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quarta-feira, 1 de junho de 2022

1° de Junho de 2022 - 100 Anos da Chegada do Primeiro Trem a São João do Rio do Peixe

Olá amigos do HFPB. Hoje, dia 1 de junho de 2022, uma data muito especial. Trata-se do centenário da chegada do primeiro trem ao Sertão Paraibano, mais especificamente ao município de São João do Rio do Peixe
De acordo com o relatório do de Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1921, traz um pouco da história de construção desta ligação de ambos os estados nos primórdios:

"Afim de facilitar a construcção das grandes barragens localizadas nos Estados do Ceará e Parahyba do Norte, providenciou-se em junho de 1920, pela Inspectoria de Obras contra as Seccas, sobre a ligação ferroviaria destes Estados.
Fez-se então o reconhecimento para o traçado de uma linha entre Timbaúba, hoje Paiano (km. 474 da Estrada de Ferro de Baturité), e Pilões, e de um subramal destinado ao transporte de materiaes para a construcção da grande barragem no boqueirão de Piranhas."

Como foi explanado acima, a linha tinha como objetivo principal a construção de barragens no Sertão paraibano, por parte do IFOCS, esta ligação férrea entre o Ceará e a Paraíba, com a implantação destes reservatórios, como foi o caso das barragens de Pilões, São Gonçalo e Piranhas, facilitaria o transporte de materiais para as mesmas. O mesmo relatório continua dessa maneira:

"Em janeiro de 1921 já estava sendo executada a linha de Pilões em direcção a Alagoinha, bem como o ramal de Cajazeiras a Pilões, conjunctamente com o trecho de Paiano a Alagoinha.
O serviço de terraplanagem já está prompto até Souza  e atacada a construcção da linha em toda a extensão de Souza a Patos."

Ao terminar o ano de 1921, a construção da linha principal já estava bastante adiantada, além dos ramais também com suas respectivas obras recebendo grandes movimentações de terraplanagem e obras d'artes diversas, como a construção de aterros, lastro, cortes, bueiros, pontilhões, pontes, por exemplo. O assentamento dos trilhos no ramal teve início no mês de novembro. 
Iniciou o ano de 1922 com fortes chuvas, nos primeiros meses, o que deixou lenta a construção da linha, o que atrasou o cronograma previsto. Durante os meses de março a maio os trabalhos de construção da linha e dos assentamentos dos trilhos ficaram bastante reduzidos, devidos a concertos em diversos pontos do trecho pelas intensas chuvas. 
Com as diminuições das referidas chuvas, a partir de maio, o assentamento da linha continuou ao mesmo tempo que se desenvolvia a construção.
Em junho, os trilhos chegam a São João do Rio do Peixe, e a partir daí seguiram em direção a Cajazeiras, e no outro lado em direção a Sousa.
No final de 1922 o Governo Federal cortou boa pate das verbas destinadas ao IFOCS, em especial a construção dos grandes reservatórios mencionados anteriormente. No dia 26 de dezembro de 1922, as obras do trecho a partir de Sousa até Patos foram entregues a Rede de Viação Cearense (RVC), para que esta prossiga com a construção do referido trecho. 
Porém, esta construção prosseguiu de forma bem lenta, muito devido a falta de recursos necessários, como por exemplo, a aquisição de trilhos, atrasando e muito a construção da linha a partir de Sousa. Só chegaria em Pombal em 1932, e só em 1944, mais de vinte anos após o início da linha Ceará-Paraíba, chegaria em Patos
A locomotiva a vapor desta primeira viagem era um trem de lastro, que na ocasião transportava materiais para o prolongamento entre o Estado do Ceará e o Sertão paraibano. Não se tem uma informação precisa de qual foi a máquina que fez esta viagem neste trecho da ferrovia já pronta, mas é provável que tenha sido as máquinas que o IFOCS adquiriu dos Estados Unidos na época para os trabalhos de construção dos açudes e da própria linha. Muitas delas vindas das empresas The Baldwin Locomotive Works e ALCO Locomotive Works.
Deixo aqui este singela lembrança deste dia histórico para a ferrovia paraibana, em especial sertaneja.

