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domingo, 30 de abril de 2023

O Ferroviário João Maria de Araújo "Seu Dão" - 30 de Abril - Dia do Ferroviário

Olá amigos do HFPB. Depois de um período sem postagens, neste dia especial, 30 de abril, Dia do Ferroviário, não poderia passar esta data despercebida, retornando para mais uma postagem histórica. 
Recentemente, o amigo jornalista Josélio Carneiro de Araújo, lançou o livro 'Nos Trilhos da Memória - Pare, Olhe, Escute', 2023, que conta um pouco, da história de seu avô maquinista, pai, e tio telegrafistas, além de ocuparem outras funções ferroviárias. 
O livro também dedica boa parte a estações que seu querido e saudoso pai, o Sr. João Maria de Araújo ("Seu Dão") trabalhou, em algumas estações, a exemplo de Guarabira, Pau-Ferro, Sertãozinho e Nova Cruz-RN.
De acordo com o Capítulo IV de seu livro, intitulado 'Manuel, João e Jotão, três ferroviários', que conta um pouco da história destes três ferroviários, no caso aqui específico de João Maria de Araújo (Dão), fiz um resumo de sua trajetória como ferroviário:

"Contratado pela Great Western em 1942, aos 23 anos, João Maria de Araújo havia aprendido o ofício da telegrafia em Mulungu por estímulo do pai, a exemplo de tio Jotão. Em sua carteira de trabalho, há registros de contratação pela Great Western de 21 a 29 de julho de 1942 no cargo de ajudante de agente interino, com salário mensal de duzentos e vinte e cinco mil reis. A empresa o readmitiu aos 31 de outubro de 1943, no cargo de ajudante de agente.
O ferroviário João Maria de Araújo chefiou as estações de Pau-Ferro e Sertãozinho. Em Nova Cruz, cidade onde se aposentou, foi auxiliar de agente e telegrafista, mas, na carteira de trabalho, oficialmente, era agente de estação nível 10, categoria MVOP. Sua matrícula na Rede Ferroviária tinha número 6679. Conta minha mãe que, antes mesmo de Pau-Ferro, João Maria de Araújo trabalhou na estação de Guarabira; mas não consegui informações sobre essa fase de sua vida profissional...
O ferroviário João Maria de Araújo foi o agente da estação de Pau-Ferro até o início de 1962, pois, nesse ano, assumiu a estação de Sertãozinho. Não obtive informações sobre quantos anos ele atuou em Pau-Ferro. Em Sertãozinho, meu pai administrou a estação entre 1962 e fevereiro de 1967, quando foi transferido para Nova Cruz. 
Na estação ferroviária de Nova Cruz, João Maria de Araújo não exerceu o cargo de agente titular; atuou como auxiliar, ajudante de agente, além da função de telegrafista. Revela minha mãe que o agente era José de Arimatéia, depois seu irmão Ramiro, dois excelentes colegas de trabalho, e, na sequência, um tal Genaro, perseguidor, que acabou levando meu pai a se antecipar e pedir aposentadoria. Dão trabalhou por oito anos – 1967 a 1975 - naquela estação, que era referência, pois ligava Natal a Recife e a João Pessoa. Aposentou-se aos 56 anos de idade, em 1975. A RFFSA planejava transferi-lo para uma cidade do Sertão do Rio Grande do Norte. Ele não aceitou; preferiu pedir a aposentadoria. Teimoso, também recusou o convite do irmão Jotão para trabalhar em Natal por mais dois anos, quando completaria os 35 anos de serviço e teria as vantagens de uma aposentaria regular, como teve o irmão."

Em 24 de novembro de 1983, lamentavelmente, o antigo ferroviário, João Maria de Araújo, falecia, deixando uma saudade enorme na família e amigos. Passou 33 anos trabalhando na ferrovia em dois Estados com muitas histórias pra contar. No belo livro do amigo Josélio, tem muito mais histórias de "Seu Dão", seu tio Jotão e seu pai Manuel na ferrovia, deixando um legado imenso.
Neste dia tão especial, 30 de abril, Dia do Ferroviário, deixo aqui esta singela homenagem do HFPB a todos os ferroviários da história, tanto aqui na Paraíba, quanto em todo o Brasil.
Agradeço ao amigo Josélio pelo belo trabalho de resgate da memória ferroviária de sua família no belo livro 'Nos Trilhos da Memória - Pare, Olhe, Escute', que em breve, terá uma postagem
exclusiva sobre seu conteúdo.   

O então Chefe de Estação em Pau-Ferro, no início da década de 1960. Fonte: Nos Trilhos da Memória - Pare, Olhe, Escute.

