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quinta-feira, 25 de maio de 2023

Obras D'Artes - Pontilhão do Bairro Monte Santo - Campina Grande

Olá amigos do HFPB. Retomando as visitas ferroviárias in loco, desta vez, fui ao "conhecido" pontilhão, localizado entre os bairros Monte Santo e Araxá, periferia de Campina Grande. Este local é um importante ponto de acesso entre estes bairros, o qual corta a conhecida Rua Olegário Maciel, em direção ao Hospital da FAP (Fundação Assistencial da Paraíba), além de acesso aos complexos universitários da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
O referido pontilhão foi construído no final da década de 1940, pela Castro & Ferreira Ltda, trata-se de um pontilhão construído em concreto armado e base de pedra, com 4,97 metros de comprimento, 4,84 metros de altura e 3,63 metros de largura. Dista a 5 km da "Estação Nova", e a 6,50 km da "Estação Velha", atual Museu do Algodão.
Foi "aberta", quando ocorreu a primeira viagem inaugural de caráter extraoficial, em 4 de abril de 1951, quando ocorreu a viagem entre a estação de Campina Grande e a estação de Puxinanã, sendo este evento a entrega do primeiro trecho até a cidade de Patos, já administrada pela RFN (Rede Ferroviária do Nordeste). A obra total ficou toda concluída em 8 de fevereiro de 1958, quando foi oficialmente inaugurada o ramal entre Campina Grande a Patos.
Obra bem construída, mesmo com todo o abandono que o ramal do interior paraibano passa pelos últimos 10 anos, ainda está em razoável estado de conservação, apesar das pichações e anúncios em suas ombreiras. Confira abaixo as imagens da recente visita: 

Pontilhão a partir de visão do Bairro do Araxá

Vão de 3,63 metros de concreto armado

Visão sob o pontilhão

Visão a partir do Bairro Universitário

Visão sobre o pontilhão com o mato cobrindo boa parte dos trilhos abandonados

Mais um aspecto do antigo pontilhão abandonado

sábado, 4 de junho de 2022

4 de Junho de 2022 - 138 Anos de Inauguração da Estação de Guarabira - Matérias no Jornal Diário da Parahyba de Junho de 1884

Olá amigos do HFPB. Hoje, 4 de junho de 2022, uma data especial, comemora-se 138 anos de inauguração de uma das estações mais importantes do Estado da Paraíba, trata-se da inauguração do trecho até a cidade de Independência, posteriormente denominada Guarabira
Assim como aconteceu nos demais trechos contemplados pelo prolongamento ferroviário na Paraíba, a construção do trecho correspondente entre Mulungu a Independência, ficou a cargo da empresa inglesa Wilson, Sons & Co.
Aquele 4 de junho de 1884 marcou a consolidação da então companhia The Conde D'Eu Railway Company Limited em expandir sua linha em direção ao interior da então Província de Parahyba do Norte, na florescente cidade de Guarabira, denominada a "Rainha do Brejo". Este título foi conquistado através do desenvolvimento decorrente a implantação da linha férrea a localidade, se transformando a partir de então, no mais importante centro polarizador e econômico da região do Brejo paraibano.
Foi um dia de comemorações por parte da população local, que enfim, estava ligada por via férrea, Independência até a Capital da Província, Parahyba. Esta ligação facilitaria aos comerciantes locais exportarem seus produtos dos mais variados tipos, dentre eles, o café, que na época era muito abundante no Brejo paraibano, algodão, fumo, entre outros.
Para celebrar esta data tão importante, trago aqui incríveis reportagens da época. Dentre o órgão que noticiou o ato inaugural com mais conteúdo, destaca-se o jornal Diario da Parahyba. Este saudoso órgão jornalístico, fundado no mesmo ano de 1884, trouxe ótimas matérias, lançadas nos dias 6 de 7 de junho, com detalhes da festa de inauguração do referido trecho principal da The Conde D'Eu Railway Company. Além de trazer uma tabela de horários da companhia, saída na edição de 3 de junho, véspera da inauguração.
Anos se passaram, e vinte anos depois de sua inauguração, em 1 de janeiro de 1904, Guarabira deixou de ser ponta de trilho, quando foi inaugurado o trecho até o Rio Grande do Norte, como ficou conhecido na época de Ramal Natal - Independência.
No final da década de 1970, o trem de passageiros deixou de existir entre Paraíba e o Rio Grande do Norte (neste trecho, já que o Ramal Mossoró a Sousa, no Sertão, funcionou até o início da década de 1990).
Lamentavelmente, segundo consta, o último trem passou por Guarabira em 2000, aproximadamente, levando uma carga de sal provinda do Rio Grande do Norte, para nunca mais voltar, com a linha em completo e total abandono.
O estado da estação local é deplorável e revoltante, sem que os poderes públicos olhassem com mais visibilidade aquela área que trouxe tantas riquezas e alegrias para a "Rainha do Brejo". Torcer para que um dia, a estação local, possa ao menos ser restaurada, como em seu passado de glórias, o que Guarabira realmente merece de fato e de direito.

