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segunda-feira, 29 de abril de 2024

A Restauração da Estação de Guarabira é uma Realidade ?

Olá amigos do HFPB. Depois de um longo período de publicações, estou retornando para anunciar que depois de um longo período desde que foi desativada, no início do século XXI, a estação de Guarabira parece que será restaurada. 
Segundo o geógrafo guarabirense, Daniel da Silva Fernandes, incansável guardião e defensor da memória e história de seu torrão natal, a Prefeitura Municipal local, finalmente, restaurará a velha estação, em alusão aos seus 140 anos de inauguração, que ocorreu no dia 4 de junho de 1884. Será a primeira restauração em décadas. Segundo informações passadas pelo próprio Daniel, disse que a Prefeitura Municipal pretende revitalizar o espaço em torno da estação, construindo um parque. 
O prédio da estação será destinado a Secretaria de Cultura e também a implantação do Museu do Algodão, já que esta cultura foi de vital importância para o desenvolvimento local, sendo exportada através da ferrovia.
O antigo carro de passageiros (vagão) conseguido pela própria Prefeitura Municipal de Guarabira, através da CBTU anos atrás, e que infelizmente hoje totalmente vandalizado, assim como a estação, será também revitalizada, e o que consta, é que destinará a sediar uma biblioteca comunitária.
As obras de restauração da estação, tiveram início de forma massiva no dia 10 de abril e a pretensão é terminar as obras, pelo menos de restauração da estação antes do dia 4 de junho, como mencionado anteriormente, comemoração dos 140 anos de inauguração da estação, mesmo que esta configuração atual não seja a original do século XIX, inaugurada pela The Conde D'Eu Railway Company Limited
Lamentavelmente, o que Daniel constatou, e foi avisado pelo mesmo as autoridades locais, é o sistemático furto de peças de ferro fundido em torno da estação, a exemplo de uma belíssima balança, construída em 1904 a pedido da GWBR, pela histórica fábrica W & T Avery  Ltd., com sede em Birmingham, Reino Unido, fabricantes de balanças desde o século XVIII. Esta histórica peça estava montada diretamente no piso do depósito anexo da estação destinado a pesar fardos de algodão, entre outros. A parte superior da balança foi desmontada por vândalos com o intuito de vender as peças de ferro fundido para o consumo de entorpecentes. Não restando praticamente quase nada da antiga balança, lamentável. 
Fico extremamente contente com este projeto, ficando na torcida para que realmente seja concluída toda as obras previstas, mesmo que a grande parte da histórica balança tenha se perdido pra sempre, a história da ferrovia paraibana merece ser respeitada e reconhecida. 

Imagem da estação de Guarabira no início de sua restauração. Foto: Daniel Fernandes, 29-04-2024

Estação antes do início da restauração. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Mais um aspecto da estação antes do início da restauração. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Tijolos, indicativo do início da restauração da estação. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Aspecto do interior da estação, extremamente deteriorado. Foto: Daniel Fernandes, março 2024 

Local da antiga balança da W. & T. Avery Ltd, inglesa de 1904. Restando pouco da referida balança. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Parte do início das obras de restauro da estação nesta parede externa. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Algumas parte, como a antiga bilheteria, com partes rebocadas, dando o início da restauração. Foto: Daniel Fernandes, março 2024 

A histórica balança W. & T. Avery de 1904, ainda intacta. Foto: Daniel Fernandes, 2015

Evolução do sistemático roubo das peças de ferro fundido da histórica balança W. & T. Avery, ao longo dos últimos 9 anos. Foto: Daniel Fernandes 

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Estado Atual da Estação de Pilar