O ferroviário João Maria de Araújo "Dão", no início da década de 1960 em Pau-Ferro, local onde nasceu seu filho Josélio Carneiro de Araújo. Fonte: Nos Trilhos da Memória - Pare, Olhe, Escute.

domingo, 29 de agosto de 2021

Raridade - Trem Trafegando em Guarabira

Olá amigos do HFPB. Mais uma vez o pesquisador guarabirense Daniel Silva Fernandes, me enviou gentilmente duas belas e raras fotos de uma composição trafegando na gare da estação de Guarabira, muito provavelmente esta imagem foi tirada por volta de 1999/2000, sendo portanto um dos últimos trens a circular pelo trecho correspondente entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte.
Segundo o próprio Daniel, esta foto foi encontrada no CEDOC (Centro de Documentação de Guarabira), fará parte do acervo de um futuro museu na estação ferroviária local. 
Na ocasião, a referida composição da imagem carregava uma carga de sal marinho, vindo do vizinho Estado do Rio Grande do Norte em direção ao porto de Cabedelo
A locomotiva na imagem é uma diesel-elétrica RSD-8 construída pela ALCO (American Locomotive Company) no final da década de 1950, com a numeração 6074 da antiga RFFSA (Rede Ferroviária Federal), com uma potência de 1050 HP. 
Tempo depois foi pintada de acordo com as cores das locomotivas da CFN (Companhia Ferrovária do Notrdeste)
Ainda hoje muitas locomotivas deste modelo são usadas, sobretudo pela CBTU.
Inaugurado em 1 de janeiro de 1904, o ramal entre Guarabira e Nova Cruz, no Rio Grande do Norte, foi bastante movimentado, até o ano de 1952, era a única rota de acesso entre ambos os estados via férrea. Em 1952 foi aberta o tráfego entre Mossoró (RN) e Sousa, no Sertão do Estado.
Segundo relatos colhidos por Daniel de antigos funcionários da RFFSA, o último trem de carga circulou mais ou menos em 2002, para nunca mais voltar. O último trem de passageiros circulou pelo ramal Paraíba/Rio Grande do Norte em 1979, aproximadamente. 
Agradeço mais uma vez a Daniel Fernandes pelo envio destas preciosas imagens, confira abaixo:

Bela e histórica imagem de uma das últimas composições a trafegar pelo ramal entre Paraíba e Rio Grande do Norte na gare de Guarabira. Foto provável do ano de 2000. Fonte: CEDOC (Guarabira).

Locomotiva diesel-elétrica ALCO RSD-8 6074 parada na gare da estação de Guarabira provavelmente em 2000. Fonte: CEDOC (Guarabira).  

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Diário da Borborema - 24 de Setembro de 1980 - "Desativação do Trem de Passageiro é Temporária"

Olá amigos do HFPB. Hoje, trago a vocês uma matéria que circulou no saudoso jornal Diário da Borborema de 24 de setembro de 1980, com o seguinte título: "Desativação do trem de passageiro é temporária".  Até aquela data circulavam ainda trens de passageiros pelo interior da Paraíba, dentre outros nordestinos. 
Esta notícia desagradou principalmente os usuários mais carentes, que utilizavam este meio mais barato afim de deslocar para centros maiores como era o caso de Recife e Fortaleza, por exemplo.
Causou um impacto em todo o Estado, em Campina Grande, por exemplo, o transporte passando as 4 horas da manhã toda sexta-feira em direção a Recife, uma média de 200 pessoas utilizavam o serviço prestado pela composição de passageiros. 
Transcreveremos a matéria do referido jornal abaixo:

PASSAGEIROS

Na plataforma da Estação Ferroviária de Campina Grande embarcaram,  de janeiro a agosto passado, 2.001 pessoas, sempre às segundas-feiras, com destino ao Recife, ou às sextas-feiras, às 19h40m, em direção ao Município de Creto, no Estado do Ceará. Durante estes meses, até a suspensão dos trens, o movimento na plataforma local acusou os seguintes números: janeiro, 470 passageiros; fevereiro, 355; março, 129; abril, 112; maio, 116; junho, 235; julho, 322; e agosto, 262.
Falou-se que a suspensão dos trens de passageiros foi em decorrência de prejuízos que a Rede Ferroviária Federal vinha arcando, graças ao reduzido número de passageiros que estavam utilizando o serviço que os trens prestavam. Mas a direção regional desautorizou esta versão, explicando que realmente registrou-se prejuízo, mas o motivo principal da desativação temporária do serviço foi a função da reforma que a Rede Ferroviária necessitou fazer nos trens que estão em oficinas de Fortaleza.
"Não podemos assegurar com precisão quando a linha será reativada, porque não sabemos quanto tempo as oficinas tomarão para recuperar os vagões que foram recolhidos, Mas estabeleceu-se que o trabalho seria realizado dentro de 90 dias", acrescentou o Sr. Rômulo Roliday.
A Refesa mantinha a linha Recife-Fortaleza, passando por Campina Grande, que foi desativada. Criou o trem "Asa Branca", que igualmente deixou de funcionar o ano passado, mas a Refesa manteve durante os oito primeiros meses de 1980 a linha Recife-Crato, que agora foi igualmente desativada pelas razões reveladas pela diretoria. Atualmente somente os trens de cargas estão operando em Campina Grande, segundo informou o agente-chefe Adauto Emílio, da Estação Ferroviária local.
Disse ele que o serviço de cargas está funcionando a contento, pois estão embarcando em Campina Grande para Cabedelo, principalmente, transportando bentonita. Recebe, também, considerável quantidade de milho destinado à Cibrazem desta cidade e à Industria José Carlos. Esta operação não sofreu suspensão e nem tampouco há qualquer perspectiva de paralisação. 

