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terça-feira, 4 de junho de 2024

4 de Junho de 2024 - 140 de Inauguração da Estação de Guarabira

Olá amigos do HFPB. Hoje, 4 de junho de 2024, uma data especial. Há exatos 140 anos, ou seja, no dia 4 de junho de 1884, era inaugurada a estação da importante cidade de Guarabira, na época conhecida como "Independência". 
Esta estação, era a conclusão do plano de expansão da empresa britânica "The Conde D'Eu Railway Company Limited", ou simplesmente Estrada de Ferro Conde D'Eu, detentora dos direitos de implantação e exploração ferroviária na então Província de Parahyba do Norte, a partir da década de 1870.  
Guarabira, seria o ponto mais distante, em relação a Capital paraibana, em que a  referida companhia implantou, não tendo interesse de prolongar os trilhos além deste ponto. Justamente, acompanhando as regiões produtoras de cana-de-açucar, ao longo do vale do Rio Paraíba e do Rio Mamanguape. Na época, era conhecido como "Ramal de Independência". De acordo com o excelente trabalho de Mestrado de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo na UFBA (Universidade Federal da Bahia) de Maria Simone Morais Soares, intitulado "Território e cidade nos trilhos da Estrada de Ferro Conde D’Eu - Província da Parahyba do Norte (1871-1901)", traz as seguintes informações, transcritas do Relatório do Governo Federal de Viação e Obras Públicas de 1892:

"...terrenos mais ou menos accidentados, e atravessando diversas vertentes” até atingir o ponto terminal na vila que dava o nome ao trecho. A vila de Independência era considerada “o empório do sertão, recebendo os productos do norte da serra de Borborema, que outrora buscavam o porto de Mamanguape.”. 

Ao todo, seriam construídos 22 quilômetros entre Mulungu e Guarabira, distância relativamente curta. Continuando:

"Assim como o trecho de Mulungu a Cobé, o Ramal de Independência atravessava terrenos de tabuleiros, passando por cotas mais elevadas do relevo, entre 68m a 170m de altitude. Além disso, cruzava vertentes de grandes rios, como o Mamanguape e o Cuitegi. As obras d'arte construídas foram seis pontes, um pontilhão e 96 boeiros, além de duas estações, a de Cachoeira e de Independência."

Os jornais da época, noticiaram com entusiasmo a inauguração do trecho correspondente, dentre os jornais da época, podemos destacar "O Liberal Parahybano" de 14 de junho de 1884, que traz a seguinte matéria, de acordo com a grafia da epoca:

"A 4 do corrente foi aberto com a solenidade do estylo o trafego da via-ferrea Conde d’Eu de Mulungu á Independencia.
Ás 11 horas da manhã d’aquele dia partiu o trem da estação d’esta cidade, levando S. Exc. O Sr. presidente da província, os Srs. engenheiros da empreza e os do governo, várias pessoas gradas e algumas famílias. 
Depois das quatro da tarde chegou o trem á estação final da Independencia, onde foi recebido pela respectiva população com vivas demonstrações de enthusiasmo. 
As 6 ½ da tarde começou o jantar, cujo serviço correu profuso e delicado. 
N’esta ocasião levantaram-se vários brindes, o ultimo dos quaes S. Exc. Presidente da província dirigio á S. M. o Imperador, não só disse S. Exc., como o primeiro magistrado do paiz, como também por ser um optimo cidadão, cujo patriotismo mil vezes manifestado ninguém hoje contesta. 
Em seguida ao jantar tiveram lugar dois espetáculos, um dramático do Sr.Penante, e outro equestre e acrobático por outra empreza que há dias se achava na Independencia. 
Também no edifício da municipalidade houve um baile que prolongou-se até hora avançada da noite. 
Diversas pessoas residentes no lugar esmeram-se na hospedagem que deram aos ilustres visitantes. 
Os Drs. Juiz de direito, juiz municipal, promotos publico da comarca, nossos ilustres amigos, Drs. Amaro Beltrão e Banevindes, capitão Trigueiro e suas Ex. famílias e outros distinctos cavalheiros penhoraram a todos pelo bom tratamento, excelente hospedagem e delicada atenção que souberam dispensar. 
No dia 5 às 8 da manhã partia o trem com destino á estação central, estando todos saudosos e agradecidos aos distictos cavalheiros e distinctas senhoras, residentes n’aquela comarca. A linha férrea acaba portanto de aproximar-nos de mais um centro de produção e trabalho. Felicitemos por nossa vez todos os que concorreram para esse grande melhoramento."     

