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domingo, 1 de setembro de 2019

Estado Atual das Estações de Sousa

Olá amigos do HFPB. Em mais uma postagem focando estações do Sertão Paraibano desta vez paramos na cidade de Sousa e o estado atual de suas estações, isso mesmo, Sousa tem duas estações de companhias distintas dividindo a mesma esplanada, ou seja, uma ao lado da outra, dividida por apenas alguns metros.
As imagens e algumas informações foram fornecidas pelo colaborador e historiador sousence Luiz Carlos Gomes entre 2018 e o corrente ano. Infelizmente o estado que se encontra os prédios são nada agradáveis. O total abandono que se encontra é algo de se lamentar profundamente. 
Desde que o tráfego de trens de cargas entre a Paraíba e Ceará foi suspenso por volta de 2011 o local sofre com o abandono e total desrespeito com o patrimônio histórico local.
A estação da RVC (Rede de Viação Cearense) inaugurada oficialmente em 13 de maio de 1926 situada no Km. 574,177, teve um caso lamentável ocorrido em março de 2018. Em uma das dependências da estação, houve um princípio de incêndio provocado provavelmente pelo acúmulo de entulhos e lixos provenientes de mendigos que ali se instalaram. Um verdadeiro descaso com nossa história.
A estação correspondente a Estrada de Ferro Mossoró - Sousa (EFMS), esta inaugurada quando o ramal foi totalmente entregue no dia 29 de dezembro de 1951, não difere do quadro encontrado na estação da RVC. O estado é de total abandono, onde o lixo, a sujeira, depredação tomam conta do local. Cenário realmente muito triste.
Existe sim, um projeto de recuperação e restauração de todo o complexo das estações por parte da Prefeitura Municipal de Sousa. Inclusive o projeto já estava pronto para servir de futuro museu e casa de cultura quando o DNIT a algum tempo atrás não liberou o complexo para tal projeto, "empacando" este sonho no presente momento. Um verdadeiro jogo de "empurra, empurra", quando o DNIT de Brasília diz que é com a representação da Paraíba, enquanto a representação local diz  que é com a Nacional em Brasília. Quem sai perdendo é a história com este jogo. Lamentável. Esperamos algum dia que isto seja resolvido e que finalmente o projeto de recuperação do complexo seja realizado. Estamos na torcida.
Agradeço mais uma vez o pesquisador Luiz Carlos Gomes pelo fornecimento das imagens. Confira:


Antiga Estação da RVC

Antiga estação da EFMS

Complexo de ambas as estações


A bela e outrora pujante estação da RVC


Aérea onde foi atingida pelo incêndio de março de 2018

Aérea onde foi atingida pelo incêndio de março de 2018

Lixo no interior da estação da RVC

Interior abandonado da estação da EFMS

Interior abandonado da estação da EFMS

Lixo tomando conta do interior da estação da EFMS

Lixo tomando conta do interior da estação da EFMS

Porta detonada por vândalos em uma das seções da estação da EFMS

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Estrada de Ferro Mossoró - Sousa