Trem de lastro levando materiais para a construção dos Açudes São Gonçalo, Pilões e Piranhas há 100 anos atrás. Possivelmente uma locomotiva da marca Baldwin Locomotive Works. Fonte: O Malho - 11 de novembro de 1922. 

Locomotiva 0-4-0ST da IFOCS construída pela Baldwin em abril de 1922. Trabalhou no canteiro de obras dos Açudes São Gonçalo, Pilões e Piranhas. No mês de abril do corrente ano, o exemplar de número 501, do Museu do Algodão de Campina Grande completou 100 anos de existência. 

Ponte provisória sobre o Rio do Peixe, por onde passa a linha para o Açude de Pilões em 1922. Fonte: O Malho - 11 de novembro de 1922. 

Ponte provisória sobre o Rio do Peixe, na entrada de São João do Rio do Peixe com dormentes de madeira servindo de pilares. Fonte: O Malho - 11 de novembro de 1922. 

terça-feira, 26 de abril de 2022

Imagens Antigas da Locomotiva Baldwin 501 do Museu do Algodão em Campina Grande

Olá amigos do HFPB. Em mais uma postagem comemorativa do centenário da locomotiva 501 do Museu do Algodão de Campina Grande, trago desta vez imagens antigas da mesma em alguns anos registrados.
Como foi postado anteriormente, a locomotiva 501 (segundo fontes chamava-se "Cafuringa") construída em abril de 1922 pela Baldwin Locomotive Works em Filadélfia, Estados Unidos, foi adquirida pelo Governo Federal através do então IFOCS (Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas), posteriormente DNOCS, para o transporte de materiais necessários para a construção de açudes no Sertão do Estado.
A galeria traz, na primeira imagem, uma bela foto de fábrica de 1922, do modelo correspondente adquirido pelo IFOCS, inclusive com sua inscrição no tanque envolvente da caldeira. Esta imagem foi gentilmente enviada pelo pesquisador ferroviário Jonas Martins. A cor original da 501 era preta, porém recebeu uma pintura verde em seu tanque e cabine.
Segue com imagens da década de 1970, quando a mesma foi adquirida pela Prefeitura Municipal, juntamente com a EMBRAPA para compor o acervo material do novo Museu do Algodão, inaugurado em 1973. Estas referidas imagens foram extraídas da antiga revista do jornal Diário da Borborema, intitulada TUDO, de 17 de abril de 1977.  
A galeria ainda conta com imagens coloridas da aniversariante do final da década de 1970, passando para a década de 1980. 
Deixo aqui mais uma vez uma singela homenagem a esta simpática locomotiva centenária.

Foto de fábrica da Baldwin de abril de 1922 do modelo adquirido pela IFOCS para as obras da mesma no Sertão paraibano, o qual faz parte a 501. Autor descohecido

A 501 antes da reforma para a sua acomodação no Museu do Algodão na década de 1970. Fonte: Revista TUDO, 17 de abril de 1977 

A 501 antes da reforma para a sua acomodação no Museu do Algodão na década de 1970. Fonte: Revista TUDO, 17 de abril de 1977 

A 501 antes da reforma para a sua acomodação no Museu do Algodão na década de 1970. Fonte: Revista TUDO, 17 de abril de 1977 

A 501 já acomodada no pátio da antiga "Estação Velha", em 1977. Fonte: Revista TUDO, 17 de abril de 1977 

A 501 no pátio da antiga "Estação Velha" no final da década de 1970. Autor desconhecido

A 501 no pátio da antiga "Estação Velha", na primeira metade da década de 1980. Notar a chaminé e a caixa de areia já pintadas de branco. Autor desconhecido