Estação de Guarabira originalmente, quando foi inaugurada em 1884 

Horários dos trens de passageiros da Estrada de Ferro Conde D'Eu, já mostrando o prolongamento até Independência, inaugurado no dia seguinte. Fonte: Diário da Parahyba, 3 de junho de 1884


Matéria de 6 de junho de 1884 mostrando a extensão até Guarabira. Diário da Parahyba, 6 de junho de 1884

Matéria de 7 de junho de 1884 trazendo com detalhes a inauguração do trecho até Guarabira. Diário da Parahyba, 7 de junho de 1884

sexta-feira, 25 de março de 2022

Estado Atual da Estação de Paula Cavalcanti (Antiga Entroncamento)

Olá amigos do HFPB.  Em visita recente a história estação de Paula Cavalcanti, antiga Entroncamento, o pesquisador Rodrigo Henrique forneceu preciosas imagens da mesma em estado atual. 
Entroncamento, como o próprio nome diz, tratava-se de uma importantíssima articulação ferroviária, bastante movimentado, onde trens vindos do Rio Grande do Norte, LitoralPernambuco e Interior, como um todo, se encontravam. 
Mudou a nomenclatura para Paula Cavalcanti na década de 1950, em homenagem ao "Cazuza Trombone", alcunha de José Francisco de Paula Cavalcanti, proprietário dos Engenhos Massangana e Santana, no município de Cruz do Espírito Santo, onde a estação está localizada.
Rodrigo me informou que a antiga estação virou moradia:

"O acesso a ela não é tão difícil quando eu imaginava, mas a estrada é ruim"

No local exista um alto de linha (trolley) abandonado e deteriorado, Rodrigo analisou o local, porém não conseguiu encontrar vestígios deste alto:

"O mato estava altíssimo, eu nem consegui enxergar esse alto de linha".

Rodrigo afirma, que apesar da estação atualmente servir de moradia, não teve maiores intervenções em sua estrutura, apenas uma pintura de cal branca na mesma, mesmo assim de forma grosseira. Comparando com algumas imagens mais antigas da estação, como há quase 20 anos, ele comenta:

"Na verdade, comparando bem as fotos acho que não ouve modificação na estação. Continua a mesma das fotos de 2007 porém sem a coloração amarelada"

Resumindo, o que Rodrigo constatou, é que a estação está relativamente em um estado razoável de conservação, o que não pode dizer o mesmo do velho armazém, com parte em ruínas, com o telhado desabado e parte da estrutura também em estado avançado de abandono e deterioração. 
Há anos, a antiga cobertura da plataforma de zinco, com pilares de ferro da estação já havia desaparecido, restando apenas as bases de cimento. A antiga antena de rádio encontra-se ainda de pé, porém em avançado estado de corrosão. 
Coincidentemente, Paula Cavalcanti foi palco para a primeira viagem de locomotiva a vapor na Paraíba, ocorrida em 30 de abril de 1881, entre Parahyba (João Pessoa) e esta localidade, num trecho de 33 quilômetros. Também, partindo dali, em 25 de fevereiro de 1972, a última viagem de uma composição puxada por uma locomotiva a vapor em todo o Nordeste, até Cabedelo.
O local não é nem sombra do que foi um dia, apenas os ecos de um passado glorioso ainda vivem na memoria dos mais saudosistas. 
Agradeço mais uma vez Rodrigo Henrique pela gentiliza de disponibilizar as imagens. Confira abaixo as imagens:

A velha estação de Paula Cavalcanti (Entroncamento) em 2022. Foto: Rodrigo Henrique

Mais um aspecto da estação de Paula Cavalcanti em 2022. Foto: Rodrigo Henrique

O armazém muito deteriorado, já sem telhado. Foto: Rodrigo Henrique

Mas um aspecto da estação sem mais a antiga cobertura de zinco e a antiga de rádio em pé, porém deteriorada. Foto: Rodrigo Henrique

A estação no início da década de 2000, ainda com a estrutura em ferro da cobertura da plataforma, sendo retirada pouco tempo depois, restando apenas as bases de cimento. Autor desconhecido

A estação de Paula Cavalcanti em 2007, pode-se notar o "auto de linha", trolley, repousando totalmente deteriorado. Na visita recente, Rodrigo não constatou a presença deste auto no local. Foto: Coaraci Camargo

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Resquícios da Antiga Estação de Cruz do Espírito Santo

Olá amigos do HFPB. Recentemente fui presenteado com fotos do local onde um dia foi a estação de Espírito Santo, antigo nomenclatura da estação, localizada no município de Cruz do Espírito Santo, na Zona da Mata, pelo pesquisador Rodrigo Henrique. O mesmo faz um trabalho excepcional de resgate em imagens de estações da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Trabalho digno de louvor, o que me inspirou a fazer esta postagem.
Rodrigo me passou alguns dados a respeito do local, o local da estação fica a cerca de 1,2 quilômetros de distância do centro de Cruz do Espírito Santo, ao sul da cidade, atravessando o Rio Paraíba.
Rodrigo, descreve da seguinte maneira:

 "Acho sua localização péssima, ...Não tem nenhuma ponte que ligue a cidade a estação. Você tem que atravessar o Rio Paraíba para chegar nela. Se o rio estiver com vazão alta fica meio difícil transpor.

Rodrigo acredita que a estação serviria para a população em torno dos engenhos da região:

"Dada toda essa dificuldade para alcançar a estação a partir da cidade, eu acredito que a mesma servisse mais aos moradores e trabalhadores dos engenhos, do que aos habitantes da cidade de Cruz do Espírito Santo, inclusive há uma estrada de rodagem que passa ao lado da estação."

A antiga estação de Espírito Santo foi construída pela The Conde D'Eu Railway Company, sendo inaugurada em 7 de setembro de 1883, quando o ramal entre a então capital Parahyba (posteriormente João Pessoa) e o então povoado de Camarazal (atual Mulungu) foi oficialmente aberto. 
A referida estação funcionou até aproximadamente o final da década de 1970, quando o transporte de passageiros pelo interior paraibano foi interrompido. Posteriormente demolida, só ficando a plataforma como evidência que ali um dia existiu uma estação. No final do século XIX o seu chefe era Joaquim Dias Pinto. Tratava-se de uma estação de 4° classe, que continha apenas a estação propriamente dita, casa do agente e armazém.
Infelizmente não temos nenhuma foto de como era a estação de Cruz do Espírito Santo, já que há décadas demoliram a mesma. Porém, provavelmente, era da mesma tipologia que outras construídas pela The Conde D'Eu Railway Company, com volumetria de linhas simples, sem maiores adereços artísticos em sua estrutura. Agradeço desde já Rodrigo Henrique pelo fornecimento destas preciosas imagens. Confira abaixo as preciosas imagens:

Resquícios da antiga plataforma de Espírito Santo. Foto: Rodrigo Henrique

Resquícios da antiga plataforma de Espírito Santo a esquerda e casas da região. Foto: Rodrigo Henrique

Resquícios da antiga plataforma de Espírito Santo. Os trilhos estão debaixo de todo o mato e entulhos. Foto: Rodrigo Henrique

