quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Estação de Pirpirituba em Imagens Aprimoradas Digitalmente

Olá amigos do HFPB. Nesta nova onda de imagens sendo melhoradas ou criadas digitalmente, que vem ganhando destaque nos últimos anos, com reproduções bem fiéis as imagens originais, o HFPB não poderia ficar a parte desta ferramenta tecnológica.  
Trago aqui quatro imagens da estação de Pirpirituba, no Brejo paraibano, que foram aprimoradas digitalmente com resultados fidedignos.
Usei cores originais da estação, que era o amarelo ocre e o branco, cores padrão das estações da GWBR.
A estação de Pirpirituba foi construída em 1911, sendo seu primeiro trecho entregue oficialmente, da chamada 'Estrada de Ferro Independencia - Picuhy', ou simplesmente, como viria a ser chamado posteriormente, "Ramal de Bananeiras", acontecendo em 20 de dezembro de 1910. O trecho inaugurado em questão, correspondia entre Itamatahy (com estação concluída também em 1911) e uma parada no Km - 10, localizada no Sítio Grossos. Na época, o então distrito de Pirpirituba pertencia ao município de Guarabira, tendo sua emancipação política em 2 de dezembro de 1953.
O complexo ferroviário consistia na estação propriamente dita, contendo um grande armazém, depósito de inflamáveis, poço, caixa d'água, além de um poço artesiano para o abastecimento das locomotivas movidas à vapor.
Quando o ramal foi suprimido oficialmente em 1968, sendo sua última viagem realizada no ano de 1966, a estação encerrou definitivamente suas atividades Anos mais tarde, foi instalado uma creche em sua edificação. Algum tempo depois a referida creche fechou, ficando o prédio fechado e sem uso.
Passaram alguns anos e a referida estação foi adquirida pelo Tribunal de Justiça da Paraíba que foi instalado em seu prédio o Fórum Juiz Gilson Guedes C. Albuquerque. Contudo, o prédio foi totalmente descaracterizado, não restando praticamente nada da bela construção original. O antigo armazém sofreu algumas modificações ao longo dos anos, sendo transformado em uma capela católica.
Quem passa pelas imediações do Fórum local atualmente, não imagina que um dia no passado, há mais de sessenta anos, circulava trens de passageiros e de cargas praticamente diários.
Hoje resta apenas a saudade daqueles tempos da famosa “Maria Fumaça” apitando pelas ruas de Pirpirituba. Confira abaixo as imagens aprimoradas digitalmente:

Reprodução feita a partir de Inteligência artificial baseada em uma fotografia antiga

Reprodução feita a partir de Inteligência artificial baseada em uma fotografia antiga

Reprodução feita a partir de Inteligência artificial baseada em uma fotografia antiga

Imagem criada a partir das características da estação original

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Há 70 Anos Chegava o Primeiro Trem à Soledade