Estava, enfim, inaugurada a estação de Independência, posteriormente Guarabira. No dia seguinte, 5 de junho, alguns contratempos ocorreram durante a viagem de regresso para a Capital "Parahyba", porém sem maiores consequências, como noticiou o jornal "Diário da Parahyba" de 7 de junho de 1884:

"No dia 5, às 8 horas da manha regressou o trem,  que aqui chegou ás 2 horas da tarde. 
Nas proximidades da estação de Araçá, a machina deu o prego, isto é, não poude transpor um elevado corte, que fica um ou dous kilometros aquem da mesma estação; pelo que foi necessario desengatilhar alguns wagons, que a machina voltou a conduzir quando chegou a Araçá."

Além desse incidente, a The Conde D'Eu Railway Company também estava sendo acusada de inaugurar o trecho antes da conclusão de toda a construção, para evitar uma multa por não cumprimento do prazo. 
Não menciona, em nenhuma das reportagens acima, na época, o nome e a procedência da locomotiva inaugural, daquele histórico 4 de junho. As locomotivas até 1884 operadas pela companhia era 9 no total, construídas pela Robert Stephenson & Co (número de 1 a 4) e pela Black, Hawthorn & Co. (números 5 a 9), de procedências inglesas. 
A partir de 1902, já sob a concessão da Great Western of Brazil Railway (GWBR), iniciou o prolongamento entre Guarabira e Nova Cruz no Rio Grande do Norte, sendo inaugurado no dia 1 de janeiro de 1904. Por um período de quase vinte anos, a estação de Guarabira foi ponta de trilho.  
Continuou operando ininterrompidamente, até a venda da RFFSA no final da década de 1990, o que fez o tráfego entre ambos os Estados diminuir drasticamente, porém, desde o final da década de 1970,  não tinha mais o "trem de passageiros", ficando apenas o ramal operando trens de cargas. 
Teve seu fim em 2000, quando o ultimo trem carregado de sal, trafegou pela gare da estação de Guarabira, para nunca mais voltar, sendo o transporte ferroviário desativado.   
Muitas cargas e pessoas trafegaram pela estação de Guarabira, era um ponto movimentadíssimo. Porém os tempos áureos das famosas "locomotivas a vapor" e depois os trens movidos a dieseis-elétricos, lamentavelmente tinham chegado ao fim.  Ficaram apenas as lembranças de um tempo que não volta mais. 
Depois de duas décadas de abandono, ou quase isto, a Prefeitura Municipal de Guarabira, neste ano de 2024, neste exato momento, está restaurando a referida estação, para, futuramente, alojar ali a Secretaria de Cultura, assim como a instalação do Museu do Algodão de Guarabira, sendo, que o local exportou por décadas este produto, movimentando amplamente a economia local. Na realidade, esta reinauguração deveria ter acontecido na data de hoje, porém, alguns percalços no caminho fizeram adiar a tão sonhada reinauguração, que está marcada, caso a restauração prossiga normalmente, para o mês de julho.  
Esperamos que as novas gerações possa conhecer um pouco da história riquíssima de quando o trem passou e ficou em Guarabira por mais de 100 anos, e que essa história seja passada de geração a geração, que nunca a chama da "fornalha" da história se apague. 
Este é meio maior sonho.

Estação de Guarabira em sua configuração original

segunda-feira, 29 de abril de 2024

A Restauração da Estação de Guarabira é uma Realidade ?

