-trilhos e uma chaminé em forma de balão, equipada com retenção de fagulhas para conter o risco de incêndios nas margens da ferrovia. Estes elementos que foram incorporados elevaram sua vida útil como locomotiva manobreira.
Com o fim da GWBR em 1951, manteve-se ativa na recém criada Rede Ferroviária do Nordeste (RFN), e em seguida, da Rede Ferroviária Federal S.A (RFFSA).
Esta centenária máquina de classe 2-4-0, peso de 20.316 kg — cujas especificações foram meticulosamente catalogadas pelos técnicos M. Rodrigues e M. Cosme nas oficinas de Jaboatão dos Guararapes-PE em março de 1959, que por sua vez saiu em um relatório da RFN — impulsionava seus cilindros de 457 mm x 499 mm a uma pressão de trabalho de 8,437 kg/cm² gerada por caldeira de 107 tubos, oferecendo 11.236 kg de peso aderente para a movimentação de composições a até 30 km/h, alimentada por tender com capacidade para 2.500 litros de água e 3,50 m³ de lenha.
Como única sobrevivente de sua frota original e detentora de uma contribuição essencial para a história ferroviária do Nordeste, a locomotiva encerrou suas atividades operacionais na década de 1960.
Posta em seguida como monumento estático no Clube dos Ferroviários Pernambucanos, em Recife, ali permaneceu exposta em memória das glórias do trilho até sofrer com o lamentável abandono e ser destruída ao longo da década de 1980.
Abaixo: Ilustrações da número 3, realizadas por inteligência artificial a partir de dados, ao longo das décadas nas companhias que trabalhou:

A locomotiva número 3 na época de seu emprego na The Conde D'Eu Railway Company.
OBS: Diante da ausência de registros fotográficos conhecidos desta máquina durante sua atuação pela referida companhia, elementos como a localização exata da placa com o nome 'Anysio' e a presença de eventuais logotipos ou inscrições operacionais em seus tanques laterais permanecem no campo da dedução técnica.
A locomotiva número 3 na época de seu emprego na fase inicial da The Great Western of Brazil Railway (GWBR), já sem a placa "Anysio"

A locomotiva número 3 na época de seu emprego na fase inicial da The Great Western of Brazil Railway (GWBR) em outro ângulo.

A locomotiva número 3 na época de seu emprego na fase final da The Great Western of Brazil Railway (GWBR), na década de 1940, onde ganhou alguns elementos como nova chaminé, novo limpa-trilhos, entre outros, elevando sua vida útil.

A locomotiva número 3 na época de seu emprego na Rede Ferroviária do Nordeste (RFN).
OBS: Não tenho conhecimento se de fato a pintura com as letras R.F.N. no tanque lateral eram de fato desta maneira, e se realmente recebeu pintura neste período.

A locomotiva número 3 na época de emprego na Rede Ferroviária Federal S.A (RFFSA) em fase final de vida útil, na década de 1960, e quando lamentavelmente foi "cortada" na década de 1980.
Que história massa, meu amigo... Eu não sabia que tinha acabado tão cedo, o domínio das locomotivas! Rapaz, era para ter sido modernizado todo o sistema,assim como é até hj na China!
ResponderExcluirMuito obrigado amigo.
ExcluirEm um país continental como o nosso, deveria se considerar esse importante meio de transporte de pessoas e cargas, aproveitando o pouco de malha que ainda resta, e expandindo o que for necessário para alcançar os rincões de todo o Brasil. Parabéns Jonatas Pereira por mais este registro histórico! Rau Ferreira - Blog História Esperancense
ResponderExcluirMuito obrigado Rau.
ExcluirExcelente trabalho! Parabéns pelo resgate e pelo empenho em preservar essas memórias.
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