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segunda-feira, 27 de abril de 2020

Evidências das Antigas Caixas D'Água de Ferro - São João do Rio do Peixe

Olá amigos do HFPB. Recentemente o amigo e colaborador são-joanense Wlisses Estrela, me enviou gentilmente imagens de locais onde foram instaladas caixas d'água para o abastecimento das antigas locomotivas a vapor, sendo estas, localizadas em pontos diferentes no município de São João do Rio do Peixe.
Essas caixas d'água, eram distribuídas, como mencionado anteriormente, em pontos distintos no município. Ao todo, segundo Wlisses, eram no número de quatro caixas d'água de ferro suspensas por estruturas metálicas. Estas estruturas foram retiradas há aproximadamente cinquenta anos, quando as locomotivas a vapor da Rede de Viação Cearense (que a estação de São João do Rio do Peixe estava subordinada) foram aposentadas, circulando a partir de então locomotivas diesel elétricas.
Wlisses me passou a localização destas caixas d'água no município, que eram as seguintes:
  • Existiam duas caixas d'água localizadas ao lado da estação local. Ele me afirmou que ainda podem serem encontradas as bases de concreto ao lado da estação.*    
  • Existia uma caixa d'água ao lado da Ponte metálica sobre o Rio do Peixe, na entrada da cidade, sentido São joão do Rio do Peixe - Sousa.
  • Existia também uma caixa d'água, juntamente com um cacimbão com a mesma estrutura metálica das demais, esta ainda existente, e resquícios de antiga casa de bomba no Sítio Viração, ao lado do Riacho Rabicho, a cerca de 2 km do centro urbano.
*Porém, segundo o são-joanense Pedro Doca, gentilmente explicou que "neste local era as caixas que abasteciam as locomotivas movidas a óleo diesel. No bairro da ponte, era caixa d'água, até hoje tem a base da caixa na época das máquinas a vapor."
A grande quantidade desses equipamentos de abastecimento das antigas locomotivas a vapor se deve pelo seguinte fato da região pertencer ao semi-árido nordestino. Esta região sertaneja em períodos de longas estiagem, passa a maior parte do ano sofrendo com os efeitos deste fenômeno natural que assola a região periodicamente.
Essas estruturas tudo indica, que foram construídas na década de 1920, quando a linha foi prolongada do Ceará até a Paraíba. Captava água nos mananciais disponíveis através de motores a vapor ou a diesel (precisa de uma pesquisa mais ampla a respeito), e os armazenava nestas estruturas metálicas localizadas ao lado da linha férrea.
Era São João do Rio do Peixe, que partiam comboios até Cajazeiras e outras cidades sertanejes, onde faziam as tradicionais baldeações.
Agradeço a Wlisses Estrela pelo fornecimento das imagens e dados valiosos quase esquecidos pela população local. Pra completar, Wlisses ainda me enviou uma bela imagem que remete a década de 1950 de senhoras da sociedade local defronte a uma dessas caixas d'água, na época o município se chamava Antenor Navarro, voltando ao antigo nome em 1989 (decisão mas que acertada). Confira abaixo as imagens que Wlisses gentilmente me enviou:

Senhoras da sociedade são-joanense na década de 1950, ao lado de uma das caixas d'água (na realidade, eram caixas reservadas no armazenamento de óleo diesel para as locomotivas diesel elétricas da RVC) localizadas na estação de São João do Rio do Peixe. Autor desconhecido.

As duas caixas d'água localizavam ao lado da antiga estação local. Foto: Wlisses Estrela.

Uma das caixas d'água localizava-se ao lado da Ponte do Rio do Peixe. Foto: Wlisses Estrela.

Evidências da base de concreto de uma caixa d'água localizada perto do Riacho Rabicho, no Sítio Viração. Foto: Wlisses Estrela.

Evidências da base de concreto de uma caixa d'água localizada perto do Riacho Rabicho, no Sítio Viração. Notem nas bases restos dos antigos grampos metálicos que fixavam a base com a estrutura da referida caixa d'água. Foto: Wlisses Estrela.

Única peça de ferro sobrevivente. Cacimbão que armazenava água provida do Riacho Rabicho que era bombeada por um motor até este reservatório e para a caixa d'água suspensa ao lado da linha férrea. Foto: Wlisses Estrela.

Local onde se encontra a única peça de ferro sobrevivente. Cacimbão que armazenava água provida do Riacho Rabicho que era bombeada por um motor até este reservatório e para a caixa d'água suspensa ao lado da linha férrea. Foto: Wlisses Estrela.