quarta-feira, 12 de maio de 2021

A União - 12 de Maio de 1923 - A Perfuração do Túnel de Bananeiras

Olá amigos do HFPB. Hoje, 12 de maio de 2021, completa exatos 98 anos de uma matéria do jornal A União, ou seja, no dia 12 de maio de 1923, com o seguinte título "A perfuração do tunel de Bananeiras". A referida matéria traz um apelo do então Presidente do Estado da Paraíba, o Dr. Solón de Lucena, para não retirar a perfuratriz no túnel que estava sendo escavado para o prolongamento da linha férrea em direção a cidade de Bananeiras.
Faltava muito pouco para que o Túnel da Serra da Viração fosse totalmente aberto, estabelecendo o tráfego até a estação de Bananeiras, com o prédio desta sendo concluído. 
Não seria justo, depois de muitas intempéries na escavação do túnel, vir a parar justamente perto de sua conclusão. 
Na época, uma frase ficou muito famosa, demonstrando o total empenho e interesse por esta obra; "O trem chegará a Bananeiras nem que seja por debaixo da terra"Frase esta dita por Solón de Lucena. Bem, se o Presidente da Parahyba realmente falou esta frase, isto não sabemos, porém, não deve negar o enorme empenho em trazer o trem até seu torrão natal sem desistir, a mítica frase dita pelo governante tem pleno sentido.  
A resposta do então Presidente da República, Arthur Bernardes, foi positiva. A matéria completa descreveremos abaixo, confira:

"Com a politica de economias, adoptada pelo sr. dr. Arthur Bernardes, as obras do nordeste sofreram grande diminuição de intensidade, sem, comtudo, prejudicar a marcha do plano executado da Inspectoria Central das Sêccas.
Aqui, na Parahyba, como nos outros Estados nordestinos, foram suspensas temporariamente várias obras, no numero das quaes foi incluida a perfuração do tunel da estrada de ferro de Bananeiras.
O sr. dr. Solon de Lucena, presidente do Estado, entendeu-se a respeito com o sr. dr. Arthur Bernardes, tendo recebido hontem, firmado pelo sr. ministro Francisco Sá, titular da pasta da Viação, o seguinte despacho telegraphico:

"RIO, 9 - Exmo. presidente Estado - Parahyba - Conforme indicação vossencia ordenei não seja retirada a perfuratriz que se acha trabalhando no tunel de Bananeiras, para cujo prosseguimento fiz providenciar. Saudações cordiaes - FRANCISCO SÁ".

Nada mais gratificante ao receber aval no prosseguimento dos trabalhos de conclusão de perfuração do Túnel da Serra da Viração, que em pouco mais de dois meses seria totalmente perfurado, de ponta a ponta, naquele 1923. A profecia do Presidente (Governador) Solón de Lucena estava concretizada. 

O Túnel da Serra da Viração em construção. Fonte: A Parahyba e Seus Problemas, 1 Edição, José de Américo de Almeida, 1923.

Entrada norte do Túnel da Serra da Viração nos primeiros meses de perfuração. Fonte: Illustração Brasileira, Setembro de 1922.

Entrada sul do Túnel da Serra da Viração nos primeiros meses de perfuração. Fonte: Illustração Brasileira, Setembro de 1922.