Olá amigos do HFPB. Depois de um longo período de publicações, estou retornando para anunciar que depois de um longo período desde que foi desativada, no início do século XXI, a estação de Guarabira parece que será restaurada. 
Segundo o geógrafo guarabirense, Daniel da Silva Fernandes, incansável guardião e defensor da memória e história de seu torrão natal, a Prefeitura Municipal local, finalmente, restaurará a velha estação, em alusão aos seus 140 anos de inauguração, que ocorreu no dia 4 de junho de 1884. Será a primeira restauração em décadas. Segundo informações passadas pelo próprio Daniel, disse que a Prefeitura Municipal pretende revitalizar o espaço em torno da estação, construindo um parque. 
O prédio da estação será destinado a Secretaria de Cultura e também a implantação do Museu do Algodão, já que esta cultura foi de vital importância para o desenvolvimento local, sendo exportada através da ferrovia.
O antigo carro de passageiros (vagão) conseguido pela própria Prefeitura Municipal de Guarabira, através da CBTU anos atrás, e que infelizmente hoje totalmente vandalizado, assim como a estação, será também revitalizada, e o que consta, é que destinará a sediar uma biblioteca comunitária.
As obras de restauração da estação, tiveram início de forma massiva no dia 10 de abril e a pretensão é terminar as obras, pelo menos de restauração da estação antes do dia 4 de junho, como mencionado anteriormente, comemoração dos 140 anos de inauguração da estação, mesmo que esta configuração atual não seja a original do século XIX, inaugurada pela The Conde D'Eu Railway Company Limited
Lamentavelmente, o que Daniel constatou, e foi avisado pelo mesmo as autoridades locais, é o sistemático furto de peças de ferro fundido em torno da estação, a exemplo de uma belíssima balança, construída em 1904 a pedido da GWBR, pela histórica fábrica W & T Avery  Ltd., com sede em Birmingham, Reino Unido, fabricantes de balanças desde o século XVIII. Esta histórica peça estava montada diretamente no piso do depósito anexo da estação destinado a pesar fardos de algodão, entre outros. A parte superior da balança foi desmontada por vândalos com o intuito de vender as peças de ferro fundido para o consumo de entorpecentes. Não restando praticamente quase nada da antiga balança, lamentável. 
Fico extremamente contente com este projeto, ficando na torcida para que realmente seja concluída toda as obras previstas, mesmo que a grande parte da histórica balança tenha se perdido pra sempre, a história da ferrovia paraibana merece ser respeitada e reconhecida. 

Imagem da estação de Guarabira no início de sua restauração. Foto: Daniel Fernandes, 29-04-2024

Estação antes do início da restauração. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Mais um aspecto da estação antes do início da restauração. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Tijolos, indicativo do início da restauração da estação. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Aspecto do interior da estação, extremamente deteriorado. Foto: Daniel Fernandes, março 2024 

Local da antiga balança da W. & T. Avery Ltd, inglesa de 1904. Restando pouco da referida balança. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Parte do início das obras de restauro da estação nesta parede externa. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Algumas parte, como a antiga bilheteria, com partes rebocadas, dando o início da restauração. Foto: Daniel Fernandes, março 2024 

A histórica balança W. & T. Avery de 1904, ainda intacta. Foto: Daniel Fernandes, 2015

Evolução do sistemático roubo das peças de ferro fundido da histórica balança W. & T. Avery, ao longo dos últimos 9 anos. Foto: Daniel Fernandes 

sábado, 4 de junho de 2022

4 de Junho de 2022 - 138 Anos de Inauguração da Estação de Guarabira - Matérias no Jornal Diário da Parahyba de Junho de 1884