A estrutura do cacimbão ainda preservada, porém desgastada com a exposição as intempéries da natureza. 

Local aonde se localizava a casa de bombeamento da água do Riacho Rabicho para o cacimbão e caixa d'água suspensa. Foto: Wlisses Estrela.

Pontilhão sobre o Riacho Rabicho, 2 km da cidade, ao fundo Josué. Foto: Wlisses Estrela.

Colaborador Wlisses Estrela e Josué no Riacho Rabicho.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Estação de Brejo das Freiras (Antiga Poço Adão)

Olá amigos do HFPB. Em mais uma postagem sobre estações sertanejas, hoje desembarcamos na imemorial estação de Brejo das Freiras, antiga Poço Adão, localizada no município de São João do Rio do Peixe.  
A história dessa localidade se remonta a década de 1920, com o prolongamento da Estrada de Ferro Ceará - Parahyba. Obra esta encarregada pela Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas (IFOCS) iniciada em junho de 1920 com o objetivo de construção de grandes açudes no Sertão para suprir as necessidades da população tão escassas nos períodos de estiagens.
As obras seguiram regularmente entre Paiano, no vizinho Estado do Ceará até o primeiro trecho em São João do Rio do Peixe e Cajazeiras, inaugurado oficialmente em 5 de agosto de 1923. 
A estação de Poço Adão, era modesta e pequena, servia fundamentalmente para suprir o tráfego de passageiros entre a localidades de Brejo das Freiras e da população rural como um todo. A partir da construção e conclusão do Açude Pilões a estação passou a ser administrada pela Rede de Viação Cearense (RVC) até a criação da RFFSA em 1957.
Uma das histórias marcantes da estação e do município de São João do Rio do Peixe foi o ataque do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião e seu bando em 14 de maio de 1927, causando pânico na comunidade com ataques a estação e nas redondezas.
Este ataque ao município de São João do Rio do Peixe e região antecedeu o grande combate travado entre a população de Mossoró e os cangaceiros que tentaram invadir esta cidade potiguar no dia 13 de junho de 1927, resultando em uma grande derrota ao grupo de Lampião, sendo mortos os cangaceiros Colchete e Jararaca
Brejo das Freiras ainda é muito conhecido também pela suas águas termais. Está localizada a 9 km da sede municipal. A Estância Termal Brejo das Freiras é considerada como balneário de importância significativa, recebendo visitas os ano inteiro.
De acordo com a história do local e sua importância transcrevo aqui parte da postagem de Antonio Nogueira da Nóbrega do blog umolharsobresaojoao.blogspot.com na seguinte maneira:
"No ano de 1921, na gestão de Epitácio Pessoa, então presidente da República, era iniciada a construção do açude de Pilões, com o sangradouro na cota de 268 metros, o que faria submergir inteiramente o local das fontes termais, inutilizando-as para sempre. Para salvá-las, reduziu-se a capacidade de água armazenada - de 350 milhões de metros cúbicos para l3 milhões. Na época, o governador do Estado era Sólon de Lucena.       
            Em 1932, o governo de Antenor Navarro, entusiasmado com a importância das termas, desapropriou as terras das freiras, através do Decreto 278, de 22 de abril do mesmo ano, considerando-as de utilidade pública. Até os dias de hoje, a Estância Termal de Brejo das Freiras pertence ao Estado, mas poderá mudar de dono, pois o governo deseja privatizar toda a sua rede hoteleira.
            Desapropriadas as terras, o arquiteto Nestor Figueiredo estudou um plano urbanístico, e o Interventor do Estado abriu crédito para a execução de seu programa. Mas, com a morte de Antenor Navarro, ocorrida a 26 de abril de 1932, a ideia foi abandonada.
Em 1933, Gratuliano de Brito, então Interventor do Estado, interessado pela criação da Estância Termal, autorizou a realização de estudos complementares, ficando confirmado que as águas termais tinham origem filoniana e subiam até  à superfície através de uma profunda fratura geológica, constituindo manifestações de antigas atividades vulcânicas.
            A convite de Gratuliano de Brito, Getúlio Vargas, o então presidente da República, e o ministro José Américo de Almeida visitaram o local, fazendo o lançamento da pedra fundamental da cidade termal. Isso ocorreu, provavelmente, no dia 14 setembro de 1933, quando da visita que o presidente fizera a Pilões,  a fim de inaugurar o açude público daquela localidade.
             A construção do hotel e balneário foi realizada no espaço de seis meses, dando-se a sua inauguração no dia  27 de maio 1944, num sábado, às 16h, tendo sido animada pela orquestra “Jazz Tabajara”. O ato inaugural, que foi presidido pelo Interventor Ruy Carneiro, contou com a presença de autoridades de todo o país, inclusive do prefeito de São João do Rio do Peixe, o Sr. .Gerôncio Nóbrega. No entanto, a situação econômica do Estado não permitiu que o primeiro plano fosse executado integralmente.
Antes da construção do atual hotel e balneários, o que havia no local, era apenas um tanque rudimentar, escavado no chão, com três metros cúbicos de volume, amparado por uma paliçada de madeira, com coberta de telha. Nesse tanque, sem higiene e sem conforto, banhavam-se as pessoas que recorriam aos efeitos miraculosos dessas águas. "  
Voltando a história da estação, lamentavelmente foi fechada por ordem do Governo Federal em 25 de janeiro de 1965, consequentemente sendo demolida, ato abominável, sem respeito a memória cultural e história local. Restando apenas a velha plataforma, como um retrato de que ali um dia parava trens ligando os dois estados.