sábado, 21 de novembro de 2020

A Locomotiva Baldwin 501 do Museu do Algodão em Campina Grande

Olá amigos do HFPB. Hoje, trago até vocês um pouco da história da simpática locomotiva a vapor "Maria Fumaça", que está no pátio do Museu do Algodão em Campina Grande, desde meados da década de 1970.
Na antiga estação da GWBR (Great Western of Brazil Railway) em Campina Grande, hoje, Museu do Algodão, no qual guarda um precioso acervo histórico com alguns objetos ferroviários, utensílios domésticos e, sobretudo objetos e fotos do principal cultura que alavancou a economia campinense por décadas. Podemos encontrar no pátio do Museu um belo e preservado exemplar de uma “Maria Fumaça”, nome popular das conhecidas locomotivas a vapor.
Esta locomotiva é do tipo “Four-Wheeler”, ou seja, com composição de rodas 0-4-0ST (classificação Whyte). A classificação "ST" (Saddle Tank), ou simplesmente "Tanque Sela", devido a este envolver totalmente a caldeira, característica dessas máquinas, sem o auxilio de um vagão tender para o transporte d'água. 
Construída pela grande empresa “The Baldwin Locomotive Works” na cidade de Filadélfia, Estado da Pensilvânia, Estados Unidos em abril de 1922, Classe 4-16-C, possui 5,40 metros de comprimento, diâmetros dos cilindros de 40 cm, peso total da locomotiva é de 17.900 kg, sua força de tração era de 3.500 kg. Sistema de distribuição do tipo walch. Seu prefixo é 501, com número de série 55359.
Esta locomotiva foi construída especialmente para trabalhos a serviço da Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas (segundo grafia da época) IFOCS, órgão atrelado ao Governo Federal, com o objetivo construir açudes no Alto Sertão paraibano, a exemplo dos açudes Pilões, São Gonçalo e Piranhas, no início da década de 1920. Foram adquiridas algumas locomotivas para esta empreitada.
Estas pequenas locomotivas eram destinadas ao transporte de lastro, e todo material empregado na construção de trechos ferroviários no Sertão, além de transportar o material na construção dos referidos reservatórios d'água.
Posteriormente com a conclusão dos referidos reservatórios d’água na década de 1920 todas as obras em andamento do IFOCS foram paralisadas por ordem do Governo Federal em 1923, no governo de Arthur Bernardes. Ás máquinas pertencentes ao órgão foram adquiridas pela RVC (Rede de Viação Cearense) que as utilizaram especialmente como locomotivas manobreiras.
Segundo alguns relatos colhidos, ela era conhecida carinhosamente de "Cafuringa".
Em meados da década de 1970, mais precisamente no governo municipal do então Prefeito Evaldo Cavalcanti Cruz, adquiriu este exemplar, já sem utilização no emprego de atividades ferroviárias, para compor o material de exposição do primeiro Museu do Algodão, este inaugurado em 1973. Desde então é uma das principais atrações aos visitantes que frequentam este espaço público.
Entre 2006/07, passou por uma recuperação externa, já que a mesma estava muito desgastada, onde fora trocada a cabina, recebeu nova pintura, placas, peças, novos domos, limpas trilhos (sem necessidade, já que as originais não tinham esta peça), entre outros. Também foi construído um abrigo em alvenaria para proteger a mesma das intempéries do tempo.
Esta reforma estética foi para a comemoração do centenário da chegada da ferrovia em Campina Grande, em 2007.
Trata-se do último exemplar ainda preservado deste tipo de locomotiva no Estado da Paraíba

FONTES: Inventário das locomotivas a vapor no Brasil: Memória Ferroviária. Regina Perez, Notícia & Cia., 2006.
Relatório do Governo Federal Ministério de Viação e Obras Publicas, 1922.

Aspecto da 501 no Museu do Algodão em Campina Grande. 

Aspecto da 501 no Museu do Algodão em Campina Grande. 


Originalmente a locomotiva não tinha limpa trilhos, nem dianteiro e traseiro, incorporados com a reforma de 2006/07.

Originalmente a locomotiva não tinha limpa trilhos, nem dianteiro e traseiro, incorporados com a reforma de 2006/07.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Há 95 Anos Era Inaugurada a Estação de Bananeiras

Olá amigos do HFPB. Hoje, 30 de julho, comemora-se exatos 95 anos de inauguração oficial da estação de Bananeiras, ou seja, no dia 30 de julho de 1926, levando finalmente os trilhos aquela bela cidade brejeira.
A história do Ramal de Bananeiras remeta-se desde o final do século XIX, quando foi encontrado minerais de grande valor em território pertencentes ao atual município de Picuí, Seridó oriental paraibano. Estes minerais seriam transportados através de uma grande ferrovia que sairia a partir de Independência (posteriormente Guarabira) até o município seridoense. 
Dentre as localidades contempladas com o prolongamento até Picuhy (segundo grafia da época), estaria a vistosa cidade de Bananeiras, que estaria na trajetória dos trilhos. Os trabalhos deram início a partir de 1910, e em 20 de dezembro de 1910, partindo da localidade de Itamataí (cuja estação foi concluída em 1911) até a parada do Km - 10 (parada Sítio Grossos), localizado no atual município de Pirpirituba
As obras prosseguiram adentrando escarpas de montanhas entre o trecho até chegar à Serra da Samambaia. Neste trecho foi construído o famoso Túnel da Serra da Samambaia, o primeiro túnel ferroviário construído na Paraíba (este túnel faz uma curva). 
Em 24 de novembro de 1913 foi entregue o trecho até a estação da povoação de Boa Vista (posteriormente Camucá e Borborema) já em território bananeirense. No mesmo dia foram inauguradas também a estação de Cacimbas (entre Pirpirituba e Borborema, destinada a provisão de mantimentos) e o Túnel da Serra da Samambaia. No trecho foram construídos inúmeros cortes e aterros sempre escarpando as serras em uma das mais belas vistas de todo o trecho.
Depois da inauguração da estação de Cacimbas e Borborema em novembro de 1913, as obras foram paralisadas devido a cortes no orçamento. 
Somente a partir de 1920, com algumas alterações do projeto original, foram autorizadas o prolongamento do trecho paralisado em Borborema pelo então Presidente da República, o Sr. Epitácio Pessoa. As obras foram iniciadas imediatamente e deveria prosseguir até Picuí.
De acordo com o Diário Oficial da União (DOU) de 30 de Janeiro de 1920, que transcrevo da seguinte maneira: 