Olá amigos do HFPB. Hoje, 4 de junho de 2022, uma data especial, comemora-se 138 anos de inauguração de uma das estações mais importantes do Estado da Paraíba, trata-se da inauguração do trecho até a cidade de Independência, posteriormente denominada Guarabira
Assim como aconteceu nos demais trechos contemplados pelo prolongamento ferroviário na Paraíba, a construção do trecho correspondente entre Mulungu a Independência, ficou a cargo da empresa inglesa Wilson, Sons & Co.
Aquele 4 de junho de 1884 marcou a consolidação da então companhia The Conde D'Eu Railway Company Limited em expandir sua linha em direção ao interior da então Província de Parahyba do Norte, na florescente cidade de Guarabira, denominada a "Rainha do Brejo". Este título foi conquistado através do desenvolvimento decorrente a implantação da linha férrea a localidade, se transformando a partir de então, no mais importante centro polarizador e econômico da região do Brejo paraibano.
Foi um dia de comemorações por parte da população local, que enfim, estava ligada por via férrea, Independência até a Capital da Província, Parahyba. Esta ligação facilitaria aos comerciantes locais exportarem seus produtos dos mais variados tipos, dentre eles, o café, que na época era muito abundante no Brejo paraibano, algodão, fumo, entre outros.
Para celebrar esta data tão importante, trago aqui incríveis reportagens da época. Dentre o órgão que noticiou o ato inaugural com mais conteúdo, destaca-se o jornal Diario da Parahyba. Este saudoso órgão jornalístico, fundado no mesmo ano de 1884, trouxe ótimas matérias, lançadas nos dias 6 de 7 de junho, com detalhes da festa de inauguração do referido trecho principal da The Conde D'Eu Railway Company. Além de trazer uma tabela de horários da companhia, saída na edição de 3 de junho, véspera da inauguração.
Anos se passaram, e vinte anos depois de sua inauguração, em 1 de janeiro de 1904, Guarabira deixou de ser ponta de trilho, quando foi inaugurado o trecho até o Rio Grande do Norte, como ficou conhecido na época de Ramal Natal - Independência.
No final da década de 1970, o trem de passageiros deixou de existir entre Paraíba e o Rio Grande do Norte (neste trecho, já que o Ramal Mossoró a Sousa, no Sertão, funcionou até o início da década de 1990).
Lamentavelmente, segundo consta, o último trem passou por Guarabira em 2000, aproximadamente, levando uma carga de sal provinda do Rio Grande do Norte, para nunca mais voltar, com a linha em completo e total abandono.
O estado da estação local é deplorável e revoltante, sem que os poderes públicos olhassem com mais visibilidade aquela área que trouxe tantas riquezas e alegrias para a "Rainha do Brejo". Torcer para que um dia, a estação local, possa ao menos ser restaurada, como em seu passado de glórias, o que Guarabira realmente merece de fato e de direito.

Estação de Guarabira originalmente, quando foi inaugurada em 1884 

Horários dos trens de passageiros da Estrada de Ferro Conde D'Eu, já mostrando o prolongamento até Independência, inaugurado no dia seguinte. Fonte: Diário da Parahyba, 3 de junho de 1884


Matéria de 6 de junho de 1884 mostrando a extensão até Guarabira. Diário da Parahyba, 6 de junho de 1884

Matéria de 7 de junho de 1884 trazendo com detalhes a inauguração do trecho até Guarabira. Diário da Parahyba, 7 de junho de 1884

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Obras D'Artes - Ponte do Rio Guarabira - Guarabira