Olá amigos do HFPB.  Recentemente, o pesquisador ferroviário e amigo, Josélio Carneiro de Araújo, esteve juntamente com Janilson Aranha, na centenária estação de Pilar, para pesquisas. 
O estado segundo de conservação é considerado regular, segundo me contou Josélio, que uma família reside na estação, mantendo um grau de conservação até relativamente satisfatório, esta família reside faz um bom tempo. As funções de estação de passageiros, em Pilar, deixaram de funcionar desde princípios da década de 1980, quando o transporte ferroviário de passageiros foi suspenso em todo o interior da Paraíba.
O prédio passou por algumas reformas e ampliações ao longo dos anos, como por exemplo, a mudança da configuração das portas frontais (algumas eram em arco pleno), além de uma ampliação estrutural (puxadinho) nos fundos, afim de melhor acomodar o Chefe de Estação e sua família, que residiam na mesma, além de outras reformas na mesma. Estas interferências estruturantes, aconteceram a fim de melhor acomodar os seus usuários, como as famílias ali instaladas, a exemplo das estações de Guarabira, Ingá, Campina Grande, Galante, entre outras.
Próximo a estação está localizada do antigo armazém. Porém, este armazém também foi modificado após reformas estruturantes, descaracterizado de sua configuração original, porém, ainda pode identificar elementos de sua configuração original, como uma porta, a anos emparedada, em arco pleno, características de inúmeras construções da The Conde D'Eu Railway Company Limited
Ao lado do referido armazém, existe uma cisterna de armazenamento d'água para as caideiras das antigas locomotivas a vapor, além para o abastecimento da estação. Tudo indica que o precioso líquido era proveniente do próprio Rio Paraíba, localizado a cerca de 200 metros de distância do local.
A estação de Pilar foi inaugurada pela The Cond'Eu Railway Company Limited em 28 de novembro de 1883, as margens do Rio Paraíba. Chamado na época de 'Ramal de Pilar', partindo da estação de Entroncamento (Paula Cavalcanti) até a então vila de Pilar, numa distância de 25 quilômetros. Seria mais uma etapa de alcançar o Estado vizinho de Pernambuco por via férrea, o qual atingiu este objetivo em 1900. É um bem tombado pelo IPHAEP (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba) desde 2002. 
A referida estação segue a linha simples de construções ferroviárias implementadas pela Conde D'Eu, sendo considerada pela mesma, como uma estação de Segunda Classe. Embora fosse considerada de "segunda classe", a estação de Pilar foi construída correspondente ao modelo de uma estação de "terceira classe", ou seja, o mesmo projeto da estação de Mulungu, por exemplo, sendo a estação desta localidade, classificada de acordo com esta classe. 
De acordo com o maravilhoso trabalho acadêmico, de Maria Simone Moraes Soares, intitulado 'Território e Cidade nos Trilhos da Estrada de Ferro Conde D'Eu - Província da Parahyba do Norte (1871-1901), trabalho de Tese de Doutorado apresentado no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) em novembro de 2018: 

"A arquitetura da estação de Pilar, mais uma vez, denuncia a simplicidade que se empregava nessas construções. A sua organização interna também representava que havia sido projetada para atender as necessidades do tráfego da estrada e também à moradia do chefe da estação, além de abrigar, por vezes, as “turmas” de trabalhadores da manutenção. Apesar de distante do núcleo consolidado, essa estação e sua esplanada configuraram o espaço mais movimentado da vila, com movimento de trens de segunda a sexta, até final do século XIX. Esses comboios traziam consigo dinamização ao comércio e serviço locais."

Realmente, a importância desta estação para todos os habitantes da urbe era de grande relevância. Transformando-se, posteriormente, em um núcleo de transição entre os Estados da Paraíba e Pernambuco, até sua desativação, no início da década de 1980. Agradeço desde já a disponibilidade de Josélio Carneiro pelo fornecimento das preciosíssimas imagens a fim de ilustrar ainda mais esta postagem. Confira abaixo as imagens cedidas:

Estação de Pilar atualmente. O prédio serve de moradia para uma família. Foto: Josélio Carneiro

Josélio Carneiro em pose defronte a estação de Pilar. Foto: Janilson Aranha

A centenária estação de Pilar, modificada de sua característica original após reformas. Foto:  Josélio Carneiro

Aspecto da estação de Pilar e parte do leito ferroviário. Foto:  Josélio Carneiro

Aspecto da estação de Pilar e parte de sua centenária plataforma. Foto:  Josélio Carneiro

Aspecto da estação de Pilar. Foto:  Josélio Carneiro

O armazém um tanto quanto descaracterizado de sua forma original, porém pode-se identificar uma porta, emparedada, em arco pleno no centro. Foto:  Josélio Carneiro 

Ao lado do armazém, pode notar uma cisterna de captação d'água para as funções tanto da estação quanto de fornecer o precioso líquido para as caldeiras das antigas locomotivas a vapor. Foto:  Josélio Carneiro

Aspecto da cisterna e do encanamento de captação d'água. Foto:   Josélio Carneiro

domingo, 24 de outubro de 2021

Estação de Campina Grande - Comparativo de Antes e Depois

Olá amigos do HFPB. Ainda em comemoração pelos 114 anos de inauguração da "Estação Velha", pela GWBR (Great Western of Brazil Railway) em 2 de outubro de 1907, como ficou conhecida a primeira estação de Campina Grande, trago um comparativo de algumas imagens históricas da mesma com fotos atuais do mesmo ponto onde estas foram tiradas em vários momentos de sua história. 
Confira abaixo o antes e o depois da estação de Campina Grande:
 