Olá amigos do EFPB. Hoje mais uma história de outra companhia que adentrou no território paraibano, mais precisamente no alto Sertão do Estado. Esta companhia se chamava Estrada de Ferro Mossoró - Sousa.
Em 19 de março de 1915, numa sexta-feira, era inaugurado oficialmente o primeiro trecho da estrada de ferro de Mossoró no estado vizinho do Rio Grande do Norte, entre Porto Franco e Mossoró, havia iniciado no dia 31 de agosto de 1912 pela Companhia Estrada de Ferro de Mossoró S.A., através da firma Sabóia de Albuquerque & Cia.
Este era um sonho antigo que estava sendo realizado, por isso, quando a locomotiva “Alberto Maranhão” chegou à estação, foi recebida com aplausos e festa. Na plataforma do carro-chefe da composição, viajavam: João Tomé de Sabóia, Cel. Vicente Sabóia de Albuquerque, farmacêutico Jerônimo Rosado, Camilo Filgueira, Rodolfo Fernandes, Cel. Bento Praxedes, Vicente Carlos de Sabóia Filho, além do mais velho habitante da cidade, o Sr. Quintiniano Fraga, que ostentava o pavilhão nacional.
Quem primeiro pensou na construção desta via férrea, foi o industrial suíço João Urich Graff. Chegou mesmo a conseguir, do Governo Imperial, uma concessão para construir uma estrada de ferro que, partindo do Porto Franco, que era o porto da cidade de Mossoró, fosse até os limites da província, na direção dos municípios de Apodi e Pau dos Ferros; era a Lei nº 742, de 26 de agosto de 1875. Mas por falta de recursos, o projeto caducou. E por muito tempo, nada mais se fez pela estrada de ferro de Mossoró.
Quase quarenta anos depois, o sonho de Urich Graff começava a se realizar. Outros passaram a ter o mesmo sonho, e como diz o ditado, “sonho que se sonha só é apenas sonho, mas sonho que se sonha unido é realidade”. Nessa nova fase, “os trabalhos haviam sido iniciados em 12 de agosto de 1912, pelo farmacêutico Jerônimo Rosado que deu a primeira picaretada na terra, por onde mais tarde circulariam as locomotivas da prosperidade”.
O trecho Porto Franco a Mossoró estava pronto e inaugurado, naquele 19 de março de 1915; mas era só o começo. A partir daquela data, estava aberta a luta pelo prolongamento da estrada de ferro, cujos trilhos levariam ainda quase trinta anos para completarem a ligação entre ambos os estados e consequentemente com a Rede Viação Cearense (RVC), em Sousa, unindo os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
Quando Urich Graff lançou o projeto da estrada de ferro, entendia que o progresso de Mossoró dependia da velocidade com que conseguisse importar e exportar os seus produtos. As tropas de burros, que até então transportavam as mercadorias, já não eram suficientes para atender a um mercado crescente como o de Mossoró. Fazia-se mister a construção de uma ferrovia, que entre ostros benefícios, baratearia os fretes e diminuiria o tempo de transporte.
Mas o tempo que se levou para concluir a estrada de ferro de Mossoró foi muito longo e quando finalmente ficou pronta, os objetivos dos primeiros tempos já não poderiam mais serem alcançados. O caminhão já havia invadido as estradas, e com ele o trem não podia competir, nem em velocidade nem em tempo.
No dia 29 de dezembro de 1951, finalmente, o trecho completo da ferrovia foi inaugurado. Isto possibilitou o tráfego de trens de carga e passageiros através dos sertões paraibano e potiguares.
A conclusão do ramal facilitou o escoamento do algodão sousense a praça mossoroense
Foi construída uma estação desta companhia ao lado da estação da RVC na "Cidade Sorriso", ou seja, Sousa. Este ramal durou até 1991, quando foi erradicado e seus trilhos totalmente removidos para nunca mais voltar. Estratégia esta lamentável.
Na Paraíba, a companhia contemplou além de Sousa com uma estação, também foram construídas as estações de São Pedro e Santa Cruz e as paradas de Alagoinha, Fortuna, São Paulo, Goiabeira e Inveja, antes de entrar no Estado vizinho. No total, o ramal tinha 280 km entre Mossoró e Sousa.
Infelizmente o abandono e descaso tomam conta de boa parte das construções do velho ramal. Com estações demolidas ou tomadas pelo descaso público.

Tabela de horários do Ramal em 1960. Fonte: www.estacoesferroviarias.com.br 

Estação da EFMS em Sousa, onde o abandono toma conta do local.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Hitórico do ramal




A E. F. Mossoró-Souza foi inaugurada em 1915 entre Porto Franco e a cidade de Mossoró, com o objetivo de se alcançar a cidade de Alexandria, na divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba. Após muitos adiamentos, o prolongamento da linha foi saindo aos poucos, em 1926 a São Sebastião e somente em 1951 a Alexandria. Por volta de 1958 chegou a Souza, encontrando-se com a linha Recife-Fortaleza nessa cidade. Nos anos 1980, a ferrovia foi desativada e seus trilhos arrancados em praticamente todo o percurso. Faziam parte do ramal na Paraíba as seguintes estações e paradas: Inveja, Santa Cruz, Goiabeira, São Pedro, São Paulo, Fortuna, Alagoinha e Souza.

Estação de Santa Cruz

O que restou da velha estação, apenas a plataforma.


Antiga casa do agente, ainda de pé.

A estação de Santa Cruz foi inaugurada possivelmente em 1952. O município pertencia na época a Sousa, tendo sua emancipação em 1962. Município pobre, destacou-se na produção de algodão. A estação de Santa Cruz foi demolida já faz alguns anos, tinha aspecto semelhante às demais estações do ramal. Hoje existe apenas a antiga plataforma e a antiga casa do agente. A estação já foi demolida.
(Fontes: Estações Ferroviárias da Paraíba, Auge e Decadência; Jonatas Rodrigues Pereira, Campina Grande, 2009. Fotos: Luizinho).

Estação de Goiabeira

O que restou da antiga casa da turma de Goiabeira da RFFSA.


A estação de Goiabeira foi inaugurada possivelmente (sem comprovação escrita) em 1952. A estação ficava localizada no município de Santa Cruz, entre as estações de São Pedro e Santa Cruz. A estação foi desativada há muitos anos sem uma data precisa, mas tudo indica que tenha sido antes dos anos 80. Atualmente resta pouquíssimos resquícios de que existiu uma ferrovia no local, sendo totalmente retirados.
(Fontes: Estações Ferroviárias da Paraíba, Jônatas Rodrigues Pereira, 2009; http://www.estacoesferroviarias.com.br/).

Estação de São Pedro



A estação atualmente, em péssimo estado de conservação.

Antiga casa da companhia e os trilhos retirados do ramal.

A estação de São Pedro foi inaugurada possivelmente em 1952, mas não consegui confirmação desta data. Localiza-se no distrito de mesmo nome no município de Santa Cruz. Ainda está de pé, embora com uso desconhecido, de acordo com Adriano Perazzo, em 07/2006. Existiu uma outra estação com este mesmo nome na linha Natal a Macau. Foi desativada há muitos anos antes mesmo dos anos 90.