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segunda-feira, 29 de abril de 2024

A Restauração da Estação de Guarabira é uma Realidade ?

Olá amigos do HFPB. Depois de um longo período de publicações, estou retornando para anunciar que depois de um longo período desde que foi desativada, no início do século XXI, a estação de Guarabira parece que será restaurada. 
Segundo o geógrafo guarabirense, Daniel da Silva Fernandes, incansável guardião e defensor da memória e história de seu torrão natal, a Prefeitura Municipal local, finalmente, restaurará a velha estação, em alusão aos seus 140 anos de inauguração, que ocorreu no dia 4 de junho de 1884. Será a primeira restauração em décadas. Segundo informações passadas pelo próprio Daniel, disse que a Prefeitura Municipal pretende revitalizar o espaço em torno da estação, construindo um parque. 
O prédio da estação será destinado a Secretaria de Cultura e também a implantação do Museu do Algodão, já que esta cultura foi de vital importância para o desenvolvimento local, sendo exportada através da ferrovia.
O antigo carro de passageiros (vagão) conseguido pela própria Prefeitura Municipal de Guarabira, através da CBTU anos atrás, e que infelizmente hoje totalmente vandalizado, assim como a estação, será também revitalizada, e o que consta, é que destinará a sediar uma biblioteca comunitária.
As obras de restauração da estação, tiveram início de forma massiva no dia 10 de abril e a pretensão é terminar as obras, pelo menos de restauração da estação antes do dia 4 de junho, como mencionado anteriormente, comemoração dos 140 anos de inauguração da estação, mesmo que esta configuração atual não seja a original do século XIX, inaugurada pela The Conde D'Eu Railway Company Limited
Lamentavelmente, o que Daniel constatou, e foi avisado pelo mesmo as autoridades locais, é o sistemático furto de peças de ferro fundido em torno da estação, a exemplo de uma belíssima balança, construída em 1904 a pedido da GWBR, pela histórica fábrica W & T Avery  Ltd., com sede em Birmingham, Reino Unido, fabricantes de balanças desde o século XVIII. Esta histórica peça estava montada diretamente no piso do depósito anexo da estação destinado a pesar fardos de algodão, entre outros. A parte superior da balança foi desmontada por vândalos com o intuito de vender as peças de ferro fundido para o consumo de entorpecentes. Não restando praticamente quase nada da antiga balança, lamentável. 
Fico extremamente contente com este projeto, ficando na torcida para que realmente seja concluída toda as obras previstas, mesmo que a grande parte da histórica balança tenha se perdido pra sempre, a história da ferrovia paraibana merece ser respeitada e reconhecida. 

Imagem da estação de Guarabira no início de sua restauração. Foto: Daniel Fernandes, 29-04-2024

Estação antes do início da restauração. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Mais um aspecto da estação antes do início da restauração. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Tijolos, indicativo do início da restauração da estação. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Aspecto do interior da estação, extremamente deteriorado. Foto: Daniel Fernandes, março 2024 

Local da antiga balança da W. & T. Avery Ltd, inglesa de 1904. Restando pouco da referida balança. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Parte do início das obras de restauro da estação nesta parede externa. Foto: Daniel Fernandes, março 2024

Algumas parte, como a antiga bilheteria, com partes rebocadas, dando o início da restauração. Foto: Daniel Fernandes, março 2024 

A histórica balança W. & T. Avery de 1904, ainda intacta. Foto: Daniel Fernandes, 2015

Evolução do sistemático roubo das peças de ferro fundido da histórica balança W. & T. Avery, ao longo dos últimos 9 anos. Foto: Daniel Fernandes 

terça-feira, 13 de julho de 2021

Raridade - Bilhete de Passageiros da Great Western

Olá amigos do HFPB. Hoje trago a todos vocês uma raridade enviada gentilmente pelo pesquisador Daniel da Silva Fernandes de Guarabira. Trata-se de um antigo bilhete de passageiros da imemorial Great Western of Brazil Railway (GWBR) pertencente ao Senhor Eduardo Cavalcanti, mas o mesmo não explicou a Daniel a quem pertencia na época, provavelmente alguém da família.
O bilhete remete a uma viagem realizada entre as estações de Parahyba (João Pessoa) a Guarabira no dia 1 de janeiro de 1930 com o preço de 13$600, uma quarta-feira em uma distância entre as duas cidades via férrea é de 95 quilômetros. 
Não dá pra notar de a passagem é de 1° ou 2° classes, já que foi trincada mesmo acima do número indicativo, porém acredito que tenha sido de segunda classe.
Segundo um anuncio da companhia através do jornal Diário de Pernambuco circulado em 7 de fevereiro de 1929, os horários passaram por mudanças da Seção Norte, saindo de Cabedelo as 9:40 horas aos domingos, segundas, quartas e sextas-feiras, em lugar das 8:00 horas antes marcada com destino as estações de Entroncamento (Paula Cavalcanti) e Guarabira.
Realmente é uma peça rara e bem conservada, já que se passaram mais de 91 anos deste bilhete. 