Olá amigos do HFPB. Em mais uma série sobre 'Obras D'Artes' desta vez sobre a bela ponte metálica sobre o Rio Guarabira, que corta parte da cidade de mesmo nome.
A Ponte do Rio Guarabira, está localizada na área urbana da cidade de Guarabira, Brejo Paraibano, a cerca de 180 metros da estação local. Foi de fato, a primeira grande 'Obra D’Arte' de expressão, integrante do então prolongamento ferroviário entre as cidades de Nova Cruz, no Rio Grande do Norte e a então Independência, antigo nome de Guarabira
De acordo com o Decreto Lei de n° 4.111 de 31 de julho de 1901, ficou obrigada a companhia Great Western of Brazil Railway (GWBR) construir e concluir o prolongamento entre Independência a Nova Cruz pela importância na época do custo de 170.00 libras em títulos de 4%. Os trabalhos foram iniciados no dia 15 de julho de 1902, sendo concluído no final de 1903. O ramal foi oficialmente inaugurado no dia 1 de janeiro de 1904, finalmente ambos os Estados estavam ligados via férrea, com um trecho total de 50 quilômetros entre ambas as cidades.
De acordo com o Relatório do Governo Federal de Viação e Obras Públicas de 1904, foram construídas no ramal ao todo cinco pontes, sendo, como mencionado anteriormente, a Ponte do Rio Guarabira a primeira em construção do referido trecho, com apenas um vão de 17,50 metros de comprimento, a partir de 1902. Construída com superestrutura metálica resistente, em treliça, provindos da Inglaterra, sendo apoiados por ombreias a base de pedras untadas com cimento.
Muito similar a outra ponte com superestrutura metálica, em treliça, sobre o Rio Bananeiras, no Sítio Passassunga, uns dois quilômetros após a estação de Itamataí
Segundo outro relatório, este de 1905, o serviço de tráfego realizado durante o ano de sua inauguração foram feitas por 15 locomotivas tendo percorrido um total de 109.986 Km, realizados em trens mistos, de cargas e especiais.
Passaram inúmeras riquezas sobre esta ponte, trafegando produtos diversos, destacando a produção do agave e algodão, extraídos na região e exportados para os recantos de todo o Nordeste, além do transporte de passageiros. Devido a este intenso fluxo econômico empregado pela implantação ferroviária, já nas primeiras décadas do século XX, a cidade de Guarabira não tardou para alcançar o status de maior cidade do Brejo Paraibano, e uma das mais importantes de todo o Estado da Paraíba. 
Como todo o trecho ferroviário do interior paraibano, em especial nesta ligação Paraíba - Rio Grande do Norte, foi inexplicavelmente desativado. O último registro que se tem notícia de tráfego neste trecho aconteceu por volta de 2000 para nunca mais voltar, se encontrando no total e absoluto abandono. 
Foi pintada pela administração municipal há alguns anos nas cores que se encontra. Poderia também ser conhecida atualmente como “Ponte Azul”. 

FONTES: Relatório do Governo Federal de Viação e Obras Públicas de 1904 e 1905.

Aspecto da Ponte do Rio Guarabira. Foto: Jônatas R. Pereira em 2017 


Aspecto da superestrutura metálica em treliça. Foto: Jônatas R. Pereira em 2017 



Sinalizador instalado na década de 1990 na entrada da ponte para a PN (Passagem de Nível) logo adiante. Foto: Jônatas R. Pereira em 2017

Aspecto do sinalizador instalado na década de 1990 na entrada da ponte. Foto: Jônatas R. Pereira em 2017

Aspecto da Ponte do Rio Guarabira antes da pintura, com sua pintura primitiva metálica. Foto: Jônatas R. Pereira, 2012 

Imagem da Rua da Independência e ao centro, quase imperceptível, a Ponte do Rio Guarabira. Fonte: Revista Era Nova, 1921 

domingo, 29 de agosto de 2021

Raridade - Trem Trafegando em Guarabira

Olá amigos do HFPB. Mais uma vez o pesquisador guarabirense Daniel Silva Fernandes, me enviou gentilmente duas belas e raras fotos de uma composição trafegando na gare da estação de Guarabira, muito provavelmente esta imagem foi tirada por volta de 1999/2000, sendo portanto um dos últimos trens a circular pelo trecho correspondente entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte.
Segundo o próprio Daniel, esta foto foi encontrada no CEDOC (Centro de Documentação de Guarabira), fará parte do acervo de um futuro museu na estação ferroviária local. 
Na ocasião, a referida composição da imagem carregava uma carga de sal marinho, vindo do vizinho Estado do Rio Grande do Norte em direção ao porto de Cabedelo
A locomotiva na imagem é uma diesel-elétrica RSD-8 construída pela ALCO (American Locomotive Company) no final da década de 1950, com a numeração 6074 da antiga RFFSA (Rede Ferroviária Federal), com uma potência de 1050 HP. 
Tempo depois foi pintada de acordo com as cores das locomotivas da CFN (Companhia Ferrovária do Notrdeste)
Ainda hoje muitas locomotivas deste modelo são usadas, sobretudo pela CBTU.
Inaugurado em 1 de janeiro de 1904, o ramal entre Guarabira e Nova Cruz, no Rio Grande do Norte, foi bastante movimentado, até o ano de 1952, era a única rota de acesso entre ambos os estados via férrea. Em 1952 foi aberta o tráfego entre Mossoró (RN) e Sousa, no Sertão do Estado.
Segundo relatos colhidos por Daniel de antigos funcionários da RFFSA, o último trem de carga circulou mais ou menos em 2002, para nunca mais voltar. O último trem de passageiros circulou pelo ramal Paraíba/Rio Grande do Norte em 1979, aproximadamente. 
Agradeço mais uma vez a Daniel Fernandes pelo envio destas preciosas imagens, confira abaixo:

Bela e histórica imagem de uma das últimas composições a trafegar pelo ramal entre Paraíba e Rio Grande do Norte na gare de Guarabira. Foto provável do ano de 2000. Fonte: CEDOC (Guarabira).

Locomotiva diesel-elétrica ALCO RSD-8 6074 parada na gare da estação de Guarabira provavelmente em 2000. Fonte: CEDOC (Guarabira).  

terça-feira, 14 de julho de 2020

Estado Atual da Estação de Mari

Olá amigos do HFPB. Hoje satisfatoriamente trago imagens registradas pelo amigo e pesquisador ferroviário pirpiritubense Emival Galiza Barros em visita no último domingo, dia 12 de julho, a cidade de Mari, localizada na Zona da Mata. Na ocasião o mesmo fez registros da antiga estação local, gentilmente me enviou no mesmo dia. Para minha grata surpresa o prédio tanto da estação, quanto do antigo depósito de troles e outros materiais da companhia foram revitalizados e pintados com as cores originais das velhas estações de outrora.  
O topônimo Mari é de origem indígena e provém do termo umari, que por sua vez é uma corruptela de u-mbari, que significa “água do marizeiro” (em referência a essa árvore espinhosa que cresce em alagados e da qual se comem suas amêndoas cozidas).
A estação de Mari, antiga Araçá, foi inaugurada pela The Conde D'Eu Railway Company Limited, no dia 7 de setembro de 1883. O ramal partia de Parahyba (João Pessoa a partir de 1930) com destino inicial ao povoado de Camarazal, posteriormente Mulungu, e em 5 de julho de 1884, sendo inaugurado o trecho até Independência, posteriormente Guarabira.   
A estação de Mari segue linhas simples arquitetônicas, sem maiores adereços e decorações em sua fachada, fato marcante nas estações da Conde D'Eu, a exceção da estação da própria capital que era classificada de acordo com a companhia de estação de primeira classe. Em Mari, a estação local era classificada como de 4° classe. Estes dados foram extraídos a partir do relatório de Indústrias,  Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1893. As estações no estado, de acordo com o referido relatória variavam entre 1° até 5° classes.
No local da antiga estação está instalada a Rádio Comunitária Araçá FM, que n último mês de janeiro completou 22 anos no ar. 
A partir quando o ramal foi desativado em princípios dos anos 2000, o prédio passou a ser ocupado pela referida rádio. Até o momento não tenho informações precisas se a reforma tanto do prédio da antiga estação quanto do antigo depósito de trollers, e materiais de manutenção da linha, foi promovida pela rádio ou pela Prefeitura Municipal
A estação de Mari, trata-se da única ainda bem preservada construída no primeiro trecho inaugurado em 7 de setembro de 1883. As demais ou foram derrubadas ou reconstruídas com outra arquitetura. 
Todavia, a população de Mari está de parabéns pela preservação deste item tão precioso e fundamental para a memória do município assim como de todo o Estado. Infelizmente não se pode dizer o mesmo de muitas outras estações, armazéns, etc, que foram demolidas, não restando nada ou tão pouco para sua preservação, usurpando a memória de um tempo onde as"gigantes de ferro" desfilavam soberanas pelos trilhos. 

Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mari_(Para%C3%ADba)
http://www.estacoesferroviarias.com.br/paraiba/mari.htm
Relatório de Indústria, Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1893.
Confira abaixo as imagens cedidas pelo amigo Emival:

A Antiga estação de Mari, atual Rádio Comunitária Araçá FM.

Outro ângulo da antiga estação de 1883. Vendo ao fundo a direita que também o antigo depósito fora restaurado.

Notar os detalhes de ferro fundido das chamadas "mãos francesas" na parte traseira da estação.

Detalhe para a plataforma de embarque e desembarque, assim como os trilhos, mesmo que o último trem passou há exatos vinte anos a Prefeitura local preservou como sinal dos tempos áureos do trem.

Detalhes para o acerto das cores da estação, variando entre o amarelo ocre, branco e marrom, assim como outrora. Mari mais uma vez de parabéns.

A estação antes da reforma. Imagem extraída do Google Street View. 

sábado, 23 de maio de 2020

Imagens Históricas da Ferrovia em Sapé

Olá amigos do HFPB. Hoje, trago a todos vocês imagens históricas da imemorial estação de Sapé e seus arredores. Grande parte das imagens foram extraídas do Grupo do Facebook "Sapé de Outrora" a quem agradeço pela disponibilização do material histórico. São imagens que remetem desde a década de 1910 até a década de 1990. 
A estação de Sapé, foi uma das primeiras inauguradas na Paraíba, pela The Conde D'Eu Railway Company Limited em 7 de setembro de 1883, no trecho inicial da Capital da Província Parahyba até o povoado de Camarazal, posteriormente Mulungu, na época pertencente ao município de Guarabira
Sapé foi um importante centro comercial na Mesorregião da Mata Paraibana, Microrregião de Sapé, se destacando o cultivo das culturas da cana de açúcar e abacaxi. 
A Usina Santa Helena, fabricante de açúcar, foi uma das maiores da região, boa parte de seu escoamento produtivo era feito de trens, exportando para diversas partes da região.
Por muito tempo um polo algodoeiro, com usinas como a CIDAO (Companhia Industrial de Algodão e Óleos) e posteriormente SANBRA (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro) se destacando no setor industrial. Inclusive existia desvio ferroviário para o complexo industrial da CIDAO (posteriormente a SANBRA adquiriu as instalações na década de 1930). Praticamente Sapé se desenvolveu em torno da ferrovia, desenvolvimento este bastante significativo. Quando ela chegou em 1883, praticamente, não existiam casas em torno da estação. Um impulso desenvolvimentista "desembarcou" de vez na localidade. A verdade é tanta, que em 1 de dezembro de 1925, Sapé conseguia sua emancipação de Cruz do Espírito Santo, tornando independente e próspera a partir de então.
Abaixo as históricas imagens:

Dia de feira em Sapé no ano de 1910. Ao fundo, quase no centro da imagem, depois do cata-ventos ficava a estação local. Fonte: Sapé de Outrora. 

Usina da CIDAO em 1922. Usina beneficiadora do algodão e fabricante de óleos caseiros. Nota-se os trilhos adentrando no parque industrial no centro da imagem. Fonte: Era Nova, 1922. 

Centro de Sapé no ano de 1922, ao fundo, ao centro da imagem, logo após o cata-ventos ficava a estação. Fonte: Illustração Brasileira, Setembro de 1922.

Imagem da antiga estação que remete provavelmente a década de 1930. Fonte: Autor desconhecido.

Multidão acompanhando Filarmônica Municipal na década de 1950. No centro a estação local. Fonte: Sapé de Outrora.

Passageiros aguardando o comboio chegar a estação de Sapé na década de 1950. Fonte: Sapé de Outrora.

Grupo de pessoas da sociedade sapeense na década de 1950 ao lado da estação local. Fonte: Sapé de Outrora.

Manutenção na linha férrea com a troca de dormentes no perímetro urbano na segunda metade da década de 1960, ao fundo a estação local. Fonte: Sapé de Outrora.