Comparativo - Antes e Depois. Finalização da construção da estação em meados de 1907

Comparativo - Antes e Depois. Inauguração em 2 de outubro de 1907

Comparativo - Antes e Depois. A estação em 1922

Comparativo - Antes e Depois. A estação no início da década de 1930

Comparativo - Antes e Depois. A estação em 1937, recebendo tubulações para o reservatório de Vaca Brava

Comparativo - Antes e Depois. A estação no início da década de 1970

Comparativo - Antes e Depois. A estação no final da década de 1970

Comparativo - Antes e Depois. A estação em meados da década de 1980

domingo, 4 de julho de 2021

120 Anos de Inauguração do Ramal de Alagoa Grande

Olá amigos do HFPB. No último dia 01 de julho de 2021, foi comemorada uma data muito especial para a cidade de Alagoa Grande e para a história ferroviária paraibana como um todo. Há 120 anos, era inaugurado o trecho correspondente entre a então povoação de Mulungu até Alagoa Grande, trecho este de 24 quilômetros. Um sonho que vinha desde antes mesmo da implantação do primeiro trilho em solo paraibano. 
De acordo com o Relatório do Governo Federal de Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1901 que traz o seguinte:

"Após o contracto celebrado em 22 de janeiro de 1900 entre o Governo e a companhia Conde D’Eu Railway para a conclusão e trafego do trecho de Mulungú até Alagôa Grande, a mesma companhia submetteu à consideração deste Ministério o orçamento das despesas a fazer com as obras, orçamento este que foi approvado pelo decreto n.3856, de 15 de dezembro de 1900, posteriormente rectificado pelo de n. 3984, de 2 de abril ultimo. A rectificação constituiu, não só no algarismo do orçamento que, em vez de 221:809$900, como por erro de copia sahira no primeiro dos ditos decretos, é de 521:809$900, segundo consta do original, organisado pela  companhia acceito pelo Governo, como definitivamente estabelecida, como base para a convensão em ouro das despezas feitas em moeda nacional, a taxa cambial do ultimo dia de cada mez.
Os trabalhos da linha tiveram começo a 6 de julho de 1900, sendo empregados nos mesmos trabalhos operarios sertanejos, em numero de 400 homens.
Innegavelmente a autorisação para a conclusão das obras e trafego do trecho de Mulungú a Alagôa Grande, dada no art. 25, lettra E da lei n. 560, de 31 de dezembro de 1898, consultou verdadeiras conveniencias publicas, pois que aquelle trecho, além de destinar-se, ao desenvolvimento da fertil zona que atravessa, facilitando assim a exportação dos productos que não são alli consumidos, trouxe ainda como resultado aproveitar-se os materiaes da extencta estrada Timbaúba ao Pilar, que iam sendo estragados pela acção do tempo e, além disto, deu serviço e meios de subsistencia a grande numero de retirantes que, forçados pelo instincto de conservação quando a secca devastava os sertões, procuravam a zona dos brejos onde desta vez conseguiram encontrar, no serviço do trecho, o pão de que careciam para si e sua familias.
O traçado observado no trecho é o que foi approvado pelo decreto . 69 de 21 de março de 1891, e o orçamento respectivo é o que foi também approvado pelos indicados decretos ns. 3856 e 3984, de 16 de dezembro de 1900 e 2 de abril d'este anno.
A companhia atacou os trabalhos em toda a extensão da linha. As obras de arte projectadas constam de 4 pontes, 11 pontilhões, 17 boeiros capeados, e 34 boeiros abertos. Além de 1 ponte de 6 metros de vão, 2 pontilhões, 3 boeiros capeados e 17 boeiros abertos, que já estavam construidos, a Companhia já terminou 2 pontes, 1 pontilhão, 9 boeiros capeados, 8 boeiros abertos, 2 boeiros de bocca de córte, 1 mata-burro além de um pontilhão de 4 metros de vão, cujas fundações a mesma Companhia achou preparadas. A obra de arte mais importante do trecho é a ponte de 18m,70 sobre o rio Zumby locada á estaca 718X10, cujos alicerces foram construidos pela antiga Central da Parahyba. A alvenaria dos encontros desta ponte foi iniciada em janeiro findo.
Em 31 de dezembro as obras da Via-permanente estavam no kilometro 9.
Começou em janeiro passado o esticamento do fio telegraphico. Os postes tinham sido fincados durante as obras da antiga Estrada de Ferro Central da Parahyba.
Nos mezes de junho a outubro de 1900 a Companhia havia despendido 121:940$930 com obras, constantes do seguinte quadro:

                         SERVIÇO GERAL

1. Ao Engenheiro-fiscal  .  .  .  .  .  .  .  .  . 6:000$000
2. Honorarios do engenheiro-chefe e 
do pessoal do escriptorio central de construção  .  .  . 11:003$960
3. Despeza diversas  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  . 4:943$568
4.     >     de escriptorio  .  .  .  .  .  .  .  .  348$754
5. Impressos  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  . 600$567
6. Mobilia instrumentos e utensilios  .  .  .  . 1:437$664
     Pessoal e despezas diversas  .  .  .  .  .  .  .  . 24:334$513
7. Honorario do pessoal de campo  .  .  .  .  .  . 8:350$824
8. Gratificações, e ajudas de custo, diversos  .  . 2:237$614
9. Despezas de escriptorios  .  .  .  .  .  .  .  .  .   .  62$246
10. Mobilia, instrumentos e outros objectos .  .  .  . 725$101    11:375$793

...Entre os principaes serviços, durante o anno, figura a montagem do metarial rodante adquirido pela companhia para trafegar o ramal de Mulungu a Alagôa Grande, a saber:

 Locomotiva denominada "Alagôa Grande", de n. 15, com quatro
     rodas motrizes de 1 m, 06 de diametro e dois limpa-trilhos  .   .   .  1
Carro de 1° classe com accommodações para 35 pessoas e assentos 
     de palhinha, dotado de W.C., lavatorios e accessorios  .  .  .  1
Ditos de 2° classe para accommodar 42 pessoas em bancos 
      longitudenaes, com W.C. e lavatorios  .   .   .   .  .  .  .  .  .   2
Wagons cobertos  .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   10
Ditos, abertos, para transporte de cargas e lastro  .   .   .   .   5

Todo este progresso chegando a cidade se deve fundamentalmente a um homem, tratava-se do Deputado Federal patoense radicado em Alagoa Grande, Apolônio Zenaide Peregrino de Albuquerque Montenegro, que na época era chefe político local. o referido Deputado Federal tinha uma grande reivindicação junto ao governo federal: trazer em sua terra a estrada de ferro. Através de muita luta, enfim o referido deputado junto ao Governo Federal conseguiu enfim trazer a ferrovia a Alagoa Grande
O dia tão esperado chegou, 1 de julho de 1901, uma locomotiva inglesa denominada “Alagoa Grande”, de número 15, chegava “bufando” e com seu tradicional e estridente apito, pela primeira vez a Alagoa Grande. Com absoluta certeza, todo aquele acontecimento glorioso deve ter agitado a população da urbe na época, já que pela primeira vez recebia o "bicho de ferro soltando fumaça pelas ventas".
Foram realmente tempos gloriosos. A partir de então um verdadeiro surto de crescimento nos âmbitos social, cultural e econômico “apitava” na terra da “Lagoa do Paó”. Na primeira metade do século XX muitos serviços nas mais variados tipos chegou à Alagoa Grande nunca antes experimentado. Sendo este um dos municípios mais prósperos de toda a Paraíba durante décadas.
A prédio da estação, concluída apenas no ano seguinte, ou seja, em 1902, construída com um andar superior afim de abrigar o Chefe da Estação, seguia as linhas simples de volumetria com ampla cobertura de sua plataforma, a fim de atender melhor os transeuntes. Esta construção já se deu quando a Conde D'Eu foi encampada pela Great Western of Brazil Railway (GWBR), entre 1901 e 1902.
Anos mais tarde foi construída a parada de Bastiões e Capim, afim de transportar passageiros das áreas rurais do município.
Na década de 1920, o então Governo Federal tinha o objetivo de estender o ramal em direção até o Sertão do estado partindo de Alagoa Grande, algumas obras foram realizadas entre Alagoa Grande e Alagoa Nova, como pontes, aterros, bueiros, e até o início da escavação do grande Túnel da Serra da Beatriz. Porém o laudo do General Rondon inviabilizando a obra, já que excluía a importante cidade de Campina Grande da trajetória e a paralisação de todas as obras da Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas (IFOCS) entre 1922/23, o ramal não seguiu em frente.
Porém, para a tristeza de todos em fins de 1966 o tráfego ferroviário entre Mulungu e Alagoa Grande foi interrompido por ordem do Governo Federal, do Ministro de Viação Juarez Távora. Esta decisão equivocada deixou em segundo plano as ferrovias deste país, o qual proporcionava meios de transportes mais baratos do que as rodovias que estava sendo priorizadas.
Esta trágica decisão tirou este benefício para o povo alagoa-grandense definitivamente, não voltando mais. Todo o material de trilhos, dormentes entre outros foram retirados. A estação foi totalmente esquecida e abandonada. 
Encontra-se atualmente em estado deplorável e em total abandono, não remetendo as época douradas da ferrovia na cidade. Aguarda na esperança de algum dia seja totalmente restaurada, servindo, quem sabe, de algum museu contando um pouco da riquíssima história de Alagoa Grande.    