"O ministro de Estado da Viação o Obras publicas, em nome do Presidente
) da Republica
obra:
Resolve nomear o engenheiro João Botinas para exercer o cargo de engenheiro-chefe da nommisslo constructora do ramal ferre° de independencia.a Picuhy, no Estado • da Para-, ayba do Norte, com os vencimentos que lhe coma pearem.
• Rio de Janeiro, 26 do- janeiro de 1920.
O expediente de 28 de janeiro de 1920 trazia o seguinte:
Sr. inspector federal das Estradas: •
Passo ás vossas mãos; para VOSSO 'conhecimento, a inclusa cópia da portaria de 26 do corrente mez, mandando applicar, na construcção do ramal ferreo de independenaia. a Picuhy, no Estado da Parahyba, as iestruações regulamentares e tabelas de vencimentos approvada,s por portarias do 13 de outubro e 2 de dezembro do armo findo..."

A partir de 1921 teve início da perfuração do grande Túnel da Serra da Viração, praticamente as portas de Bananeiras. Porém com a elevada carga de chuvas no ano de 1922 e os inúmeros acidentes ocorridos por deslizamentos às obras se atrasaram por todo o ano. A estação de Bananeiras já estava praticamente pronta em 1922, só esperando a total perfuração do túnel e a colocação dos trilhos. Também no trecho foi construída no sítio Manitu uma pequena estação com casa de agente e um armazém.
No dia histórico dia de 22 de outubro de 1922 ocorreu a inauguração do trecho entre a estação de Borborema até a chamada "Bocca do Tunel", ou seja, uma parada improvisada na entrada do Túnel da Serra da Viração que estava sendo perfurado.
A data de 22 de outubro escolhida para os festejos, refere-se ao 2º ano de governo do maior incentivador do projeto do trem chegar a Bananeiras, o então "Presidente do Estado da "Parahyba" o Sr. Solón Barbosa de Lucena, filho da terra que inúmeros esforços empreenderam pra ver o sonho do trem um dia chegar ao sua terra natal.
O Sr. Solón Lucena, disse certa vez que "O trem chegará a Bananeiras nem que seja por debaixo da terra", e assim foi feito e esta frase ficou imortalizada. Além dos festejos de inauguração do trecho, ocorreu uma partida futebolística envolvendo as equipes do Bananeiras Football Club e o Borborema Sport Club, ocorrida em Bananeiras no mesmo dia. Também foram oferecidas uma grande janta para as autoridades e participantes da partida histórica.
Destaca-se também o dinamismo do Engenheiro Chefe da "Commissão de Obras Contra as Seccas" em Bananeiras o Dr. Marques de Azevedo, grande responsável pela realização dos trabalhos de prolongamento do ramal. Segunda a revista Era Nova de 24 de dezembro de 1922:

"...sendo um dos seus promotores procipuos o engenheiro Marques de Azevedo, chefe da Commissão de Obras Contra as Sêccas, naquella florescente cidade serrana, em cujo cargo vem se revelando um funccionario modelar e com notoria capacidade e efficiente inteligencia." 