Fonte: http://umolharsobresaojoao.blogspot.com


Local onde existia a estação de Brejo das Freiras, existindo apenas a plataforma. Fonte: Google Street View. 

Local onde existia a estação de Brejo das Freiras, existindo apenas a plataforma. Fonte: Google Street View. 

Local onde existia a estação de Brejo das Freiras, existindo apenas a plataforma. Fonte: Google Street View 

Não é a estação de Brejo das Freiras, mas era similar a esta de Espinharas (Passagem)



segunda-feira, 30 de setembro de 2019

São João do Rio do Peixe - 28 de Setembro. Enfim, A Realização de Um Sonho

Olá amigos do HFPB. É com imensa satisfação que trago uma das melhores postagens já feitas neste blog. No mês passado de agosto publiquei o esforço da população de São João do Rio do Peixe na belíssima Campanha Salve a Estação, envolvendo praticamente boa parte da comunidade local. 
Foram feitas arrecadações em dinheiro e uma série de realizações em prol de um dos mais tradicionais patrimônios históricos do município, trata-se da quase centenária estação local.
A estação estava completamente abandonada desde quando os trens de cargas deixaram de trafegar entre a Paraíba e Ceará em 2013.  
Enfim, chegou o tão esperado dia. A festa inaugural do Espaço Cultural Estação das Artes fora realizada no último sábado, dia 28 de setembro as 21 horas. Foi uma noite de emoções distintas na grande festa realizada.
O espaço compreenderá a Biblioteca Municipal Professora Rosilda Cartaxo, Secretaria Municipal de Cultura e Memorial São-Joanense, além da inauguração conjunta da Praça Padre Sá, defronte a estação.  
Padre Sá quando Prefeito de São João do Rio do Peixe no início da década de 1920 foi um dos principais entusiastas na vinda da ferrovia na cidade. Sonho este concretizado em 5 de agosto de 1923.
A equipe organizadora Salve a Estação junto com o presente patrocínio da Prefeitura Municipal (já que o prédio é de propriedade da mesma) empenharam-se ao máximo em trazer ao público presente uma brilhante festa, a altura da grandiosa história são joanense.
Na cerimônia realizada tiveram o uso da palavra o Coordenador e um dos principais "batalhadores" da Campanha Salve a Estação e Presidente do Instituto Cultural Estação das Artes, Wlisses Estrela
Também proferiram discurso na noite; Sônia Oliveira - Secretária Municipal de Cultura, Maria Oliveira - Secretária Municipal de Educação, Edilson Tomaz - Coordenador  da Semana do Município, José Antônio de Albuquerque - Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação, Padre Francivaldo Albuquerque - Presidente da Fundação Educar, Ericles Sá - representante da Família Sá e o Prefeito Municipal José Airton Pires de Sousa
Além dos discursos e cerramentos das placas, membros da sociedade envolvidos na restauração e implantação do Espaço Cultural foram agraciados com Certificado de Reconhecimento, o qual podemos citar: 
Integrantes da Campanha Salve a Estação, Membros do Poder Executivo, Colaboradores como: Associações, Escolas, Igrejas, Clubes de Serviço, Sindicatos, Equipes de Projetos, Equipe de Restauração.
Realmente foi uma noite memorável. O amigo Wlisses junto com toda a equipe envolvida estão de PARABÉNS por este maravilhoso projeto. Projeto este como sempre canso de repetir, deveria sim ser exemplo para inúmeras outras localidades do Estado e deste país em maior respeito ao seu patrimônio histórico, seja ele de origem ferroviária ou não. 
Lamento não ter participado da grande festa, mas os amigos são joanenses realmente me emocionaram com seus empenhos em prol da bela estação de São João do Rio do Peixe. Repito, PARABÉNS.
A imagens foram feitas pela equipe de produção e repassadas por Wlisses Estrela. Confiram:

Aspecto da belíssima estação antes do ato inaugural. Um sonho realizado.