Fontes: Relatórios do Governo Federal de Viação e Obras Públicas – 1901 e 1902.
Alagoa Grande, Sua História, José Avelar Freire, 2° Edição, 1998.
O Malho, setembro de 1922.

Registro de uma das últimas viagens do trem a vapor em Alagoa Grande no ano de 1966. Fonte: Alagoa Grande, Sua História, José Avelar Freire, 2° Edição, 1998

Ramal Mulungu a Alagoa Grande, trecho de 24 quilômetros por via férrea. Montagem feita a partir da junção de dois mapas dos municípios de alagoa Grande e Guarabira. Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiro, Vol. IV, IBGE, 1959.

Estação e armazém de Alagoa Grande em 1922, nas obras do prolongamento do "Ramal de Penetração". Fonte: O Malho, setembro de 1922.

Aspecto da construção de um pontilhão (Ponte T) nas proximidades da estação de Alagoa Grande em 1922. Fonte: O Malho, setembro de 1922.

quinta-feira, 4 de março de 2021

120 Anos da Inauguração da Estação de Itabaiana

Olá amigos do HFPB. No dia 5 de janeiro (desculpem pela demora em postar), comemorou-se 120 anos de inauguração da estação de Itabaiana com a chegada oficialmente do primeiro trem.  
De acordo com o ótimo livro, Itabaiana, Sua História - Suas Memórias 1500 - 1975 de Sabiniano Maia:

"Itabaiana, como as demais localidades do Estado, sofria deficiência de estradas transitáveis, isto desde o século dezesseis até meados do dezenove, quando a estrutura viária começou a despontar na consciência do administrador público, à frente de problemas outros, de ordem prioritária...
Até então, não havia estradas, existiam, sim, veredas matas a dentro, que com o tempo, se transformavam em caminhos, cabendo apenas um animal. Fora mais de um, e a fila indiana obrigatória.
Chegando o carro de boi, os caminhos se alargavam, permanecendo, contudo, os atoleiros, às vezes intransponíveis"...

Essa foi a realidade de inúmeras localidades pelo interior do Brasil afora por muito tempo. As dificuldades eram gigantescas, e o perigo em transitar estradas tão primitivas exigiam o máximo de conhecimento, cuidado e perícia dos pioneiros condutores. 
A maioria dessas conduções eram feitas montados em lombo de cavalos, mulas, ou no carro de boi, como mencionado, e o perigo estava sempre a espreita, seja por saqueadores, ou pela própria geografia em contornar rios, serras e montanhas, desfiladeiros, vales suntuosos,  cânions,  enfim, uma gama de situações que exigiam cuidados redobrados.   
Passado séculos, a situação começa a mudar a partir da segunda metade do século XIX, mais precisamente a partir da década de 1850, um transporte mais eficiente que o carro de boi apareceu em terras nacionais.
Na Paraíba, como postado anteriormente, o transporte ferroviário teve início em 1875, quando foi organizada em Londres, Inglaterra, uma companhia com finalidade específica em implantar tal benefício no Estado, companhia esta que se chamaria The Conde D'Eu Railway Company Limited, ou simplesmente, Conde D'Eu
Os trabalhos de construção da primeira linha férrea da Paraíba tiveram início em 9 de agosto de 1880, e em 7 de setembro de 1883 foi inaugurado o tráfego da linha principal até a povoação de Caramazal (Mulungu).
Em 28 de dezembro de 1883, a ferrovia atingia Pilar, importante centro agro-pastoril do vale do Rio Paraíba. Não prosseguindo o prolongamento a partir daquele ponto em encontro ao Estado de Pernambuco enquanto a Conde D'Eu era detentora da malha ferroviária. 
Em Recife, outra companhia se organizava para colocar fim nesta distância entre as capitais de ambos estados, era a "Estrada de Ferro do Recife ao Limoeiro". Já no final da década de 1880, já alcançava a cidade de Timbaúba, na divisa com o Estado da Paraíba, era um sonho se tornando realidade. 
Segundo mais uma vez o livro Itabaiana, Sua História - Suas Memórias 1500 - 1975 de Sabiniano Maia:

"A viagem entre as duas capitais, demandava um período de três dias: no primeiro, de trem da Paraíba (capital) ao Pilar; no segundo, a cavalo, do Pilar a Timbaúba, passando por Itabaiana; no terceiro, retomando o trem em Timbaúba, para chegar à tarde ao Recife. O regresso obedecia ao mesmo itinerário."