DIÁRIO DA BORBOREMA - 24 DE SETEMBRO DE 1980

Resumindo, é praticamente do fim para o transporte ferroviário de passageiros pelo interior do Estado. Entre a segunda metade da década de 1970 e início da década de 1980, o transporte de passageiros estava sendo desativado em diversos Estados nordestinos, restando apenas o transporte de cargas. 
A tentativa da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A) de melhorar o transporte com o famoso, o "Expresso Asa Branca" entre 1975 e 1980, com estrutura luxuosa, afim de melhorar os serviços na época. Sua chegada a Campina Grande em outras localidades onde percorria, era sinônimo de muita festa, com multidões aglomeradas nas gares da estações.
Porém, não rendeu os frutos necessários para a sobrevivência do transporte ferroviário de passageiros pelo interior paraibano, dentre outros estados nordestinos. A concorrência com o transporte rodoviário já era vigente, sendo este, crescente a cada dia, suplantando então o transporte ferroviário de passageiros.   

Estação "Nova" de Campina Grande na época da desativação do transporte de passageiros em 1980. Fonte: Diário da Borborema, setembro de 1980.

O famoso "Expresso Asa Branca" na estação de Campina Grande em 1977. Sinônimo de festa sua chegada. Fonte: Retalhos Históricos de Campina Grande.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Feliz 30 de Abril, Dia do Ferroviário - Imagens Históricas

Olá amigos do HFPB. Hoje 30 de abril é uma data muito especial. Hoje é o DIA DO FERROVIÁRIO.
Parabéns a todos os guerreiros que fizeram e fazem os trabalhos em nossas ferrovias. O blog HFPB deseja a todos um feliz 30 de abril a todos os ferroviários e amantes das ferrovias.
A data homenageia a inauguração da primeira ferrovia do Brasil, no dia 30 de abril de 1854. Essa primeira ferrovia brasileira tinha como objetivo ligar a Baía da Guanabara com a Serra de Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro. Também conhecida como Estrada de Ferro Mauá, sua obra teve o ímpeto de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, um homem a frente de seu tempo.  
Deixo aqui minhas singelas homenagens. Em homenagem a este dia especial, posto aqui imagens de trabalhadores em diversas operações de manutenção da linha férrea durante vários anos. 
Agradeço aos ex-ferroviários Marclineshorida Silva Honório e José Maria Cosme pela exibição de algumas imagens de seus arquivos em redes sociais, exibidas aqui abaixo.

Trabalhadores ferroviários (cassacos) trocando dormentes nas proximidades de Mulungu na década de 1960. Autor desconhecido.

Guindaste nas proximidades de Mulungu, possivelmente em resgate de uma composição que descarrilou, na década de 1960. Autor desconhecido.

Equipe de manutenção no resgate de uma composição que descarrilou vinda do Rio Grande do Norte em Sapé em 1997. Arquivo: Marclineshorida S. Honorio.

Equipe de manutenção no resgate de uma composição que descarrilou vinda do Rio Grande do Norte em Sapé em 1997. Arquivo: Marclineshorida S. Honorio.

Equipe TMC de Guarabira em Mari no ano de 2001. Arquivo: Marclineshorida S. Honorio.

Equipe EMF de Itabaiana no ano de 2002. Arquivo: Marclineshorida S. Honorio.

Equipe EMF de Itabaiana passando em um Auto de Linha pela Ponte de Guarita no ano de 2002. Arquivo: Marclineshorida S. Honorio.

Auto de Linha em movimento km 147 perto de Mogeiro em 2002. Arquivo: Marclineshorida S. Honorio.

Equipe de manutenção da EMF em Paula Cavalcanti. Arquivo: Arquivo: Marclineshorida S. Honorio.

Equipe da EMF baseada em Itabaiana. Arquivo: Marclinehorida S. Honório.

Marclineshorida no descarrilamento no Km. 174 entre Ingá e Galante em 2010. Este foi o último descarrilamento ocorrido no trecho antes da desativação completa do ramal. Arquivo: Marclineshorida S. Honório.

Regulamento Geral Para Maquinistas e Auxiliares de Maquinistas da década de 1960. Arquivo: José Maria Cosme.

O ex-maquinista José Maria Cosme no Interior de cabine de Loco RSD8 na década de 1990. Arquivo: José Maria Cosme.

Carteira Funcional e Credencial de Transito Para Transporte Ferroviário na década de 1970. Pertencentes ao ex-maquinista José Maria Cosme. Arquivo: José Maria Cosme.

Auto de Linha da CBTU, em Galante no dia 16 de junho de 2017 durante a viagem da Locomotiva do Forró, nos festejos juninos. Foto: Jônatas R. Pereira.

Maquinista da CBTU em uma das viagens da Locomotiva do Forró, durante os festejos juninos em Campina Grande em 2019. Foto: Jônatas R. Pereira.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Vídeo - Estação de Pocinhos - Abandono e Esquecimento

Olá amigos do HFPB. Em visita realizada na tarde desta terça feira dia 18 de fevereiro, retornei a abandonada estação de Pocinhos para gravar um pequeno vídeo.
Estação esta construída para o prolongamento do Ramal Campina Grande - Patos, concluída com sua inauguração oficial, em 8 de fevereiro de 1958. 
Na última, visita realizada em 29 de novembro de 2018, havia apenas registrado com imagens, desta vez com um significativo vídeo percorrendo algumas partes da deteriorada estação. Lamentavelmente esquecida e negligenciada pelas autoridades competentes. 
O quadro é de total e completo abandono, outrora movimentada, hoje está apenas nas lembranças dos mais saudosistas, esperando que um dia a mesma volte a "vida", já que foi "sepultada" há mais de vinte anos.  
Este é o quadro que se encontra a maior parte da ferrovia brasileira, abandonada e esquecida. Lamentável. Confira:






segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

13 de Janeiro de 2020 - Cinquenta Anos do Maior Desastre Ferroviário da Paraíba - Curva da "Maria Cabocla"