Equipe da Campanha Salve a Estação

 
Coordenação e Publico presente

Banda Marcial Jacob Guilherme Frantz

Banda Marcial Jacob Guilherme Frantz

Autoridades municipal presente

Autoridades municipal presente

Pronunciamento do Coordenador da Campanha Salve a Estação Wlisses Estrela

Pronunciamento da Secretária de Cultura Sra. Sônia Oliveira

Pronunciamento da Secretária de Educação a Sra. Maria Oliveira

Pronunciamento do Coordenador da Semana do Município Edilson Tomaz 

Pronunciamento do Prefeito Municipal José Airton Pires de Sousa

Cerramento da placa de entrega da Praça Padre Sá

Ato inaugural de corte da fita do Espaço Cultural Estação das Artes

Aberta o Espaço Cultural Estação da Artes 

Cerramento da placa do Espaço Cultural Estação das Artes

Placa Preito de Gratidão 

Entrega dos Certificados de Reconhecimentos aos membros envolvidos no projeto de restauração e implantação do Espaço das Artes

Entrega dos Certificados de Reconhecimentos aos membros envolvidos no projeto de restauração e implantação do Espaço das Artes

Entrega dos Certificados de Reconhecimentos aos membros envolvidos no projeto de restauração e implantação do Espaço das Artes

Entrega dos Certificados de Reconhecimentos aos membros envolvidos no projeto de restauração e implantação do Espaço das Artes

Entrega dos Certificados de Reconhecimentos aos membros envolvidos no projeto de restauração e implantação do Espaço das Artes

Entrega dos Certificados de Reconhecimentos aos membros envolvidos no projeto de restauração e implantação do Espaço das Artes

Entrega dos Certificados de Reconhecimentos aos membros envolvidos no projeto de restauração e implantação do Espaço das Artes

Entrega dos Certificados de Reconhecimentos aos membros envolvidos no projeto de restauração e implantação do Espaço das Artes

Entrega dos Certificados de Reconhecimentos aos membros envolvidos no projeto de restauração e implantação do Espaço das Artes

Entrega dos Certificados de Reconhecimentos aos membros envolvidos no projeto de restauração e implantação do Espaço das Artes

José Antônio Albuquerque, Presidente do Instituto Histórico de Cajazeiras. 

Entrega dos Certificados de Reconhecimentos aos membros envolvidos no projeto de restauração e implantação do Espaço das Artes

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Estação de Santa Helena - Breve História de Uma Estação Sertaneja