Aquela situação não poderia de forma alguma prosseguir. O contrato original da Conde D'Eu previa que apenas chegar até Pilar, não avançando a partir desta localidade, ficou a Estrada de Ferro Recife ao Limoeiro ficar na incumbência deste prolongamento, entre Timbaúba e Pilar.  
Em julho de 1900, no limiar do novo século, assentou os trilhos na estação de Rosa e Silva, divisa com a Paraíba.  

"Além da esperança de novas inaugurações, notava-se uma sensação de alívio em quem vinha do Pilar pegar o trem em Rosa e Silva, poupando-se do saculejo do lombo do animal em cerca de doze quilômetros, se houvera de ir à Timbaúba". 

Finalmente, seis meses depois, em 5 de janeiro de 1901, o tão aguardado dia havia chegado. Era a inauguração do trecho até Itabaiana, com um trem recebido em grande festa popular, trazido pela Estrada de Ferro Recife ao Limoeiro. A locomotiva estava enfeitada com folhas de palmeira catolé, abundantes, à época, na região.
A estação seguia o modelo de construção simples, sem maiores adereços arquitetônicos em sua fachada, com duas plataformas, uma na própria estação e outra defronte desta.

No limiar do novo século, eis que Itabaiana recebe um presente e tanto. O desenvolvimento no local não tardou, já que inúmeros prédios vistosos, praças, coreto, energia elétrica, indústrias e até mesmo um sistema de bondes puxados a força equina apareceram em poucos anos após a introdução do transporte ferroviário. 
Fatores estes que puseram Itabaiana como uma das cidades mais prósperas da Paraíba na primeira do século XX.

A estação a partir de então, tornou-se ponto de encontro da sociedade local. O trem "ditava" o cotidiano das famílias itabaianenses na época. Isto de certo modo seria uma vantagem para a localidade, já que diferentemente de outras localidades, a estação se localizava no perímetro urbano, sem a necessidade de locomoção em distâncias consideráveis por estradas "poeirentas" e "lamacentas" em períodos chuvosos, afim de pegar o trem de passageiros na gare da estação.
Porém, por outro lado, a pequena distância com o centro da cidade, causou transtornos em boa parte da população. Este por muitas vezes, tirava o sossego das famílias: "...tornando-se com seu apito estridente, questão de vida e morte para seus habitantes." Como frisou em trecho do livro Itabaiana, Sua História - Suas Memórias 1500 - 1975 de Sabiniano Maia.
Prosseguindo com a narrativa do referido livro, de acordo com o jornal local Correio da Manhã de 25 de agosto de 1912 trazia da seguinte maneira: 

"Todas as famílias que moram às margens da linha acordam assombradamente pelo tremor e apitos estridentes. Há poucos o Sr. Francisco Laudelino perdeu o seu filho em consequência desses apitos desmedidos alta noite, e o Dr. Benicio de Carvalho retirou da margem da linha sua família por não suportar por mais tempo semelhante absurdo." 

Realmente era uma situação complicada para inúmeras famílias. Era um preço que famílias inteiras iria pagar. O transporte ferroviário trouxe incontáveis benefícios a Itabaiana, mas em contrapartida, também, estava o terrível incomodo que o transporte causava. 
O fator principal foi ter construído a linha no perímetro urbano, caso os engenheiros na época tivessem construído a estação um pouco mais afastado do centro, estes aborrecimentos por grande parte da população seriam sanados. 
Mas para "alívio" da população, anos mais tarde fora construída uma estação no local chamado Triângulo, onde partiam os ramais para Campina Grande (a partir de 1907), João Pessoa e para Recife. Fato este que amenizou em parte as constantes reclamações, já que o Triângulo ficava em um espaço amplo para manobras e afastado do centro da cidade. 
Por mais de sessenta anos, a velha estação serviu honrosamente a população de Itabaiana, sendo fechada na década de 1960, para não mais voltar. Apenas no Triângulo os passageiros puderam pegar trens em destino as localidades diversas onde a malha ferroviária era contemplada. 
Desde o início da década de 2010 o ramal foi abandonado, não trafegando mais trens de carga pelo outrora movimentadíssimo complexo. Hoje regalada apenas as memórias dos mais entusiastas.
A estação ficou tempos fechada, serviu de depósito, serralharia e há mais ou menos uns 10 anos, a velha estação foi adquirida para a instalação de um hotel, chamado de Hotel Estação Velha. Passou por ampliações e alterações longo dos anos, mas ainda conserva grande parte da estrutura original. 