Raridade - Bilhete da antiga Great Western em 1930

Anuncio da Great Western de 7 de fevereiro de 1929 estabelecendo um novo horário para o trecho até Guarabira

Estação de Parahyba (João Pessoa) no final da década de 1920. Local de partida do referido bilhete.

Estação de Guarabira. Local de destino da viagem de 1 de janeiro de 1930.

quinta-feira, 4 de março de 2021

120 Anos da Inauguração da Estação de Itabaiana

Olá amigos do HFPB. No dia 5 de janeiro (desculpem pela demora em postar), comemorou-se 120 anos de inauguração da estação de Itabaiana com a chegada oficialmente do primeiro trem.  
De acordo com o ótimo livro, Itabaiana, Sua História - Suas Memórias 1500 - 1975 de Sabiniano Maia:

"Itabaiana, como as demais localidades do Estado, sofria deficiência de estradas transitáveis, isto desde o século dezesseis até meados do dezenove, quando a estrutura viária começou a despontar na consciência do administrador público, à frente de problemas outros, de ordem prioritária...
Até então, não havia estradas, existiam, sim, veredas matas a dentro, que com o tempo, se transformavam em caminhos, cabendo apenas um animal. Fora mais de um, e a fila indiana obrigatória.
Chegando o carro de boi, os caminhos se alargavam, permanecendo, contudo, os atoleiros, às vezes intransponíveis"...

Essa foi a realidade de inúmeras localidades pelo interior do Brasil afora por muito tempo. As dificuldades eram gigantescas, e o perigo em transitar estradas tão primitivas exigiam o máximo de conhecimento, cuidado e perícia dos pioneiros condutores. 
A maioria dessas conduções eram feitas montados em lombo de cavalos, mulas, ou no carro de boi, como mencionado, e o perigo estava sempre a espreita, seja por saqueadores, ou pela própria geografia em contornar rios, serras e montanhas, desfiladeiros, vales suntuosos,  cânions,  enfim, uma gama de situações que exigiam cuidados redobrados.   
Passado séculos, a situação começa a mudar a partir da segunda metade do século XIX, mais precisamente a partir da década de 1850, um transporte mais eficiente que o carro de boi apareceu em terras nacionais.
Na Paraíba, como postado anteriormente, o transporte ferroviário teve início em 1875, quando foi organizada em Londres, Inglaterra, uma companhia com finalidade específica em implantar tal benefício no Estado, companhia esta que se chamaria The Conde D'Eu Railway Company Limited, ou simplesmente, Conde D'Eu
Os trabalhos de construção da primeira linha férrea da Paraíba tiveram início em 9 de agosto de 1880, e em 7 de setembro de 1883 foi inaugurado o tráfego da linha principal até a povoação de Caramazal (Mulungu).
Em 28 de dezembro de 1883, a ferrovia atingia Pilar, importante centro agro-pastoril do vale do Rio Paraíba. Não prosseguindo o prolongamento a partir daquele ponto em encontro ao Estado de Pernambuco enquanto a Conde D'Eu era detentora da malha ferroviária. 
Em Recife, outra companhia se organizava para colocar fim nesta distância entre as capitais de ambos estados, era a "Estrada de Ferro do Recife ao Limoeiro". Já no final da década de 1880, já alcançava a cidade de Timbaúba, na divisa com o Estado da Paraíba, era um sonho se tornando realidade. 
Segundo mais uma vez o livro Itabaiana, Sua História - Suas Memórias 1500 - 1975 de Sabiniano Maia:

"A viagem entre as duas capitais, demandava um período de três dias: no primeiro, de trem da Paraíba (capital) ao Pilar; no segundo, a cavalo, do Pilar a Timbaúba, passando por Itabaiana; no terceiro, retomando o trem em Timbaúba, para chegar à tarde ao Recife. O regresso obedecia ao mesmo itinerário."

Aquela situação não poderia de forma alguma prosseguir. O contrato original da Conde D'Eu previa que apenas chegar até Pilar, não avançando a partir desta localidade, ficou a Estrada de Ferro Recife ao Limoeiro ficar na incumbência deste prolongamento, entre Timbaúba e Pilar.  
Em julho de 1900, no limiar do novo século, assentou os trilhos na estação de Rosa e Silva, divisa com a Paraíba.  