Olá amigos do HFPB. Neste mês de setembro onde completamos 10 anos de existência comemorados no último dia 15 com o lançamento da nova logomarca hoje trago mais uma breve história. Dando continuidade a série sobre estações sertanejas hoje trago um pouco da história de uma estação que praticamente "sumiu do mapa", me refiro a estação de Santa Helena, no Alto Sertão do Estado.  
Santa Helena é um município localizada na Região Geográfica Imediata de Cajazeiras, tem 5.369 habitantes (segundo dados do IBGE de 2010), tendo limites com Bom Jesus, São João do Rio do Peixe e Triunfo na Paraíba, além de Baixio no Ceará. Foi emancipado politicamente no dia 12 de dezembro de 1961, anteriormente pertencia ao município de São João do Rio do Peixe e o então Distrito era conhecido como Canto de Feijão, nome este devido a farta de colheita de feijão na época.  Mudou sua antiga nomenclatura para Santa Helena em 1929. 
A comunidade teve um significativo avanço após o prolongamento da Estrada de Ferro Ceará - Parahyba, quando o Governo Federal através da Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas (IFOCS)  providenciou-se em junho de 1920 uma ligação férrea entre os dois estados. O prolongamento tinha como finalidade a construção de açudes na Região tão carente nos períodos de estiagens. 
A partir deste momento fez-se reconhecimento para o traçado de uma linha entre Paiano, no vizinho estado do Ceará, até Pilões localidade no município de São João do Rio do Peixe. Também tinham a intenção de construir um sub-ramal destinado ao transporte de materiais para a construção da grande barragem no boqueirão de Piranhas. O ramal pretendia se estender até a cidade de Patos.  No total, partindo de Paiano seriam construídos 223 quilômetros até Patos.
De acordo com o Relatório de Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1921, assim foi escrito: 
"A linha principal attinge, no km. 43 o povoado de Alagoinha, escolhido para a bifurcação do subramal; no  km. 54 a baixada do Cajueiro, nos limites  dos dois  ditos Estados; Pilões é alcançado no km. 82.
O dito subramal vem alcançar a cidade de Cajazeiras, da Parahyba do Norte, no km. 31, e o ponto terminal, boqueirão de Piranhas, no km. 50.
A extensão total da linha Paiano a Patos e dos ramaes de Pilões a Cajazeiras é de 256 km, 530. 
Em aviso n.656, de 3 de novembro de 1920, foi dada autorização a mesma Inspectoria para mandar construir essa linha, sem a qual não poderiam ter andamento, com rapidez e efficiencia, as obras das barragens de Piranhas, Pilões e S. Gonçalo, no Estado da Parahyba.
Em janeiro de 1921 já estava sendo executada a linha de Pilões em direção á Alagoinha, bem como o ramal de Cajazeiras a Pilões, conjuntamente com o trecho de Paiano a Alagoinha. 
O serviço de terraplanagem já está prompto até Souza e atacada a construção da linha em toda a extensão de Souza a Patos. Até 31 de dezembro ficaram concluidos 119.361m,33 assim discriminados:

    Trecho Paiano a S. João do Rio do Peixe .      32.000,00 m
    Do Kil. 40 a S.João . . . . . . . . . . . . . . . . . . .         31.966,00 m
    Ramal de Pilões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .          1.660,00 m
    S. João a Souza . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .         24.535,58 m
    Ramal de Cajazeiras . . . . . . . . . . . . . . . . . .         20.269,75 m 
    Souza a Pombal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .         5.800,00 m
    Pombal a Malta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .          1.540,00 m
    Malta a Patos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .         1.540,00 m 
                                                                                   
Como podemos observar acima na época da construção do ramal ainda não existia a localidade de Canto de Feijão. Em 1922 o ramal foi prolongado com o assentamento de trilhos e obras d'arte. 
O primeiro trecho do ramal foi inaugurado em 5 de agosto de 1923 entre São João do Rio do Peixe e Cajazeiras, porém não existia uma parada, ou até mesmo um estação em Canto de Feijão, esta fora construída em Poço Adão, atual Brejo das Freiras.  
Na localidade Canto de Feijão foram construídos o acampamento dos trabalhadores empregados no prolongamento. 
Somente na década de 1950, a RVC (Rede de Viação Cearense) enfim inaugurou as casas de turmas, abrigo de manutenção e estação. 
A estação foi inaugurada no dia 1 de março de 1955, distante 526.324 km da Estação Central Professor João Felipe em Fortaleza. Destinada exclusivamente no transporte de passageiros. O famoso "Trem da Feira" foi amplamente utilizado na região durante o período do funcionamento da linha de passageiros.
A estação contemplou os moradores de Santa Helena por 22 anos, em viagens tanto para o Ceará quanto para as outras localidades da Paraíba, especialmente na união definitiva da malha férrea paraibana e cearense em fevereiro de 1958.
Porém, a estação foi fechada em 21 de março de 1977, deixando uma lacuna na região. O transporte de trens de passageiros estava chegando ao seu caótico fim, inúmeras estações estavam sendo fechadas, não "interessando" mais ao Governo Federal seu pleno funcionamento. 
Lamentavelmente a estação foi totalmente demolida em meados da década de 1980 pela administração municipal, sem nenhum apreço pela história da mesma, já que a linha férrea junto com a estação foram os principais responsáveis pelo surgimento do então povoado, posteriormente município. Pouquíssimos são os vestígios encontrados da antiga estação.
O último trem a circular pelo trecho aconteceu em 2013, atualmente o ramal está completamente abandonado sem expectativa de um retorno. 
Agradeço ao colaborador sãojoasense Wlisses Estrela pelo fornecimento das imagens e parte da história contada acima.  

Relatório de Viação e Obras Públicas, Governo Federal, 1921.    