Mas o sonho do prolongamento da obra foi interrompido no final de 1922, com um Decreto Federal do recém-empossado Presidente da República Arthur Bernardes que suspendia todas as obras em andamento no País e isto incluía a "Estrada de Ferro Independencia - Picuhy", que fora paralisada por completo.
Sabendo disso o Dr. Solón de Lucena entendeu-se com o Presidente Arthur Bernardes e este atendeu de imediato o pedido de retomada imediata da perfuração do túnel e sua conclusão até Bananeiras. E então as obras continuaram devido ao empenho direto do Dr. Solón de Lucena.
Finalmente o túnel fora perfurado, como relata o jornal A União de 27 de julho de 1923, que trazia, entre outras, a notícia de que a perfuração do túnel em Bananeiras já havia sido concluída e que o então Presidente do Estado, Solón de Lucena, recebera a agradável notícia. Porém, no dia 25 de novembro de 1923 ocorreu mais um fato histórico, a primeira locomotiva atravessava o Túnel da Serra da Viração. Fato este também muito comemorado pela população local, que fez lotar a bela estação de Bananeiras para ver finalmente o "gigante de ferro soltando fumaça pelas ventas".
Em 30 de julho de 1925 a estação de Bananeiras foi oficialmente inaugurada, sendo aberto oficialmente o tráfego do referido ramal.
Havia uma esperança que os trilhos pudessem prosseguir em direção a Picuí. Por isso, no início da década de 1950, o Governo Federal liberou verbas para a continuação do ramal paralisado no início da década de 1920 em direção a cidade seridoense. 
Diversas obras d’artes foram realizadas, porém, mais uma vez, os trabalhos foram cancelados, desta vez, definitivamente. 
Provavelmente os recursos que seriam destinados a este prolongamento foram transferidos em detrimento ao prolongamento do ramal Campina Grande a Patos, que estava a todo o vapor.
Algumas das obras d’artes realizadas neste período ainda podem ser encontradas partes delas nos municípios de Solânea, Casserengue e Barra de Santa Rosa.
Porém, o plano original era avançar com o prolongamento da linha até Picuí, passando pelos atuais municípios de Solânea, Barra de Santa Rosa, Jacu (distrito pertencente à Cuité) e finalmente chegar à importantíssima região do Seridó Paraibano Oriental, em Picuí e seu rico minério que despontava em suas terras. Porém as obras com havia sido mencionado anteriormente foram paralisados, com os trilhos indo até Bananeiras.
O ramal foi suprimido em 1966, por ordem de Decreto do Governo Federal que extinguia ferrovias que não fossem de relevância econômicas, e que seriam altamente deficitárias. Pouco tempo após este decreto, todo o material como trilhos, dormentes, estruturas de pontes, postes telegráficos, entre outros, foram totalmente retirados.
Infelizmente através do Decreto Federal de 1966, o velho Ramal de Bananeiras foi totalmente desativado e seus trilhos ao longo dos anos retirados, muitos deles para virar ferro velho e seus dormentes usados para alimentar caldeiras de engenhos da região. 
Resta apenas as estruturas físicas como as estações em número de 6 estações e 2 paradas confirmadas (município de Pirpirituba), 1 parada ainda por confirmar (município de Bananeiras), dois túneis, além das demais obras d’arte como pontes, aterros, bueiros, cortes e pontilhões. 
A bela estação de Bananeiras encontra-se bem preservada juntamente com seu antigo armazém tornaram-se Hotel e Restaurante Estação, recebendo visitas de turistas de diversas partes do Estado e do Nordeste. A antiga Casa do Chefe da Estação, tornou-se o Museu Desembargador Cananeia. Com absoluta certeza está dentre as construções mais belas de toda a história da ferrovia paraibana. E hoje, saúdo esta simpática e querida estação pelos seus 95 anos de inauguração.

Estação na época de sua inauguração em 1925. Railway Gazette, 1926. 

Construção da estação e armazém em 1922. Fonte: Revista Illustração Brazileira, set, 1922.

Construção da estação por volta de 1923. Fonte: Filme Sob o Céu Nordestino, 1929.

Mais uma cena da construção da estação e armazém extraída do filme Sob o Céu Nordestino, 1929. 