Olá amigos do HFPB. Hoje, 13 de janeiro de 2020, na primeira postagem deste ano, completa exatos 50 anos do maior desastre ferroviário da Paraíba
Este desastre, já foi publicado anteriormente, por três vezes, porém, a postagem de hoje, tem uma conotação especial, se trata do cinquentenário da terrível tragédia do descarrilamento do trem BN-2, conduzida pela locomotiva diesel-elétrica da Alco de número 819, na chamada "Curva da Maria Cabocla".
Localizada entre Campina Grande e o distrito de Galante, no KM 61 do ramal da RFN até Sousa, a 2,5 km da estação de Galante, a tragédia da "Curva da Maria Cabocla" já foi tema em postagens anteriores. Segundo relatos de moradores da região, o local tem um histórico de acidentes ocorridos anos antes, sem maiores consequências, porém, naquele dia 13 de janeiro, ocorreu diferente, um acidente de proporções trágicas.
A história do acidente foi relatada nestas postagens mais antigas, portanto não será necessário relembrar com detalhes o ocorrido naquela fatídica terça-feira, dia 13 de janeiro de 1970.
Em memória as vítimas, visitei pela manhã o local exato do acidente. No local foi erguido uma capela de denominação Nossa Senhora das Dores, em homenagem as vítimas, deixando um saldo de 13 mortes e aproximadamente 149 feridos. A referida capela foi inaugurada em 13 de janeiro de 1971.
A tragédia ainda está viva na memória de muitos, como o do Sr. José Vicente, conhecido como Graciano, ferroviário aposentado que coincidentemente estava em transito nesta manhã na localidade e tive a oportunidade de conversar um pouco sobre o fato. Ele me relatou que no trecho entre Galante e Ingá ocorria inúmeros descarrilamentos, sobretudo de composições de cargas. "Para se ter uma ideia, chegava a descarrilar até duas composições por semana." Relata o senhor José Vicente pela grande quantidade de descarrilamentos no período em que esteve a serviço da RFFSA no trecho serrano do Ramal Itabaiana - Campina Grande
Realmente, no trecho mencionado pelo ex-ferroviário a quantidade de curvas, subidas e descidas pelo Planalto da Borborema é bem elevada, requerendo uma habilidade ímpar ao maquinista de tais composições. 
Mas como mencionado em postagens anteriormente, há controvérsias do real motivo do fato, uns afirmam alta velocidade por parte do maquinista, e o mesmo afirma que um "refluxo" tenha ocasionado o tombamento dos carros de passageiros levando a um grande barranco com cerca de 6 metros de altura.
Neste cinquentenário, deste trágico acidente, deixo aqui minhas singelas homenagens a todas as vítimas daquela fatídica tarde de 13 de janeiro de 1970. 

A famosa, porém trágica Curva da Maria Cabocla cinquenta anos depois da tragédia.

Local exato aonde a composição tombou, deixando um saldo de 17 mortes de mais de 140 pessoas feridas.

Altura do grande aterro cujo a composição veio abaixo

Registro no início da curva, ao fundo observa-se a Capela de Nossa Senhora das Dores

Capela de Nossa Senhora das Dores, erguida em 1971 em homenagem as vítimas do trágico acidente