Estação de Santa Helena, antiga Canto de Feijão na década de 1950.
Cortesia: José Hermenegildo Fernandes.

Mapa da malha sertaneja em construção em 1922. Fonte: Illustração Brasileira, setembro 1922.

Trecho da linha férrea em Santa Helena. Foto: Lidyia Lucena, 2019.

A antiga estação localizava-se na imediações. Foto: Lidyia Lucena, 2019.

Parte da linha férrea cortando a cidade. Foto: Lidya Lucena, 2019.   

sábado, 24 de agosto de 2019

Campanha Salve a Estação - Iniciativa Brilhante em São João do Rio do Peixe

Olá amigos do HFPB. Hoje trago com enorme satisfação uma postagem que realmente me alegra e muito. Trata-se de uma excelente iniciativa organizada pela população do município sertanejo de São João do Rio do Peixe
O amigo são-joasense Wlisses Estrela é um dos organizadores do movimento em prol da restauração e implantação de um espaço cultural na antiga estação local. Wlisses me passou todos os dados da grandiosa empreitada que este e outros estão aplicando em prol do patrimônio histórico municipal.
Pois bem, o projeto se chama "Campanha Salve a Estação", fundada em junho de 2016, é uma iniciativa da sociedade civil organizada em parceria com igrejas, clubes de serviços, DeMolay, sindicatos, Prefeitura Municipal, entre outros. Esta campanha tem como objetivo arrecadar recursos financeiros para a restauração de um dos mais significativos patrimônios históricos e culturais do Sertão paraibano, me refiro mais uma vez a estação de São João do Rio do Peixe
Foi em São João do Rio do Peixe que no dia 1° de junho de 1922 recebeu o primeiro trem de lastro do Sertão paraibano com materiais de construção provindo do Ceará para o prolongamento da então "Estrada de Ferro Ceará - Parahyba". 
No dia 5 de agosto de 1923 recebeu o primeiro trem de passageiros inaugurando a primeira etapa das obras de prolongamento do trecho. Foram inauguradas o ramal ligando São João do Rio do Peixe a Cajazeiras, iniciando assim o tráfego provisório do ramal terminado.
Isto só mostra o grau de importância e estratégico da estação local.
Para isso foram realizadas diversas ações como bingos, rifas, serestas, festivais de sorvete, partidas de futebol, pedágios, campanha do envelope, etc. Também foi aberta uma conta bancária  para que se interessar em fazer sua doação a campanha.
Através da campanha "Salve a Estação" a sociedade são-joanense conseguiu realizar o sonho de restaurar um de seus mais preciosos bens históricos. A campanha trouxe o lema da preservação do patrimônio como proteção da identidade local. Lamentavelmente patrimônio este tão arruinado pelos gestores que se sucederam no poder ao longo de décadas, e muito contribuíram para a total eliminação de grande parte dos espaços históricos da cidade. 
O objetivo não é apenas restaurar o prédio e deixar sem nenhuma função. No local será instalado o "Instituto Cultural Estação das Artes". Será instalado no local o Memorial São Joanense, a Biblioteca Municipal Professora Rosilda Cartaxo e a Secretaria Municipal de Cultura.
No dia 28 de setembro próximo, será enfim entregue a população este espaço conquistado com tanto esforço por parte dos membros envolvidos na campanha. Festa esta que promete ser grandiosa. 
Wlisses emocionado me disse: "Sobre o sentimento dos São-Joanenses" em se empenhar para restaurar o prédio que é mais do que apenas uma construção, mas é simbolo de identidade do povo... É símbolo de sentimentos que pulsam no coração." 
É através destas belas palavras que também me emociono com iniciativas como a que está sendo realizada na distante cidade de São João do Rio do Peixe. Ações como esta deveria ser exemplos para muitas outras localidades que infelizmente não tem o mesmo pensamento preservacionista em lutar pelos seus ideais. Fica o exemplo que deveria sim ser copiado. 
Agradeço a Wlisses e a todos a população de São João do Rio do Peixe pela repito brilhante iniciativa. Não me canso em elogiar a ação destes. 
Abaixo as imagens fornecidas por Wlisses de como encontraram a situação da estação antes da campanha e durante as ações de restauração: 

Quadro em que se encontrava a estação antes da campanha, total abandono:


















Imagens mostrando o início das obras de restauração e sua evolução:

Cartaz da "Campanha Salve a Estação" e conta para doações abaixo

Início dos trabalhos de restauração