"Além da esperança de novas inaugurações, notava-se uma sensação de alívio em quem vinha do Pilar pegar o trem em Rosa e Silva, poupando-se do saculejo do lombo do animal em cerca de doze quilômetros, se houvera de ir à Timbaúba". 

Finalmente, seis meses depois, em 5 de janeiro de 1901, o tão aguardado dia havia chegado. Era a inauguração do trecho até Itabaiana, com um trem recebido em grande festa popular, trazido pela Estrada de Ferro Recife ao Limoeiro. A locomotiva estava enfeitada com folhas de palmeira catolé, abundantes, à época, na região.
A estação seguia o modelo de construção simples, sem maiores adereços arquitetônicos em sua fachada, com duas plataformas, uma na própria estação e outra defronte desta.

No limiar do novo século, eis que Itabaiana recebe um presente e tanto. O desenvolvimento no local não tardou, já que inúmeros prédios vistosos, praças, coreto, energia elétrica, indústrias e até mesmo um sistema de bondes puxados a força equina apareceram em poucos anos após a introdução do transporte ferroviário. 
Fatores estes que puseram Itabaiana como uma das cidades mais prósperas da Paraíba na primeira do século XX.

A estação a partir de então, tornou-se ponto de encontro da sociedade local. O trem "ditava" o cotidiano das famílias itabaianenses na época. Isto de certo modo seria uma vantagem para a localidade, já que diferentemente de outras localidades, a estação se localizava no perímetro urbano, sem a necessidade de locomoção em distâncias consideráveis por estradas "poeirentas" e "lamacentas" em períodos chuvosos, afim de pegar o trem de passageiros na gare da estação.
Porém, por outro lado, a pequena distância com o centro da cidade, causou transtornos em boa parte da população. Este por muitas vezes, tirava o sossego das famílias: "...tornando-se com seu apito estridente, questão de vida e morte para seus habitantes." Como frisou em trecho do livro Itabaiana, Sua História - Suas Memórias 1500 - 1975 de Sabiniano Maia.
Prosseguindo com a narrativa do referido livro, de acordo com o jornal local Correio da Manhã de 25 de agosto de 1912 trazia da seguinte maneira: 

"Todas as famílias que moram às margens da linha acordam assombradamente pelo tremor e apitos estridentes. Há poucos o Sr. Francisco Laudelino perdeu o seu filho em consequência desses apitos desmedidos alta noite, e o Dr. Benicio de Carvalho retirou da margem da linha sua família por não suportar por mais tempo semelhante absurdo." 

Realmente era uma situação complicada para inúmeras famílias. Era um preço que famílias inteiras iria pagar. O transporte ferroviário trouxe incontáveis benefícios a Itabaiana, mas em contrapartida, também, estava o terrível incomodo que o transporte causava. 
O fator principal foi ter construído a linha no perímetro urbano, caso os engenheiros na época tivessem construído a estação um pouco mais afastado do centro, estes aborrecimentos por grande parte da população seriam sanados. 
Mas para "alívio" da população, anos mais tarde fora construída uma estação no local chamado Triângulo, onde partiam os ramais para Campina Grande (a partir de 1907), João Pessoa e para Recife. Fato este que amenizou em parte as constantes reclamações, já que o Triângulo ficava em um espaço amplo para manobras e afastado do centro da cidade. 
Por mais de sessenta anos, a velha estação serviu honrosamente a população de Itabaiana, sendo fechada na década de 1960, para não mais voltar. Apenas no Triângulo os passageiros puderam pegar trens em destino as localidades diversas onde a malha ferroviária era contemplada. 
Desde o início da década de 2010 o ramal foi abandonado, não trafegando mais trens de carga pelo outrora movimentadíssimo complexo. Hoje regalada apenas as memórias dos mais entusiastas.
A estação ficou tempos fechada, serviu de depósito, serralharia e há mais ou menos uns 10 anos, a velha estação foi adquirida para a instalação de um hotel, chamado de Hotel Estação Velha. Passou por ampliações e alterações longo dos anos, mas ainda conserva grande parte da estrutura original. 

Fonte: Itabaiana, Sua História - Suas Memórias 1500 - 1975,  Sabiniano Maia, João Pessoa, 1976.

Estação de Itabaiana no ano de 1959. Na época a estação se chamava "Tabaiana". Fonte: Revista Manchete, 1959.

Composição de passageiros chegando a estação de Itabaiana tracionada pela locomotiva do tipo mogul da North British número 258. Fonte: Revista Manchete, 1959.