Resquícios da antiga plataforma de Espírito Santo. Foto: Rodrigo Henrique

sábado, 18 de dezembro de 2021

Obras D'Artes - Pontilhões de Ferro - Canal do Açude Novo - Campina Grande

Olá amigos do HFPB. Em visita recente a linha férrea nas proximidades da "Estação Velha" (atual Museu do Algodão), em Campina Grande, a exatos 284 metros desta, me deparei com um pontilhão com as características originais de ferro fundido, ombreiras de pedras e concreto, sobre o Riacho do Açude Novo, posteriormente Canal do Açude Novo, no Bairro da Estação Velha.
Na realidade, são dois antigos pontilhões, paralelos, construídos em 1907, para o acesso até a estação de Campina Grande, ponto final do Ramal Itabayanna - Campina Grande. 
Porém, um dos pontilhões, foi transformado em passarela cimentada improvisada para pedestres, já que há décadas seus trilhos foram retirados, restando apenas como evidência, a estrutura de ferro fundido como base dos antigos trilhos.
Com 5 metros de comprimento e aproximadamente 2,5 metros de altura, suas posições quilométricas são de 79,500 km em relação ao início do ramal, em Itabaiana. Ambos seguem a mesma linha estrutural dos demais pontilhões construídos no ramal, assim como em outras localidades.
O fato de existirem dois pontilhões paralelos, bem além da estação, é do fato de existirem, no pátio da mesma, inúmeras linhas ramificadas, se espalhando por vasta área, linhas estas sendo utilizadas para inúmeras funções, entre as quais, manobras, ramais para usinas algodoeiras próximas, triângulo de reversão, provisão d'água (torre da caixa d'água), garagem de locomotivas, galpão de carros de passageiros, armazém, entre outros. As linhas iriam se encontrar um pouco adiante dos pontilhões.
Com a desativação da "estação velha", quando foi construída a chamada "estação nova", esta inaugurada em janeiro de 1961, localizada a 1 km de distância da anterior, os trilhos até então existentes no pátio foram todos retirados gradativamente, assim como a torre da caixa d'água, garagens, triângulo de reversão, entre outras construções. 

De acordo com o livro 'História de Campina Grande, De Aldeia a Metrópole, Vanderley de Brito e Ida Steinmuller, IHCG, 2021': 

"O Canal do Açude Novo circula o Parque Evaldo Cruz e segue subterrâneo até a Av. Almeida Barreto, onde passa a seguir em céu aberto pala Estação Velha, Rua do Fogo e vai desaguar no Canal do Prado, próximo ao Instituto dos Cegos."

O antigo riacho foi canalizado a partir da década de 1960. Com o avanço urbano na área em torno da "Estação Velha", ao longo de décadas, praticamente ao lado dos trilhos, a poluição encontrada dentro e em torno do canal é notório, o que é lamentável, poluindo ainda mais o poluído Canal do Açude Novo
A última vez que circulou alguma trem sobre sua estrutura foi no dia 23 de junho de 2019, quando se deu a última viagem do famoso "Expresso Forroviário", ou mais conhecido como "Trem do Forró", com destino ao Distrito de Galante, no período junino em Campina Grande, já postado anteriormente neste blog. 

Fontes: História de Campina Grande, De Aldeia a Metrópole, Vanderley de Brito e Ida Steinmuller, IHCG, Campina Grande, 2021.
História de uma Estrada-de-ferro do Nordeste, Estevão Pinto, J. Olympio, Rio de Janeiro, 1949.

Confira abaixo as fotos dos referidos pontilhões:

Aspecto do pontilhão ainda com trilhos e sua estrutura metálica

Aspecto do pontilhão ainda com trilhos e sua estrutura metálica. Detalhe na grande quantidade de lixo jogado no leito do canal

Aspecto dos pontilhões sobre o Canal do Açude Novo. O da esquerda há muito com os trilhos arrancados e transformado em passarela.  

Aspecto do pontilhão ainda com trilhos 

Aspecto do pontilhão ainda com trilhos

Aspecto do pontilhão sem com trilhos e sua estrutura metálica, há muitos anos transformada em passarela

Planta do DNEF (Departamento Nacional de Estradas de Ferro) da década de 1950 do trecho da esplanada da "estação velha", notar a grande quantidade de linhas, entre elas o grande triângulo de reversão. O círculo amarelo é a localização dos pontilhões sobre o Canal do Açude Velho, o retângulo vermelho é a localização da estação. Fonte: IPHAN, Recife