Registro ao lado da Capela Nossa Senhora as Dores

Percorrendo o trecho

quinta-feira, 19 de julho de 2018

A Curva da "Maria Cabocla" e Seu Passado Trágico

Olá amigos da HFPB. Nesta postagem trago imagens recentes da "famosa" Curva da "Maria Cabocla", localizada a cerca de 2 km da estação de Galante, município de Campina Grande.
Poderia ser apenas mais uma curva em tantas espalhadas pelos mal tratados trilhos em nosso estado, porém sua história não é nada gloriosa, mas sim trágica.
Construída como parte integrante do prolongamento férreo entre Itabaiana - Campina Grande, inaugurada em 02 de outubro de 1907.
Em viagem no dia 01 de julho último pela tradicional "Locomotiva do Forró" , passeio turístico realizado anualmente entre as estações velha de Campina Grande (atual Museu do Algodão) e a estação de Galante no período junino, me deparei com esta famosa curva e toda a história que a envolve. 
A história nos conta de um terrível acidente ocorrido no dia 13 de janeiro de 1970 em que uma composição de passageiros da PN-2 máquina de número 819 ALCO RSD - 8 diesel elétrica da RFN, que saíra da estação de Campina Grande as 13:05 h com destino a Recife, ao passar pelo KM-61, faltando apenas 2 km da estação de Galante. As 13:36 h, o maquinista José de Melo sentiu que a máquina "sacolejava" bastante diminuindo a marcha. Quando passou pela curva da "Maria Cabocla" o inevitável aconteceu, a composição composta por sete vagões, sendo seis deles de passageiros e um de carga o trem passou por um "repuxo" - trilhos fora de bitola e a locomotiva tombou perigosamente, porém, seguiu viagem. Porém, o quarto vagão não conseguiu manter o equilíbrio vindo a descarrilhar puxando os demais vagões para um barranco com mais de 10 metros de altura, causando o saldo trágico de 17 mortes e cerca de 148 feridos.
Socorros vieram de toda as partes, tanto ambulâncias e carros populares procedentes de Campina Grande, quanto populares do próprio Distrito de Galante, auxiliaram no resgate dos sobreviventes.
Segundo relatos de um morador do Distrito, os corpos das vítimas ficaram "amontoados" na gare da estação esperando serem transportados e identificados. Muitos destes tiveram mortes horríveis.
Muitos afirmam que o maquinista estava acima da velocidade permitida, porém o mesmo nega, segundo depoimento a revista Veja na época: "Na curva senti um sopapo, como os trilhos estivessem afundando..."
Engenheiros da RFN, chegaram a cogitar três hipóteses para o acidente: erro de operação ou aplicação do freio; defeito mecânico; ou excesso de velocidade.
Um diretor da RFN, Gilvani Pessoa Pires, descartou a época as duas primeiras hipóteses a Revista Veja: “A linha tem pedramento recente e todas as locomotivas da Rede funcionam em condições técnicas perfeitas”.
Novamente, a culpabilidade do acidente recaia sobre o maquinista José Melo, que deu sua versão do acidente a mesma revista: “Saí de Campina Grande às 13:05 h, para chegar a Galante às 13:40 h. O desastre foi às 13:36 h, exatamente a cinco minutos de Galante. O trem fazia 35 quilômetros por hora”.
Após esse desastre, a imprensa paraibana começou uma série de reportagens contra os serviços prestados pela Rede Ferroviária do Nordeste, afirmando que o outrora glorioso serviço, que tanto impulsionou o desenvolvimento campinense e paraibano, estava superado e acima de tudo, tornara-se muito perigoso. 
Quanto ao acidente, nunca foi explicado o que realmente ocorreu. Trata-se sem sombra de dúvidas do pior desastre ferroviário da história da Paraíba.
No local do acidente foi construída uma pequena capela em homenagem as vítimas com o nome de Nossa Senhora das Dores
A lembrança da tragédia ainda está bastante viva na memória da população tanto de Galante quanto de Campina Grande, como uma das maiores tragédias ocorridas em sua história.

Fontes: Diário de Pernambuco de 14-01-1970 e 17-02-1970. 

A Curva da "Maria Cabocla", a esquerda a capela construída em homenagem as vítimas, Nossa Senhora das Dores. Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

A Curva da "Maria Cabocla", a esquerda a capela construída em homenagem as vítimas, Nossa Senhora das Dores. Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

A Curva da "Maria Cabocla", ao fundo a capela construída em homenagem as vítimas, Nossa Senhora das Dores. A composição tombou a esquerda da curva. Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

A Curva da "Maria Cabocla". Foto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

Curva "Maria Cabocla" sentido Campina Grande - GalanteFoto tirada a bordo da "Locomotiva do Forró" dia 01/07/2018.

 
Aspecto da tragédia. Diário de Pernambuco - 14/01/1970.

Foto extraída do blog: http://cgretalhos.blogspot.com da tragédia da "Maria Cabocla".

Dois dos passageiros vítimas do sinistro. Um morto e outro ferido. Diário de Pernambuco - 14-01-1970.

Locomotiva Diesel Elétrica ALCO RSD-8 do mesmo modelo da número 819 da tragédia de 13/01/1970. 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Famoso "Expresso Asa Branca"

Olá amigos do EFPB. Hoje, contaremos um pouco da história do famoso "Expresso Asa Branca", devido a belíssima canção de Luís Gonzaga, ou também conhecido "Trem Sonho Azul", devido a cor azul royal que eram pintados os modernos carros dos passageiros. 
O Expresso Asa Branca era um trem diferente dos habituais. Para modernizar sua frota e atrair mais passageiros, a então RFFSA (Rede Ferroviária Federal), introduziu um trem que fizesse a viagem entre Fortaleza e Recife, com confortos pouco encontrados em trens de passageiros pelo Nordeste até então. Em 1975, foi introduzida esta viagem especial, conduzida por uma locomotiva diesel-elétrica General Electric U6B. Todo este conforto tinha uma justificativa, uma viagem bastante longa e desgastante entre estas duas metrópoles, sendo percorrida em tempos abaixo do habitual, além de oferecer o diferencial, ou seja, uma sofisticada estrutura moderna, como poltronas reclináveis e acolchoadas, ar condicionado, sistema de som, banheiros e outros confortos, menos as cabines-leitos já muito usadas nos trens da Europa.
Na época, até anúncios na TV em gingles eram publicados. Para se ter uma ideia de sua eficiência, a viagem entre Campina Grande a Recife, durava menos de 5 horas, um verdadeiro recorde. Os trens convencionais, devido as constantes paradas em estações espalhadas pelo interior, em média, duraria mais de 6 horas de viagem. 
Devido aos benefícios oferecidos na viagem, o Expresso Asa Branca era um trem de alto custo, em sua manutenção e funcionamento, e isso resultava em um alto custo também para seus passageiros. Além de tudo isto, as viagens de trens de passageiros de longas distâncias, estavam com seus dias contados, o Governo Federal (Regime Militar) na época praticamente estava "deixando de lado" o transporte de passageiros via férrea e passando massivamente a investir em rodovias. 
Com todas estas dificuldades, as luxuosas viagens do Expresso Asa Branca não durou muito tempo, em menos de três anos, as viagens foram suspensas, e em 1980, as viagens de trens de passageiros convencionais, foram totalmente interrompidas, para nunca mais voltar, deixando uma lacuna imensa na memória de seus usuários