Fonte: Itabaiana, Sua História - Suas Memórias 1500 - 1975,  Sabiniano Maia, João Pessoa, 1976.

Estação de Itabaiana no ano de 1959. Na época a estação se chamava "Tabaiana". Fonte: Revista Manchete, 1959.

Composição de passageiros chegando a estação de Itabaiana tracionada pela locomotiva do tipo mogul da North British número 258. Fonte: Revista Manchete, 1959.

Composição de passageiros tracionada pela locomotiva número 270, ao longo da estação de Itabaiana na década de 1950. Fonte: Estações Ferroviárias do Brasil.

Aspecto da estação há cerca de 10 anos atrás, transformada no Hotel Estação Velha. Notar os resquícios da plataforma ao centro.

Atual Hotel Estação Velha. A estação apesar das reformas e alterações ao longo dos anos, ainda guarda boa parte da arquitetura original da primeira década do século XX. Notar no canto esquerdo restos da antiga plataforma central.

Janela da estação ainda guarda sua originalidade do início do século XX. Atual Hotel Estação Velha.

Ilustração produzida por Haziel Pereira em 2016 do atual Hotel Estação Velha. Fonte: http://arquiteturaelugarcg.blogspot.com/2016/03/estacao-ferroviaria-de-itabaiana-pb-um.html  

sábado, 21 de novembro de 2020

A Locomotiva Baldwin 501 do Museu do Algodão em Campina Grande

Olá amigos do HFPB. Hoje, trago até vocês um pouco da história da simpática locomotiva a vapor "Maria Fumaça", que está no pátio do Museu do Algodão em Campina Grande, desde meados da década de 1970.
Na antiga estação da GWBR (Great Western of Brazil Railway) em Campina Grande, hoje, Museu do Algodão, no qual guarda um precioso acervo histórico com alguns objetos ferroviários, utensílios domésticos e, sobretudo objetos e fotos do principal cultura que alavancou a economia campinense por décadas. Podemos encontrar no pátio do Museu um belo e preservado exemplar de uma “Maria Fumaça”, nome popular das conhecidas locomotivas a vapor.
Esta locomotiva é do tipo “Four-Wheeler”, ou seja, com composição de rodas 0-4-0ST (classificação Whyte). A classificação "ST" (Saddle Tank), ou simplesmente "Tanque Sela", devido a este envolver totalmente a caldeira, característica dessas máquinas, sem o auxilio de um vagão tender para o transporte d'água. 
Construída pela grande empresa “The Baldwin Locomotive Works” na cidade de Filadélfia, Estado da Pensilvânia, Estados Unidos em abril de 1922, Classe 4-16-C, possui 5,40 metros de comprimento, diâmetros dos cilindros de 40 cm, peso total da locomotiva é de 17.900 kg, sua força de tração era de 3.500 kg. Sistema de distribuição do tipo walch. Seu prefixo é 501, com número de série 55359.
Esta locomotiva foi construída especialmente para trabalhos a serviço da Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas (segundo grafia da época) IFOCS, órgão atrelado ao Governo Federal, com o objetivo construir açudes no Alto Sertão paraibano, a exemplo dos açudes Pilões, São Gonçalo e Piranhas, no início da década de 1920. Foram adquiridas algumas locomotivas para esta empreitada.
Estas pequenas locomotivas eram destinadas ao transporte de lastro, e todo material empregado na construção de trechos ferroviários no Sertão, além de transportar o material na construção dos referidos reservatórios d'água.
Posteriormente com a conclusão dos referidos reservatórios d’água na década de 1920 todas as obras em andamento do IFOCS foram paralisadas por ordem do Governo Federal em 1923, no governo de Arthur Bernardes. Ás máquinas pertencentes ao órgão foram adquiridas pela RVC (Rede de Viação Cearense) que as utilizaram especialmente como locomotivas manobreiras.
Segundo alguns relatos colhidos, ela era conhecida carinhosamente de "Cafuringa".
Em meados da década de 1970, mais precisamente no governo municipal do então Prefeito Evaldo Cavalcanti Cruz, adquiriu este exemplar, já sem utilização no emprego de atividades ferroviárias, para compor o material de exposição do primeiro Museu do Algodão, este inaugurado em 1973. Desde então é uma das principais atrações aos visitantes que frequentam este espaço público.
Entre 2006/07, passou por uma recuperação externa, já que a mesma estava muito desgastada, onde fora trocada a cabina, recebeu nova pintura, placas, peças, novos domos, limpas trilhos (sem necessidade, já que as originais não tinham esta peça), entre outros. Também foi construído um abrigo em alvenaria para proteger a mesma das intempéries do tempo.
Esta reforma estética foi para a comemoração do centenário da chegada da ferrovia em Campina Grande, em 2007.
Trata-se do último exemplar ainda preservado deste tipo de locomotiva no Estado da Paraíba

FONTES: Inventário das locomotivas a vapor no Brasil: Memória Ferroviária. Regina Perez, Notícia & Cia., 2006.
Relatório do Governo Federal Ministério de Viação e Obras Publicas, 1922.