terça-feira, 27 de julho de 2021

Estado Atual da Estação de Engenheiro Benévolo

Olá amigo do HFPB. É com imensa satisfação que recebi gentilmente do amigo pocinhense Daniel Felix Rodrigues, mais conhecido na região como Tomás D.F.R., imagens de uma visita realizada pelo mesmo a antiga estação de Engenheiro Benévolo, localizada a 14 km da sede municipal de Pocinhos
A visita foi feita na tarde de domingo, dia 25 do corrente mês, com sua bike. Tomás, tem um canal na plataforma Youtube, que trata de assuntos de mistério e lugares abandonados e históricos da região.
A situação constatada não é nada agradável. Infelizmente a estação está em ruínas, em total estado de abandono. Até mesmo a antiga plataforma teve seus blocos de pedra furtados, uma verdadeira lástima. Telhado, portas, janelas, fiação e iluminação interna e externa, tiveram o mesmo destino. Boa parte da estrutura interna de paredes foi demolida, e no alto onde se encontravam os dísticos na lateral também desapareceu. O entulho destas intervenções se encontra espalhada pelo interior e exterior do prédio. 
O estado de conservação não é nada agradável, mas pelo menos, a estação, mesmo com todo este abandono e deterioração, ainda continua de pé, como testemunha dos tempos áureos do transporte ferroviário pelo Estado.  
Mas este cenário de total abandono e deterioração do prédio já era esperado. Em meados de 1980 o tráfego de trens de passageiros no interior paraibano foi interrompido para nunca mais voltar. Algumas estações que integravam o trecho entre Paraíba e Ceará, eram exclusivas apenas para o transporte de passageiros, sendo que estas dependiam diretamente deste fluxo. Com a interrupção deste sistema, elas perderam suas funções de embarque e desembarque de passageiros, acarretando fechamentos e abandonos. 
Engenheiro Benévolo não foi diferente, a estação atendia principalmente habitantes da zona rural dos municípios de Pocinhos e Olivedos. Estas pessoas dependiam exclusivamente do transporte ferroviário de passageiros, já que na época, somente por via férrea poderiam chegar a  grandes centros urbanos regionais a exemplo de Campina GrandeJoão PessoaFortaleza, Recife, Natal, entre outras. Desde a década de 1980 encontrasse neste estado, piorando ainda mais com as seguidas "pilhagens" em sua estrutura. 
A estação foi construída no lugar conhecido como Lagamar, próximo da divisa entre os municípios de Pocinhos e Olivedos, a cerca de 13,5 km da estação de Pocinhos e a 52 km da estação de Campina Grande.
Construída pela Empresa Construtora Camillo Collier Ltda, constituía uma das estações do ramal entre Campina Grande a Patos, iniciada no final da década de 1940 e concluída em sua totalidade em 8 de fevereiro de 1958, quando foi festivamente entregue o trecho. Seguia a linha arquitetônica de estações do ramal, ou seja, em estilo Art Decó, vigente na época. Não há evidências no local que tenha existido um armazém, porém 
A primeira vez que a estação recebeu um trem foi no dia 21 de janeiro de 1956, quando ocorreu a entrega festiva do trecho entre Campina Grande e Soledade. No ano seguinte, em fevereiro de 1957, teve início o tráfego de trens de passageiros e cargas entre Campina Grande e Juazeirinho.
O ramal se encontra em total abandono, desde o início da década de 2010, quando o tráfego de trens de cargas fora interrompida, e até o momento não tem projeto de retorno. 
Agradeço mais uma vez ao amigo Tomás D.F.R. pelo envio destas preciosas imagens. O link do seu  canal no youtube é este, se inscrevam:

A deteriorada estação de Engenheiro Benévolo. Detalhe que nem a plataforma escapou da "pilhagem". Foto: Tomás D.F.R. 

A estação de Engenheiro Benévolo, a muito tempo abandonada e deteriorada. Foto: Tomás D.F.R. 

A estação de Engenheiro Benévolo, a muito tempo abandonada e deteriorada. Foto: Tomás D.F.R. 

Vista da antiga entrada da estação de Engenheiro Benévolo. Foto: Tomás D.F.R. 

Aspecto interno bastante deteriorado da estação. Foto: Tomás D.F.R. 

Mais um aspecto interno onde as paredes foram derrubadas. Foto: Tomás D.F.R. 

Aspecto externo da estação, com a parte superior onde se localizava o dístico desaparecida há tempos. Foto: Tomás D.F.R. 

Mais um aspecto da antiga entrada da estação. Foto: Tomás D.F.R. 