O famoso "Expresso Asa Branca" na gare da estação de Campina Grande em 1977
 
Expresso Asa Branca chegando na estação de Campina Grande na sua primeira viagem em 1975

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Rede Ferroviária Federal - RFFSA

Olá amigos do EFPB. Hoje trago mais uma postagem sobre companhias que estiveram presentes na ferrovia do Estado. Trata-se da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima, ou simplesmente RFFSA. Esta foi uma empresa estatal brasileira de transporte ferroviário que cobria boa parte do território brasileiro e tinha sua sede na cidade de Juiz de Fora-MG.
Criada em 1957 mediante autorização da Lei nº 3.115, de 16 de março de 1957, e dissolvida de acordo com o estabelecido no Decreto nº 3.277, de 7 de dezembro de 1999, alterado pelo Decreto nº 4.109, de 30 de janeiro de 2002, pelo Decreto nº 4.839, de 12 de setembro de 2003, e pelo Decreto nº 5.103, de 11 de junho de 2004, reunia 18 ferrovias regionais, e tinha como intuito promover e gerir o desenvolvimento no setor de transportes ferroviários. Seus serviços estenderam-se por 40 anos antes de sua desestatização, promovida pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, operando em quatro das cinco regiões brasileiras, em 19 unidades da federação.
RFFSA existiu por 50 anos e 76 dias, sendo oficialmente extinta por força da MP nº 353, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei Federal n° 11.483, de 31 de maio de 2007.

Privatização e Liquidação

A privatização foi uma das alternativas para retomar os investimentos no setor ferroviário. O governo de Fernando Henrique Cardoso concedeu linhas públicas para que a iniciativa privada pudesse explorar o transporte de cargas. No entanto, as concessionárias não se interessaram pelo transporte de passageiros, que foi quase totalmente extinto no Brasil.
A liquidação foi iniciada em 17 de dezembro de 1999, por deliberação da Assembléia Geral dos Acionistas, sendo definitivamente extinta pela Lei Federal n° 11.483, de 31 de maio de 2007 já no governo Lula.
Está em processo de privatização, sendo a transferência da malha existente (22 mil quilômetros de linhas - 1996 - correspondente a 73% do total nacional) para a iniciativa privada, entre 1996/98, dando origem a receitas para o governo federal de cerca de R$ 1,764 bilhão.
Em 1998, a RFFSA incorporou a Ferrovia Paulista S.A. - FEPASA, ao que se seguiu, em dezembro desse ano, a privatização daquela malha.
A concessão de 30 anos estabelece metas de aumento do volume transportado, modernização e expansão do sistema. As novas operadoras deverão investir R$ 3,8 bilhões  durante o tempo que perdurar o contrato.
O objetivo maior de passá-la para o setor privado foi o de acabar com gargalos na infra-estrutura do setor ferroviário no país, devido à falta de capacidade de investimento do Estado na época.

Ferrovias formadoras

A Rede Ferroviária Federal foi formada pela união do acervo patrimonial das seguintes empresas:

Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
Estrada de Ferro de Bragança
Estrada de Ferro São Luís-Teresina
Estrada de Ferro Central do Piauí
Rede de Viação Cearense
Estrada de Ferro Mossoró-Sousa
Estrada de Ferro Sampaio Correia
Rede Ferroviária do Nordeste
Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro
Estrada de Ferro Bahia-Minas
Estrada de Ferro Leopoldina
Estrada de Ferro Central do Brasil
Rede Mineira de Viação
Estrada de Ferro de Goiás
Estrada de Ferro Santos a Jundiaí
Estrada de Ferro Noroeste do Brasil
Rede de Viação Paraná-Santa Catarina
Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina

Estrada de Ferro Santa Catarina e a Viação Férrea do Rio Grande do Sul encontravam-se arrendadas aos governos dos respectivos Estados, na época.
Outras ferrovias do Governo Federal continuariam sob regime especial de administração: a Estrada de Ferro Ilhéus e a Estrada de Ferro Tocantins.
RFFSA teve um papel importante na ferrovia paraibana, onde empregou muitos funcionários nas diversas estações e vilas ferroviárias existentes no estado. Quando ocorreu a privatização em 1997 muitos funcionários foram dispensados ou aposentados, e as estações abandonadas ou demolidas. 


Programa de Destinação do Patrimônio da Extinta RFFSA Para Apoio ao Desenvolvimento Local