Aspecto de manutenção da linha realizada na segunda metade da década de 1960, com a colocação de brita.  Fonte: Sapé de Outrora.  

Aspecto de manutenção da linha realizada na segunda metade da década de 1960, com a colocação de brita para uma PN (Passagem de Nível).  Fonte: Sapé de Outrora. 

Uma imagem que traz saudades ao amantes do transporte ferroviário de passageiros. Comboio cortando a cidade nas proximidades da estação. Década de 1960. Fonte: Sapé de Outrora.

Desvio perto da estação. Década de 1970. Fonte: Sapé de Outrora.

A estação na década de 1970, após sua reforma estrutural. Fonte: Sapé de Outrora.

A estação demolida inexplicavelmente, na década de 1990. Tempos que não voltam mais. Fonte: Sapé de Outrora.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

A "Cruz do Maquinista" - O Terrível Acidente de 04 de Janeiro de 1952

Olá amigos do HFPB. Em mais uma postagem no nosso super blog trago hoje a trágica história do grave acidente ocorrido no dia 04 de janeiro de 1952 com o trem prefixo PN.1, que conduzia uma composição de passageiros com destino a Natal no Rio Grande do Norte.
O acidente aconteceu a 2,5 km da estação de Itamataí, sentido Sertãozinho, as 14:30 horas, quando a composição que seguia em direção ao Rio Grande do Norte descarrilou na altura do Sítio Passassunga, divisa entre os municípios de Araçagi e Pirpirituba, (o local do acidente fica 500 metros após a Ponte de Passassunga, retratada em postagens anteriores).
A locomotiva que conduzia a composição era do tipo "mogul" 2-6-0 construída pela North British Locomotive Company de 1904, número de série 230. Esta locomotiva foi convertida para queimar óleo combustível em vez de lenha ou carvão. 
Segundo relatos da época a composição era conduzida pelo maquinista com alcunha de "Boneco" (infelizmente sem maiores detalhes sobre seu verdadeiro nome). 
O amigo e ciclista pirpiritubense Emival G. Barros me contou que seu pai quando criança foi visitar o local da tragédia e disse que as vítimas do sinistro teriam sido o maquinista e o foguista, ambos gravemente feridos. Ele e o foguista tentaram até o fim parar a máquina tombada. 
Dois passageiros também ficaram feridos no descarrilamento, porém, sem gravidades. Essa história também é relatado por moradores mais antigos da região.
Este acidente foi noticiado na época pelo renomado jornal Diário de Pernambuco de 05 de janeiro de 1952, que em suas páginas noticiou com o seguinte título: "Horrível descarrilamento do trem de Natal". Porém o autor cometeu um erro grande, ele mencionou que a estação de Itamataí se localizaria no Rio Grande do Norte, mas existe apenas uma estação com este nome localizada aqui na Paraíba, município de Guarabira. Talvez o autor tenha se confundido já que o comboio seguia transito partindo do entreposto ferroviário de Itamataí (contado em postagens anteriores) até Natal no Rio Grande do Norte
Infelizmente no jornal não nos traz informações posteriores ao acidente, mas no local se encontra uma cruz de ferro em uma base de tijolos e cimento simples confirmando que ali faleceu o maquinista deste terrível descarrilamento. O maquinista "Boneco", como era conhecido o condutor da composição, não resistiu aos graves ferimentos,  devido as fortes queimaduras sofridas pelo mesmo. 
Emival no mês de janeiro do corrente ano esteve no local do acidente e gentilmente me enviou imagens da "Cruz do Maquinista", nome este batizado por mim, porém não tenho conhecimento se este local era conhecido dessa forma. 
Confira abaixo as imagens da referida cruz:  

A "Cruz do Maquinista". Foto: Emival G. Barros.

A "Cruz do Maquinista". Foto: Emival G. Barros.

Local do sinistro em 04 de janeiro de 1952. Foto: Emival G. Barros.

Local do acidente marcado no círculo amarelo. Fonte: Google Earth.