Olá amigos do HFPB. Hoje, 21 de janeiro de 2026, é uma data comemorativa para a história da cidade de Soledade. Há exatos 70 anos, ou seja, no dia 21 de janeiro de 1956, chegava na gare da estação o primeiro trem no trecho recém concluído.
Foi um dia de muita festa para a cidade na época, onde a população compareceu em grande número, a fim de prestigiar o histórico evento.
O trecho em questão, correspondente entre Campina Grande a Soledade, foi mais uma etapa concluída do prolongamento Campina Grande - Patos, inaugurado oficialmente no dia 8 de fevereiro de 1958.
Os trabalhos de prolongamento deste trecho de 74 quilômetros entre Campina Grande - Soledade ficaram a cargo do DNEF (Departamento Nacional de Estradas de Ferro) esta contando para sua execução, com a colaboração, através de empreitadas, da RFN (Rede Ferroviária do Nordeste), além das empresas especializadas em construções ferroviárias, Empresa Construtora Camillo Collier Ltda, e Empresa Construtora Castro & Ferreira Ltda.
Quando o primeiro trecho do prolongamento foi inaugurado entre Campina Grande e Puxinanã no dia 4 de abril de 1951, os trabalhos não cessaram e prosseguiram em tamanha rapidez, já que grande parte das obras d'arte já estavam praticamente concluídas em 1954, restando apenas a construção da referida estação e colocação dos trilhos, totalmente concluídos em 1955.
De acordo com a matéria do jornal Diário de Pernambuco de 25 de janeiro de 1956 sobre a importante realização: 
"Sob aclamação dos sertanejos, muitos dos quais viam pela primeira vez uma locomotiva, teve lugar às 12 horas do sábado passado, a chegada do comboio repleto de operários em frente à pequenina estação. Presentes também se achavam o prefeito e vereadores da cidade, engenheiros das construções ferroviárias e suas famílias, jornalistas de Pernambuco e da Paraíba e radialistas da Rádio Borborema e Rádio Caturité.
Representaram a administração da Rede Ferroviária do Nordeste engenheiro Orlando Muniz da Rocha, chefe do Departamento de Obras Novas; e o Distrito de Construção - 3, do DNEF, o engenheiro Lauriston Pessoa Monteiro.
Em frente à estação de Soledade teve lugar a cerimônia de exaltação ao trabalho dos cassacos (denominação dada ao trabalhador da linha férrea), usando da palavra, inicialmente o prefeito do município Sr. José Ferreira Ramos, que agradeceu o esforço dos quantos contribuíram para aquela obra. Seguiram-se com a palavra o engenheiro Lauriston Pessoa Monteiro, chefe do Distrito de Construção - 3, que se congratulou com os colegas e operários, no momento em que venciam mais uma etapa no árduo trabalho de construção de novas estradas de ferro, e, por fim, o engenheiro Orlando Muniz da Rocha que, em nome da alta administração da Rede Ferroviária do Nordeste, saudou o povo da Paraíba pelo acontecimento que acabava de presenciar".
Estas foram as solenidades realizadas naquele dia histórico, porém de forma extraoficial. Oficialmente, o trecho foi aberto ao tráfego de passageiros em fevereiro de 1957, no ano seguinte, quando foi inaugurada a estação do vizinho município de Juazeirinho.
O tráfego entre Campina Grande Juazeirinho passou a vigorar a partir daquela data.
No caso da locomotiva inaugural, ela chegou na estação as 12:00 horas festivamente recepcionada. Tratava-se de uma locomotiva do tipo "mogul", com jogo de rodas 2-6-0, construída pela North British Locomotive Company em 1904, com número de 248, movida a vapor de lenha. 
No referido inaugurado naquele 21 de janeiro de 1956, foram construídas 208 obras d'arte, inclusive 8 grandes pontes, inúmeros bueiros, cortes, aterros, pontilhões e um aterro-barragem na localidade Espírito Santo, servindo esta de abastecimento da população local além de abastecer as locomotivas a vapor na época.
Na localidade Espírito Santo (no atual município de Olivedos, perto com o município de Soledade) foi construída uma pequena parada em concreto armado para a população rural.
A partir de Soledade seriam construídos mais 112 quilômetros até chegar em seu destino final, Patos, no Sertão paraibano, em um total de 186 quilômetros de ferrovia entre Campina Grande e Patos.
Os trens percorreram o ramal até ser totalmente abandonado em princípios da década de 2010. Lamentavelmente, atualmente, a estação está totalmente abandonada e deteriorada.

Fontes: Diário de Pernambuco - 25 de janeiro de 1956
Diário da Borborema - fevereiro de 1958

  Imagem feita através de Inteligência Artificial mostrando a estação na época de sua inauguração em 21 de janeiro de 1956