Olá amigos do EFPB. Com a extinção total da RFFSA em 22 de janeiro de 2007, seus bens imóveis não-operacionais foram transferidos para a União, o que trouxe um novo e enorme desafio para a SPU, acarretando uma ação inédita no âmbito do Governo Federal, tendo em vista o volume de bens a serem vistoriados, avaliados, regularizados, incorporados e finalmente destinados pelo órgão considerando a vocação específica de cada um deles.
A diversidade desses bens é considerável, envolvendo, entre outros, terrenos urbanos desocupados, estações de trem, galpões, oficinas desativadas e áreas ocupadas por população de baixa renda, grande parte deles situados em áreas urbanas nas proximidades das vias ferroviárias que atravessa, especialmente nas grandes cidades, em regiões de extrema pobreza.
Além do imperativo legal, inclusive da exigência de alienação de parte dos imóveis para fins de pagamento de despesas provenientes da então RFFSA, norteia a atuação da SPU o reconhecimento de que a incorporação dos bens imóveis não operacionais dessa extinta empresa determinará o (re) aproveitamento de um patrimônio de todos os brasileiros, cabendo destacar, no campo social, a possibilidade de destinação a programas de regularização fundiária e provisão habitacional de interesse social, a programas de reabilitação de áreas urbanas centrais, a sistemas de circulação e transporte, assim como a projetos de preservação da memória ferroviária e de implantação de órgãos públicos.
A legislação que extinguiu a RFFSA classifica como não-operacionais aqueles bens não vinculados a contratos de arrendamento celebrados pela extinta RFFSA, bem como aqueles com operação ferroviária delegada a Estados ou Municípios. A confirmação da classificação de um bem imóvel como não-operacional pode ser obtida mediante consulta dirigida à Superintendência do Patrimônio da União na Paraíba.
Visando o gerenciamento administrativo eficiente de tais bens imóveis, a Secretaria do Patrimônio da União concebeu o Programa de Destinação do Patrimônio da Extinta RFFSA para Apoio ao Desenvolvimento Local, que visa, exatamente, apoiar ações locais das áreas de desenvolvimento social, urbano e ambiental mediante a regularização, cessão ou compartilhamento da gestão de imóveis da União oriundos da extinta Rede Ferroviária Federal S.A. - RFFSA, visando, por sua vez, assegurar o cumprimento da função socioambiental desse importante patrimônio público.
A incorporação dos imóveis não-operacionais da extinta RFFSA constitui imposição legal trazida pela Medida Provisória nº 353, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.483/2007, de 31 de maio de 2007.

Art. 2º A partir de 22 de janeiro de 2007:

III- a União sucederá a extinta RFFSA nos direitos, obrigações e ações judiciais em que

esta seja autora, ré, assistente, opoente ou terceira interessada, ressalvadas as ações

de que trata o inciso II do caput do art. 17 desta Lei; e

IV- os bens imóveis da extinta RFFSA ficam transferidos para a União, ressalvado o

disposto no inciso I do art. 8º desta Lei.
O dispositivo acima foi regulamentado pelo Decreto nº 6.018, de 22 de janeiro de 2007, no art. 5º, inciso III.

Art. 5º Durante o processo de inventariança serão transferidos:

(...)

V- Ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão:

a) a documentação e as informações sobre os bens imóveis não-operacionais oriundos

da extinta RFFSA transferidos à União;

b) a base de dados cadastrais dos imóveis não-operacionais oriundos da extinta RFFSA

transferidos à União, para fins de inclusão no sistema informatizado do Patrimônio da

União;

'As seguintes diretrizes deverão ser observadas na condução dos processos de incorporação dos imóveis oriundos da extinta RFFSA:

I- priorização da incorporação dos imóveis com destinação provisória efetuada ou em curso;

II- aderência às prioridades da Administração Pública Federal e às metas estratégicas da SPU, em especial habitação de interesse social (envolvendo regularização fundiária e provisão habitacional) e as ações de apoio ao Plano de Aceleração do Crescimento – PAC;

III- monitoramento e acompanhamento específico dos imóveis não-operacionais e das atividades de incorporação relacionados à extinta RFFSA;

IV- independência dos processos de incorporação e destinação, que deverão ser autuados separadamente e ter trâmites distintos.

 A política de destinação prevista no Programa de Destinação do Patrimônio da Extinta RFFSA para Apoio ao Desenvolvimento Local visa promover a viabilidade de mais um instrumento de fomento aos projetos sociais adiante delineados, e encampados pela Política Institucional do Governo Federal, sem falar, contudo, nas destinações administrativas aos Estados, Municípios e Iniciativa Privada, a partir da utilização dos instrumentos jurídicos de Cessão (nas modalidades Onerosa e Gratuita) e Entrega de Imóveis, que cada imóvel possa deter.
Implantação de projetos de provisão de habitação de interesse social, em especial aqueles financiados com recursos do Governo Federal ( Programa Minha Casa, Minha vida);
Regularização fundiária de áreas ocupadas por população de baixa renda;
Viabilização de projetos inseridos no Plano de Aceleração do Crescimento – PAC;
Preservação e difusão da memória ferroviária, em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional;
Gerenciamento e Renegociação de Dívidas oriundas da Carteira Imobiliária da extinta RFFSA, em atendimento ao Decreto nº 6.769, de 10/02/2009.
As condições básicas para obtenção da cessão ou transferência, em condições especiais, de imóveis não-operacionais da RFFSA são:

Disponibilidade do imóvel não-operacional oriundo da extinta RFFSA;
Possuir projeto para construção, reforma, restauração e/ ou utilização de imóvel não-operacional da extinta RFFSA vinculado a programa, projeto ou ação local de desenvolvimento social, urbano e ambiental;
Indicar origem e disponibilidade de recursos financeiros para a implantação dos projetos de (re)aproveitamento do imóvel;
Declarar interesse e disponibilidade de recursos para promoção pa proteção e manutenção do bem até a efetivação da sua destinação;
Ofertar contrapartida associada a ações de regularização, jurídico-patrimonial (identificação e levantamento físico-cadastral, pesquisa e registro cartorial) e recuperação ambiental (quando necessário), bem como de envolvimento e sensibilização da sociedade na discussão e definição da destinação desse patrimônio.
Os seguintes órgãos e entidades são parceiros da SPU na implementação do Programa:                                                           
Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional – IPHAN
Ministério dos Transportes / Inventariança da extinta RFFSA;
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes -DNIT
Ministério das Cidades;
Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República
                                   
No Estado da Paraíba, 296 (duzentos e noventa e seis) foram os NBP's (Número de Bem Patrimonial) informados, preliminarmente, à SPU pela inventariança da RFFSA, para os devidos procedimentos de inventário e, caso fossem viáveis à política administrativa implementada e prevista no Programa de Destinação do Patrimônio da Extinta RFFSA para Apoio ao Desenvolvimento Local, seguiriam os trâmites processuais necessários à incorporação formal ao Patrimônio da União, bem como sofreriam o engendramento de esforços desta SPU/PB em prol das ações cabíveis à sua destinação.