Daniel Felix Rodrigues, mais conhecido como "Tomás D.F.R.", expedição a bike a estação de Engenheiro Benévolo no dia 25 de julho de 2021. Gentilmente enviou todas as imagens. Foto: Tomás D.F.R. 

domingo, 4 de julho de 2021

120 Anos de Inauguração do Ramal de Alagoa Grande

Olá amigos do HFPB. No último dia 01 de julho de 2021, foi comemorada uma data muito especial para a cidade de Alagoa Grande e para a história ferroviária paraibana como um todo. Há 120 anos, era inaugurado o trecho correspondente entre a então povoação de Mulungu até Alagoa Grande, trecho este de 24 quilômetros. Um sonho que vinha desde antes mesmo da implantação do primeiro trilho em solo paraibano. 
De acordo com o Relatório do Governo Federal de Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1901 que traz o seguinte:

"Após o contracto celebrado em 22 de janeiro de 1900 entre o Governo e a companhia Conde D’Eu Railway para a conclusão e trafego do trecho de Mulungú até Alagôa Grande, a mesma companhia submetteu à consideração deste Ministério o orçamento das despesas a fazer com as obras, orçamento este que foi approvado pelo decreto n.3856, de 15 de dezembro de 1900, posteriormente rectificado pelo de n. 3984, de 2 de abril ultimo. A rectificação constituiu, não só no algarismo do orçamento que, em vez de 221:809$900, como por erro de copia sahira no primeiro dos ditos decretos, é de 521:809$900, segundo consta do original, organisado pela  companhia acceito pelo Governo, como definitivamente estabelecida, como base para a convensão em ouro das despezas feitas em moeda nacional, a taxa cambial do ultimo dia de cada mez.
Os trabalhos da linha tiveram começo a 6 de julho de 1900, sendo empregados nos mesmos trabalhos operarios sertanejos, em numero de 400 homens.
Innegavelmente a autorisação para a conclusão das obras e trafego do trecho de Mulungú a Alagôa Grande, dada no art. 25, lettra E da lei n. 560, de 31 de dezembro de 1898, consultou verdadeiras conveniencias publicas, pois que aquelle trecho, além de destinar-se, ao desenvolvimento da fertil zona que atravessa, facilitando assim a exportação dos productos que não são alli consumidos, trouxe ainda como resultado aproveitar-se os materiaes da extencta estrada Timbaúba ao Pilar, que iam sendo estragados pela acção do tempo e, além disto, deu serviço e meios de subsistencia a grande numero de retirantes que, forçados pelo instincto de conservação quando a secca devastava os sertões, procuravam a zona dos brejos onde desta vez conseguiram encontrar, no serviço do trecho, o pão de que careciam para si e sua familias.
O traçado observado no trecho é o que foi approvado pelo decreto . 69 de 21 de março de 1891, e o orçamento respectivo é o que foi também approvado pelos indicados decretos ns. 3856 e 3984, de 16 de dezembro de 1900 e 2 de abril d'este anno.
A companhia atacou os trabalhos em toda a extensão da linha. As obras de arte projectadas constam de 4 pontes, 11 pontilhões, 17 boeiros capeados, e 34 boeiros abertos. Além de 1 ponte de 6 metros de vão, 2 pontilhões, 3 boeiros capeados e 17 boeiros abertos, que já estavam construidos, a Companhia já terminou 2 pontes, 1 pontilhão, 9 boeiros capeados, 8 boeiros abertos, 2 boeiros de bocca de córte, 1 mata-burro além de um pontilhão de 4 metros de vão, cujas fundações a mesma Companhia achou preparadas. A obra de arte mais importante do trecho é a ponte de 18m,70 sobre o rio Zumby locada á estaca 718X10, cujos alicerces foram construidos pela antiga Central da Parahyba. A alvenaria dos encontros desta ponte foi iniciada em janeiro findo.
Em 31 de dezembro as obras da Via-permanente estavam no kilometro 9.
Começou em janeiro passado o esticamento do fio telegraphico. Os postes tinham sido fincados durante as obras da antiga Estrada de Ferro Central da Parahyba.
Nos mezes de junho a outubro de 1900 a Companhia havia despendido 121:940$930 com obras, constantes do seguinte quadro:

                         SERVIÇO GERAL

1. Ao Engenheiro-fiscal  .  .  .  .  .  .  .  .  . 6:000$000
2. Honorarios do engenheiro-chefe e 
do pessoal do escriptorio central de construção  .  .  . 11:003$960
3. Despeza diversas  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  . 4:943$568
4.     >     de escriptorio  .  .  .  .  .  .  .  .  348$754
5. Impressos  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  . 600$567
6. Mobilia instrumentos e utensilios  .  .  .  . 1:437$664
     Pessoal e despezas diversas  .  .  .  .  .  .  .  . 24:334$513
7. Honorario do pessoal de campo  .  .  .  .  .  . 8:350$824
8. Gratificações, e ajudas de custo, diversos  .  . 2:237$614
9. Despezas de escriptorios  .  .  .  .  .  .  .  .  .   .  62$246
10. Mobilia, instrumentos e outros objectos .  .  .  . 725$101    11:375$793

...Entre os principaes serviços, durante o anno, figura a montagem do metarial rodante adquirido pela companhia para trafegar o ramal de Mulungu a Alagôa Grande, a saber:

 Locomotiva denominada "Alagôa Grande", de n. 15, com quatro
     rodas motrizes de 1 m, 06 de diametro e dois limpa-trilhos  .   .   .  1
Carro de 1° classe com accommodações para 35 pessoas e assentos 
     de palhinha, dotado de W.C., lavatorios e accessorios  .  .  .  1
Ditos de 2° classe para accommodar 42 pessoas em bancos 
      longitudenaes, com W.C. e lavatorios  .   .   .   .  .  .  .  .  .   2
Wagons cobertos  .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   10
Ditos, abertos, para transporte de cargas e lastro  .   .   .   .   5

Todo este progresso chegando a cidade se deve fundamentalmente a um homem, tratava-se do Deputado Federal patoense radicado em Alagoa Grande, Apolônio Zenaide Peregrino de Albuquerque Montenegro, que na época era chefe político local. o referido Deputado Federal tinha uma grande reivindicação junto ao governo federal: trazer em sua terra a estrada de ferro. Através de muita luta, enfim o referido deputado junto ao Governo Federal conseguiu enfim trazer a ferrovia a Alagoa Grande
O dia tão esperado chegou, 1 de julho de 1901, uma locomotiva inglesa denominada “Alagoa Grande”, de número 15, chegava “bufando” e com seu tradicional e estridente apito, pela primeira vez a Alagoa Grande. Com absoluta certeza, todo aquele acontecimento glorioso deve ter agitado a população da urbe na época, já que pela primeira vez recebia o "bicho de ferro soltando fumaça pelas ventas".
Foram realmente tempos gloriosos. A partir de então um verdadeiro surto de crescimento nos âmbitos social, cultural e econômico “apitava” na terra da “Lagoa do Paó”. Na primeira metade do século XX muitos serviços nas mais variados tipos chegou à Alagoa Grande nunca antes experimentado. Sendo este um dos municípios mais prósperos de toda a Paraíba durante décadas.
A prédio da estação, concluída apenas no ano seguinte, ou seja, em 1902, construída com um andar superior afim de abrigar o Chefe da Estação, seguia as linhas simples de volumetria com ampla cobertura de sua plataforma, a fim de atender melhor os transeuntes. Esta construção já se deu quando a Conde D'Eu foi encampada pela Great Western of Brazil Railway (GWBR), entre 1901 e 1902.
Anos mais tarde foi construída a parada de Bastiões e Capim, afim de transportar passageiros das áreas rurais do município.
Na década de 1920, o então Governo Federal tinha o objetivo de estender o ramal em direção até o Sertão do estado partindo de Alagoa Grande, algumas obras foram realizadas entre Alagoa Grande e Alagoa Nova, como pontes, aterros, bueiros, e até o início da escavação do grande Túnel da Serra da Beatriz. Porém o laudo do General Rondon inviabilizando a obra, já que excluía a importante cidade de Campina Grande da trajetória e a paralisação de todas as obras da Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas (IFOCS) entre 1922/23, o ramal não seguiu em frente.
Porém, para a tristeza de todos em fins de 1966 o tráfego ferroviário entre Mulungu e Alagoa Grande foi interrompido por ordem do Governo Federal, do Ministro de Viação Juarez Távora. Esta decisão equivocada deixou em segundo plano as ferrovias deste país, o qual proporcionava meios de transportes mais baratos do que as rodovias que estava sendo priorizadas.
Esta trágica decisão tirou este benefício para o povo alagoa-grandense definitivamente, não voltando mais. Todo o material de trilhos, dormentes entre outros foram retirados. A estação foi totalmente esquecida e abandonada. 
Encontra-se atualmente em estado deplorável e em total abandono, não remetendo as época douradas da ferrovia na cidade. Aguarda na esperança de algum dia seja totalmente restaurada, servindo, quem sabe, de algum museu contando um pouco da riquíssima história de Alagoa Grande.    