A estação em 1956. Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, IBGE, 1960.

sábado, 30 de maio de 2020

Obras D'Artes - Construções de Uma Ferrovia Que Nunca Passou - Santa Luzia

Olá amigos do HFPB. Hoje trago a vocês imagens extraídas do blog marioferreira90.blogspot.com, pertencente ao Sr. Francisco Roberto Ferreira, o nome do blog é uma homenagem ao seu pai, Mario Ferreira de Medeiros, blog este que traz pouco da história de sua terra natal, Santa Luzia, na Microrregião do Seridó Ocidental, Sertão do Estado.     
Francisco, trás em seu blog imagens fantásticas de obras d'artes diversas, do que seria o "Ramal de Penetração", obra esta iniciada em 1921 e consistia em ligar os Estados do Ceará a Paraíba, via férrea. 
Partindo de Alagoa Grande, o traçado passaria por diversas localidades a exemplo de Alagoa Nova, Esperança, Pocinhos, Soledade, Juazeirinho até passar pelo município de Santa Luzia, seguindo até Patos, onde as duas frentes de trabalho se encontrariam, a outra frente partiria do Ceará passando pelo Sertão paraibano até chegar em Patos. Aliás, esta foi a única obra que realmente foi concluída, já na década de 1940.
Muitas obras neste trecho partindo de Alagoa Grande foram iniciadas, e muitas delas concluídas, como por exemplo, o gigantesco bueiro localizado na divisa dos municípios de Alagoa Grande e Alagoa Nova, conhecido como "Ponte do Quinze", sendo este assunto de uma postagem em janeiro de 2019.
No caso específico de Santa Luzia, as obras em destaque estão localizadas a 7 km da sede municipal, nas proximidades da BR - 230, no Sítio Olho D'Água, ao lado da bela Serra da Tubiba.  De acordo com o blog de Francisco, "são bueiros em pedras e alvenaria, aterros e cortes prontos para o assentamento dos dormentes".
Realmente, estas construções abandonadas nos mostram as práticas empregadas na construção ferroviária em princípios do século XX, continuando praticamente intactas, atestando o tão bem feito trabalho realizado neste trecho.
Os trabalhos de construção do referido ramal estava indo "de vento em popa" entre 1921 e 1922, até o parecer do Marechal Cândido Rondon, que cita o seguinte: " ... o ramal sem prejuízo poderia esperar para ser construído, a terminação das grandes açudagens e dos canais de irrigação, mesmo porque é de presumir que só passa a ter tráfego apreciável depois de removido as causas das secas." Trecho retirado no livro: A Paraíba e Seus Problemas, José Américo de Almeida, II. Edição, 1980. 
Além do citado acima, o referido Marechal também citou o fato do traçado excluir a mais importante cidade do interior paraibano e consequentemente nordestino, Campina Grande, não havendo nenhum motivo aparente para tal exclusão, apenas por "pura perseguição" por parte de alguns políticos e comerciantes de algumas localidades, por exemplo.
Outo fato que teve fundamental impacto da não continuidade das obras de prolongamento, foi quando o novo Presidente da República assumiu em novembro de 1922 no lugar do paraibano Epitácio Pessoa, Arthur Bernardes, o mesmo cortou verbas destinadas as obras do antigo IFOCS, Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas, paralisando imediatamente esta e outras obras espalhadas por toda a Paraíba.
Já a frente de trabalho de prolongamento que partiria do Ceará, prosseguiu as obras sendo totalmente concluídas apenas em 19 de abril de 1944, quando foi inaugurada a estação de Patos. Os materiais que seriam destinados a frente de trabalho entre Alagoa Grande e Patos, foram todos destinados a essa frente de trabalho sertaneja. 
Quando o Governo Federal autorizou, na década de 1940, o tão sonhado prolongamento entre Litoral e Sertão, ligando Paraíba e Ceará, consequentemente outros Estados nordestinos via férrea, Santa Luzia não foi contemplada no traçado. Originalmente, o traçado após Juazeirinho passaria por Santa Luzia, porém, o novo traçado passou a cortar terras onde atualmente estão localizados os municípios de Assunção, Salgadinho, Areia de Baraúnas, Passagem, Cacimba de Areia, até chegar em Patos. Como mencionado em postagens anteriores, o Ramal Campina Grande - Patos foi inaugurado oficialmente em 8 de fevereiro de 1958.
Agradeço Francisco Roberto pela fantástica ajuda na elaboração desta postagem de uma história praticamente esquecida da grande maioria da população paraibana.
Confira abaixo as imagens captadas no blog de Francisco:


Entrada de um Bueiro em pedra e concreto concluída. Resistindo ao tempo e abandono, desde 1922. Na realidade foram construídos na área em torno de 3 bueiros com este aspecto, porém, na região possa haver outras construções similares em toda a região de Santa Luzia onde o traçado cortaria o município.

A outra extremidade do bueiro inacabada.

Material em pedra na confecção de um bueiro.

Detalhes da entrada de um bueiro inacabado.

Bueiro inacabado.

Bueiro inacabado.

Entrada de um bueiro. 

Entrada de um bueiro inacabado. 

Pequeno pontilhão praticamente concluído.

Início da escavação de um Corte inacabado.

Início da escavação de um Corte inacabado.

Mais um corte inacabado.

Aterro inacabado. 

Parte de um aterro, ao fundo a Serra da Tubiba.

Aspecto de parte de uma área aonde receberia a linha férrea, algo que jamais aconteceu. Ao fundo a bela Serra da Tubiba.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ponte do Rio do Peixe – Aparecida

A Ponte do Rio do Peixe localiza-se no município de Aparecida, Sertão paraibano, vizinho ao município de Sousa. Sendo ela localizada nas proximidades da histórica Fazenda Acauã.
A referida ponte fica próxima à antiga estação Acauã (demolida há anos) e tem sua história ligada diretamente com esta fazenda, uma das mais importantes e antigas de todo o Sertão nordestino. 
Foi construída pelo IFOCS no início da década de 1930, no prolongamento da linha férrea entre Sousa a Pombal, sendo esta inaugurada em 24 de outubro de 1932. Sendo administrada pela RVC (Rede de Viação Cearense).
A ponte segue os padrões de construção da época, feita de metal fundido, apoiados por ombreiras de pedra e cimento, tem apenas um vão com 15 metros e comprimento e cerca de 4 metros de altura. 
A estação além do transporte de mercadorias da fazenda e da região, também era destinada ao transporte de passageiros, onde foi construída uma casa do chefe da estação e caixa d'água para o abastecimento das locomotivas a vapor.
Infelizmente com o fim do tráfego de passageiros pelo interior paraibano em 1980, a estação foi demolida sem houver nenhum respeito com a memória ferroviária local. Um verdadeiro crime contra o patrimônio histórico. Em 2013, o último trem de carga passou pela região sem a menor perspectiva de volta.

Foto de Paulo Abrantes em 2009 da Ponte do Rio do Peixe em Aparecida

Ponte do Pintado - Sousa/Aparecida

A Ponte do Pintado, foi construída no início da década de 1930, pela Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas (IFOCS), antigo nome do DNOCS, sendo administrada posteriormente pela RVC (Rede de Viação Cearense). 
A ponte localiza-se sobre o Rio Piranhas, na divisa dos municípios de Sousa e Aparecida, no local chamado Pintado, no  Sertão paraibano. 
A ponte segue o padrão de construções da época, feitos a partir de ferro fundido, apoiados por grandes ombreiras e pilares de pedra e concreto armado, tendo 62 metros de comprimento e aproximadamente 5 metros de altura. 
Trata-se de uma importante obra d’arte de parte integrante do prolongamento ferroviário entre Sousa a Pombal, inaugurada oficialmente em 24 de outubro de 1932. 
O prolongamento consistia em unir via férrea, os Estados do Ceará e Paraíba, obra esta iniciada em 1920 e concluída apenas em 8 de fevereiro de 1958, quando finalmente esta união foi definitivamente concluída.  
Como todas as obras d’artes, assim como a linha, estações, entre outras, estão completamente abandonadas desde o início da década de 2010. 

Foto de Paulo Abrantes em 2009 da Ponte do Pintado