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

118 Anos de Inauguração da Estação de Campina Grande - Imagens Coloridas Digitalmente

Olá amigos do HFPB. Hoje, 2 de outubro de 2025, é uma data comemorativa. Data esta muito especial para a história ferroviária paraibana e em especial, para a história campinense. Há exatos 118 anos, era inaugurada de forma oficial, o prolongamento de Itabaiana Campina Grande, consequentemente de sua estação. Percurso de 90 quilômetros, passando pelos atuais municípios de ItabaianaMogeiroIngá Campina Grande. Realmente, aquele 2 de outubro de 1907 foi um dia de grandes comemorações dada a importância trabalho realizado.
Por esse motivo, deixo aqui algumas imagens da histórica estação de Campina Grande coloridas digitalmente. Fotos históricas que passaram por um "trato" digital, óbvio, as imagens não ficam 100% da fidedignidade original, porém, isso não retira a ideia de arte colocada nas imagens, e para prestar minhas singelas e humildes congratulações, deixo aqui estes aprimoramentos.
O destino de todo o trabalho empregado na construção, Campina Grande, cidade pujante com comércio relevante naquele princípio de século XX. Deixo aqui minhas singelas homenagens a esta importante data na história da ferrovia paraibana assim como para toda a Campina Grande
Confira abaixo as referidas imagens aprimoradas digitalmente:

Imagem aprimorada digitalmente da Estação de Campina Grande no dia da inauguração em 2 de outubro de 1907

Foto original da Estação de Campina Grande no dia da inauguração em 2 de outubro de 1907

Imagem aprimorada digitalmente da Estação de Campina Grande no ano de 1907 antes de sua inauguração oficial

Foto original da Estação de Campina Grande no ano de 1907 antes de sua inauguração oficial

Imagem aprimorada digitalmente da Estação de Campina Grande no ano de 1922

Foto original da Estação de Campina Grande no ano de 1922

Imagem aprimorada digitalmente da Estação de Campina Grande no início da década de 1930

Foto original da Estação de Campina Grande no início da década de 1930

quarta-feira, 30 de julho de 2025

100 Anos de Inauguração da Estação de Bananeiras

Olá amigos do HFPB. Depois de um longo período sem postagens, hoje, 30 de julho de 2015, é uma data comemorativa.
A exatos 100 anos, ou seja, no dia 30 de julho de 1925, uma quinta-feira, era inaugurada, oficialmente, a estação de Bananeiras, sendo naquela época, ponta de trilho do chamado "Ramal de Bananeiras". Finalmente, depois de muito esforço e luta, as viagens de trens de passageiros e cargas se tornariam frequentes, até então eram realizadas de maneira extraoficiais.
Para entender um pouco os acontecimentos, deve-se voltar no tempo até o início da construção desta linha. As obras de prolongamento dos trilhos tiveram início no ano de 1910, de acordo com o decreto n. 7.632, de 28 de outubro de 1909, que autorizava a construção da Estrada de Ferro Independência - Picuhy, e deveria ligar a atual Guarabira, antiga "Independência" até a vila de "Picuhy" (atual Picuí), no Seridó paraibano. As obras prosseguiram normalmente até 24 de novembro de 1913, quando foi inaugurada a estação do povoado de Boa Vista, posteriormente Camucá, atual Borborema
A partir deste momento, por falta de verbas, as obras foram paralisadas pelo Governo Federal. Até que o Presidente da República na época, o paraibano Epitácio Pessoa, autoriza o reinício do prolongamento em direção a Picuí, paralisados anos antes.  
De acordo com o Diário Oficial da União (DOU) de 30 de Janeiro de 1920, que transcrevo da seguinte maneira:

O ministro de Estado da Viação o Obras publicas, em nome do Presidente
) da Republica
obra:
Resolve nomear o engenheiro João Botinas para exercer o cargo de engenheiro-chefe da nommisslo constructora do ramal ferre° de independencia.a Picuhy, no Estado • da Para-, ayba do Norte, com os vencimentos que lhe coma pearem.
• Rio de Janeiro, 26 do- janeiro de 1920.
Expediente de 28 de janeiro de 1920
Sr. inspector federal das Estradas: •
Passo ás vossaa mãos; para VOSSO 'conhecimento, a inclusa cópia da portaria de 26 do corrente mez, mandando applicar, na construcção do ramal ferreo de independenaia. a Picuhy, no Estado da Parahyba, as iestruações regulamentares e tabelas de vencimentos approvada,s por portarias do 13 de outubro e 2 de dezembro do armo findo, respectivamente, para a commis-eio ta:Instructora do prolongamento da Estrada de Ferro do Mossoró (avisa n . 16/V2),
Declaro-vos, para vossobonhecimento e devidos fins, quq, por portaria de 25 do cor--rante mez resolvi nomear o ongcnhairo João ! Mimes para exercer o cargo de engenheirochefe da commissão construotora do ramal ferre° de Independencia a Picuhy, no Estado da Parahyba do Norte (aviso d. (7/V2).