Nº de Registros Cadastrais/ Edificações Nº Registros Cadastrais / Terreno        Total Registros Cadastrais  
          152                                                        144                                                               296 

Tais imóveis encontram-se distribuídos no Estado da Paraíba em 32 municípios:

 Alagoa Grande, Condado, Malta, São Miguel de Taipu, Areia de Baraúnas,  Cruz do Espírito Santo, Mari, Santa Cruz, Bananeiras,  Duas Estradas, Mogeiro, Santa Helena, Borborema, Guarabira, Pirpirituba, Santa Rita, Cabedelo, Ingá, Pocinhos, São João do Rio do Peixe, Cacimba de Areia, Itabaiana, Pombal, Soledade, Logradouro, João Pessoa, Patos, Sousa, Campina Grande, Juazeirinho, Pilar e Taperoá.

Durante os meses de Julho e Agosto do ano de 2009, foram procedidas pela SPU/PB vistorias técnicas visando o conhecimento prévio do citado imenso acervo imobiliário e que estaria disponível à incorporação por parte do Patrimônio da União. Foram identificados cerca de 160 (cento e sessenta) imóveis, dentre benfeitorias e terrenos, que possuem concatenação com a Política de Gestão Imobiliária defendida pela SPU, bem como com as diretrizes finalísticas previstas no Programa de Destinação do Patrimônio da Extinta RFFSA para Apoio ao Desenvolvimento Local.
Os demais NBP's (benfeitorias ou terrenos), e que não possuem atinência com os encadeamentos institucionais acima expostos, serão remetidos, após novo procedimento de vistoria pelo serviço técnico da SPU/PB, ao Fundo Contingente de Imóveis oriundos da extinta RFFSA, que é gerido pela Caixa Econômica Federal, e que tem a finalidade de assegurar recursos para pagamento das participações dos acionistas minoritários da extinta RFFSA, das despesas decorrentes de condenações ou gravames judiciais que imponham ônus à VALEC ou incidam sobre bens oriundos da extinta empresa, assim como daquelas despesas operacionais relativas à regularização, administração, avaliação e venda dos imóveis não operacionais dele integrantes
Diante de tais informações e do rico banco de dados concebido, esta SPU/PB teve a condição de confeccionar a Projeção Estadual completa de seu Plano de Trabalho dos Serviços de Levantamento Físico-Cadastral, contratado pela SPU, para a feitura e concepção dos documentos técnicos necessários ao pertinente procedimento de incorporação imobiliária, que os imóveis escolhidos devem sofrer. Os referidos serviços devem ser iniciados por volta do mês de Dezembro do corrente ano, e sofrerão a fiscalização de seus procedimentos pela equipe multidisciplinar de fiscais desta SPU/PB, composta pelos servidores Anderson Nogueira Passos, Braz Tavares da Costa, Filipe Mendonça Fagundes e Renan Jorge Menezes Ribeiro, constituída pela PORTARIA Nº 163, DE 19 DE AGOSTO DE 2009, publicada no Diário Oficial de 20 de Agosto de 2009, Seção II.
Logo após a finalização dos trabalhos iniciais concernentes à celebração do primeiro Contrato de Serviços de Levantamento Físico-Cadastral acima mencionado, a SPU/PB espera lançar e divulgar o “Catálogo de Imóveis Não Operacionais da extinta RFFSA no Estado da Paraíba” documento de consulta imprescindível aos demais servidores desta Superintendência, bem como ao público em geral, e que conterá fotos, vídeos e demais informações de todos os imóveis não operacionais existentes no Estado da Paraíba, inclusive com a proposta de destinação/utilização, e que possibilita o conhecimento por parte dos interessados sobre as atividades desenvolvidas no Estado da Paraíba, em prol da incorporação e destinação dos imóveis oriundos da extinta RFFSA.
Paralelamente a tais trabalhos, encontram-se em trâmite demandas administrativas relativas à concessão de Guarda Provisória da Alvenaria da Estação Ferroviária da Cidade de São João do Rio do Peixe, benfeitoria erigida nos ano de 1923, e que é contemporânea a data de fundação daquela edilidade, e que em virtude dos predicados históricos e arquitetônicos que detém, possui valor inestimável aos mais de 20.000 habitantes daquele Município, bem como a demanda de Cessão Provisória da Alvenaria da Estação Ferroviária de Pombal, benfeitora igualmente com alto valor histórico, arquitetônico e cultural, e que interessa diretamente a edilidade do citado município sertanejo.



Estação de Pombal integrante no programa

Estação de São João do Rio do Peixe

Casa do agente ferroviário em São João do Rio do Peixe