Composição de passageiros tracionada pela locomotiva número 270, ao longo da estação de Itabaiana na década de 1950. Fonte: Estações Ferroviárias do Brasil.

Aspecto da estação há cerca de 10 anos atrás, transformada no Hotel Estação Velha. Notar os resquícios da plataforma ao centro.

Atual Hotel Estação Velha. A estação apesar das reformas e alterações ao longo dos anos, ainda guarda boa parte da arquitetura original da primeira década do século XX. Notar no canto esquerdo restos da antiga plataforma central.

Janela da estação ainda guarda sua originalidade do início do século XX. Atual Hotel Estação Velha.

Ilustração produzida por Haziel Pereira em 2016 do atual Hotel Estação Velha. Fonte: http://arquiteturaelugarcg.blogspot.com/2016/03/estacao-ferroviaria-de-itabaiana-pb-um.html  

terça-feira, 14 de julho de 2020

Estado Atual da Estação de Mari

Olá amigos do HFPB. Hoje satisfatoriamente trago imagens registradas pelo amigo e pesquisador ferroviário pirpiritubense Emival Galiza Barros em visita no último domingo, dia 12 de julho, a cidade de Mari, localizada na Zona da Mata. Na ocasião o mesmo fez registros da antiga estação local, gentilmente me enviou no mesmo dia. Para minha grata surpresa o prédio tanto da estação, quanto do antigo depósito de troles e outros materiais da companhia foram revitalizados e pintados com as cores originais das velhas estações de outrora.  
O topônimo Mari é de origem indígena e provém do termo umari, que por sua vez é uma corruptela de u-mbari, que significa “água do marizeiro” (em referência a essa árvore espinhosa que cresce em alagados e da qual se comem suas amêndoas cozidas).
A estação de Mari, antiga Araçá, foi inaugurada pela The Conde D'Eu Railway Company Limited, no dia 7 de setembro de 1883. O ramal partia de Parahyba (João Pessoa a partir de 1930) com destino inicial ao povoado de Camarazal, posteriormente Mulungu, e em 5 de julho de 1884, sendo inaugurado o trecho até Independência, posteriormente Guarabira.   
A estação de Mari segue linhas simples arquitetônicas, sem maiores adereços e decorações em sua fachada, fato marcante nas estações da Conde D'Eu, a exceção da estação da própria capital que era classificada de acordo com a companhia de estação de primeira classe. Em Mari, a estação local era classificada como de 4° classe. Estes dados foram extraídos a partir do relatório de Indústrias,  Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1893. As estações no estado, de acordo com o referido relatória variavam entre 1° até 5° classes.
No local da antiga estação está instalada a Rádio Comunitária Araçá FM, que n último mês de janeiro completou 22 anos no ar. 
A partir quando o ramal foi desativado em princípios dos anos 2000, o prédio passou a ser ocupado pela referida rádio. Até o momento não tenho informações precisas se a reforma tanto do prédio da antiga estação quanto do antigo depósito de trollers, e materiais de manutenção da linha, foi promovida pela rádio ou pela Prefeitura Municipal
A estação de Mari, trata-se da única ainda bem preservada construída no primeiro trecho inaugurado em 7 de setembro de 1883. As demais ou foram derrubadas ou reconstruídas com outra arquitetura. 
Todavia, a população de Mari está de parabéns pela preservação deste item tão precioso e fundamental para a memória do município assim como de todo o Estado. Infelizmente não se pode dizer o mesmo de muitas outras estações, armazéns, etc, que foram demolidas, não restando nada ou tão pouco para sua preservação, usurpando a memória de um tempo onde as"gigantes de ferro" desfilavam soberanas pelos trilhos. 

Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mari_(Para%C3%ADba)
http://www.estacoesferroviarias.com.br/paraiba/mari.htm
Relatório de Indústria, Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1893.
Confira abaixo as imagens cedidas pelo amigo Emival:

A Antiga estação de Mari, atual Rádio Comunitária Araçá FM.

Outro ângulo da antiga estação de 1883. Vendo ao fundo a direita que também o antigo depósito fora restaurado.

Notar os detalhes de ferro fundido das chamadas "mãos francesas" na parte traseira da estação.

Detalhe para a plataforma de embarque e desembarque, assim como os trilhos, mesmo que o último trem passou há exatos vinte anos a Prefeitura local preservou como sinal dos tempos áureos do trem.

Detalhes para o acerto das cores da estação, variando entre o amarelo ocre, branco e marrom, assim como outrora. Mari mais uma vez de parabéns.

A estação antes da reforma. Imagem extraída do Google Street View.