As obras de prolongamento prosseguiram com certa rapidez. Em 1922, quase toda a estrada que ligava Borborema a Bananeiras esta assentada e com suas obras de engenharia quase concluídas, inclusive a estação ferroviária, casa do agente e armazém. 
Em 22 de outubro de 1922, foi inaugurado o primeiro trecho do prolongamento de Borborema a Bananeiras. Grande festa foi realizada para este dia em que o trem chegaria a Bananeiras pela primeira vez (pelo menos próximo a sede municipal). Festa que contou com a participação de diversas autoridades, entre elas, o então Presidente do Estado da Paraíba o Sr. Solón Barbosa de Lucena, grande incentivador do prolongamento ferroviário até seu torrão natal. Uma estação provisória foi construída na entrada do Túnel da Serra da Viração que estava sendo construído. 
Sr. Solón Lucena, disse certa vez que "o trem chegará a Bananeiras nem que seja por debaixo da terra", e assim foi feito.  
Túnel da Serra da Viração foi a obra com maior dificuldade apresentada. Os desabamentos eram constantes, assim como os acidentes que vitimaram vários trabalhadores no processo de perfuração deste, que era conhecido na época como, "Tunel da Garganta da Viração". Suas obras tiveram início em 1921 e concluídas em 1923, quando enfim, a primeira locomotiva atravessou o túnel em 25 de novembro de 1923. 
Em 22 de outubro de 1924, foi inaugurada o trecho chamado "Bocca do Tunel" até a estação de Bananeiras, quando o primeiro trem de passageiros atravessou o referido túnel. Um trecho de 1,3 Km de extensão. 
A estação foi inaugurada em maneira oficial, no dia 30 de julho de 1925, como mencionado, sendo este o primeiro centenário.
Por cortes no orçamento para a Inspectoria de Obras Contras a Seccas, o ramal parou em Bananeiras, não prosseguindo em direção a Picuí, como era o projeto original.
Um homem foi o grande responsável para a chegada do trem a Bananeiras, era o então Presidente do Estado da Paraíba o Sr. Solón Barbosa de Lucena. Quando disse, "O trem chegará a Bananeiras nem que seja por debaixo da terra", assim foi feito e perfurado o túnel. 
Ramal de Bananeiras, junto com a estação foi desativado novembro de 1967, por ordem do Governo Federal da época. Este infeliz decreto fez acabar o sonho de muitos anos, através de muita luta e sacrifício daqueles que concretizaram o sonho de chegar a linha férrea a bela cidade de Bananeiras. 
Infelizmente já não bastava, foram retirados todo o material ferroviário, como trilhos, dormentes, pontes, etc. Restando apenas as velhas estações, os túneis e as lembranças dos saudosistas. 
A antiga estação de trens foi transformada no Hotel Pousada do Brejo. Não houve modificação arquitetônica externa. 
O telhado da plataforma guarda o estilo arquitetônico anglo-francês, por se apoiar sobre vigas de ferro comumente chamadas “mãos francesas”. 
O conjunto arquitetônico da antiga estação é tombado pelo IPHAEP – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba. O trem chegou exatamente quando o café foi dizimado. A antiga casa do agente é o Museu Desembargador Cananéia.
Não poderia deixar de postar um pouco, sobre uma das estações mais belas construídas em toda a Paraíba, que hoje, completa seu primeiro centenário.
PARABÉNS BANANEIRAS !

Fontes: Revista Illustração Brasileira, setembro de 1922. Revista Era Nova, dezembro de 1922. 
www.estacoesferroviarias.com.br

Estação no período de inauguração 

Painel comemorativo do centenário de inauguração da Estação de Bananeiras