Aspecto da 501 no Museu do Algodão em Campina Grande. 

Aspecto da 501 no Museu do Algodão em Campina Grande. 


Originalmente a locomotiva não tinha limpa trilhos, nem dianteiro e traseiro, incorporados com a reforma de 2006/07.

Originalmente a locomotiva não tinha limpa trilhos, nem dianteiro e traseiro, incorporados com a reforma de 2006/07.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Estado Atual da Estação de Mari

Olá amigos do HFPB. Hoje satisfatoriamente trago imagens registradas pelo amigo e pesquisador ferroviário pirpiritubense Emival Galiza Barros em visita no último domingo, dia 12 de julho, a cidade de Mari, localizada na Zona da Mata. Na ocasião o mesmo fez registros da antiga estação local, gentilmente me enviou no mesmo dia. Para minha grata surpresa o prédio tanto da estação, quanto do antigo depósito de troles e outros materiais da companhia foram revitalizados e pintados com as cores originais das velhas estações de outrora.  
O topônimo Mari é de origem indígena e provém do termo umari, que por sua vez é uma corruptela de u-mbari, que significa “água do marizeiro” (em referência a essa árvore espinhosa que cresce em alagados e da qual se comem suas amêndoas cozidas).
A estação de Mari, antiga Araçá, foi inaugurada pela The Conde D'Eu Railway Company Limited, no dia 7 de setembro de 1883. O ramal partia de Parahyba (João Pessoa a partir de 1930) com destino inicial ao povoado de Camarazal, posteriormente Mulungu, e em 5 de julho de 1884, sendo inaugurado o trecho até Independência, posteriormente Guarabira.   
A estação de Mari segue linhas simples arquitetônicas, sem maiores adereços e decorações em sua fachada, fato marcante nas estações da Conde D'Eu, a exceção da estação da própria capital que era classificada de acordo com a companhia de estação de primeira classe. Em Mari, a estação local era classificada como de 4° classe. Estes dados foram extraídos a partir do relatório de Indústrias,  Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1893. As estações no estado, de acordo com o referido relatória variavam entre 1° até 5° classes.
No local da antiga estação está instalada a Rádio Comunitária Araçá FM, que n último mês de janeiro completou 22 anos no ar. 
A partir quando o ramal foi desativado em princípios dos anos 2000, o prédio passou a ser ocupado pela referida rádio. Até o momento não tenho informações precisas se a reforma tanto do prédio da antiga estação quanto do antigo depósito de trollers, e materiais de manutenção da linha, foi promovida pela rádio ou pela Prefeitura Municipal
A estação de Mari, trata-se da única ainda bem preservada construída no primeiro trecho inaugurado em 7 de setembro de 1883. As demais ou foram derrubadas ou reconstruídas com outra arquitetura. 
Todavia, a população de Mari está de parabéns pela preservação deste item tão precioso e fundamental para a memória do município assim como de todo o Estado. Infelizmente não se pode dizer o mesmo de muitas outras estações, armazéns, etc, que foram demolidas, não restando nada ou tão pouco para sua preservação, usurpando a memória de um tempo onde as"gigantes de ferro" desfilavam soberanas pelos trilhos. 

Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mari_(Para%C3%ADba)
http://www.estacoesferroviarias.com.br/paraiba/mari.htm
Relatório de Indústria, Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1893.
Confira abaixo as imagens cedidas pelo amigo Emival:

A Antiga estação de Mari, atual Rádio Comunitária Araçá FM.

Outro ângulo da antiga estação de 1883. Vendo ao fundo a direita que também o antigo depósito fora restaurado.

Notar os detalhes de ferro fundido das chamadas "mãos francesas" na parte traseira da estação.

Detalhe para a plataforma de embarque e desembarque, assim como os trilhos, mesmo que o último trem passou há exatos vinte anos a Prefeitura local preservou como sinal dos tempos áureos do trem.

Detalhes para o acerto das cores da estação, variando entre o amarelo ocre, branco e marrom, assim como outrora. Mari mais uma vez de parabéns.

A estação antes da reforma. Imagem extraída do Google Street View.