Fontes: Relatórios do Governo Federal de Viação e Obras Públicas – 1901 e 1902.
Alagoa Grande, Sua História, José Avelar Freire, 2° Edição, 1998.
O Malho, setembro de 1922.

Registro de uma das últimas viagens do trem a vapor em Alagoa Grande no ano de 1966. Fonte: Alagoa Grande, Sua História, José Avelar Freire, 2° Edição, 1998

Ramal Mulungu a Alagoa Grande, trecho de 24 quilômetros por via férrea. Montagem feita a partir da junção de dois mapas dos municípios de alagoa Grande e Guarabira. Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiro, Vol. IV, IBGE, 1959.

Estação e armazém de Alagoa Grande em 1922, nas obras do prolongamento do "Ramal de Penetração". Fonte: O Malho, setembro de 1922.

Aspecto da construção de um pontilhão (Ponte T) nas proximidades da estação de Alagoa Grande em 1922. Fonte: O Malho, setembro de 1922.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Obras D'Artes - Ponte Rio Bodocongó - Puxinanã

Olá amigos do HFPB. Seguindo com postagens em comemoração aos 70 anos de abertura do prolongamento entre Campina Grande e Patos, mais especificamente no município de Puxinanã, no dia 4 de abril de 1951, trago hoje alguns dados e imagens de uma ponte localizada a 3,12 km das ruínas da antiga estação local sobre o Rio Bodocongó, ou Riacho Bodocongó, como encontrado em algumas fontes. 
Em postagens anteriores, publicamos sobre um pontilhão e bueiros sobre o mesmo Rio Bodocongó, que nasce no município de Puxinanã, adentra o município de Campina Grande, atravessa os municípios de Queimadas e Caturité, até desembocar no Rio Paraíba, em Barra de Santana, em um percurso de 50 quilômetros. Este segue margeando o percurso da linha férrea entre Puxinanã e Campina Grande. Fica nas proximidades do Sítio Lagoa do Tetéu.
A ponte tem 10 metros de comprimento (o que caracteriza como ponte e não pontilhão) e altura de 3,20 metros, construída em blocos de pedra e concreto armado. Considerada uma ponte relativamente baixa entre o leito ferroviário e o leito do rio.
Foi construída, assim como praticamente todas as obras d'artes do referido prolongamento pela Empreza Construtora Camillo Collier, apresenta algumas pequenas avarias em sua estrutura, o que não é nada de anormal, já que o ramal do interior paraibano está completamente abandono desde o início da década de 2010, mas no contexto geral o estado de conservação pode ser considerado satisfatório, comprovando o tão solido trabalho empregado nesta e nas demais construções do ramal. 
Abaixo um pouco das imagens da visita realizada na localidade no dia 03 de março do corrente ano:

Estrutura de pedra e concreto armado da ponte do Rio Bodocongó

Estrutura de pedra e concreto armado da ponte do Rio Bodocongó

Aspecto da ponte do Rio Bodocongó

Parte desgastada da estrutura

Estrutura inferior da ponte

Aspecto da ponte do Rio Bodocongó

Aspecto da ponte do Rio Bodocongó

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Obras D'Artes - Pontilhão Rio Bodocongó - Sítio Antas - Puxinanã

Olá amigos do HFPB. Em mais uma postagem da série comemorativa do septuagésimo aniversário de inauguração do primeiro trecho do prolongamento Campina Grande - Patos em 4 de abril de 1951 entre Campina Grande e o então Distrito de Puxinanã, deixo aqui informações e imagens de um pontilhão localizado no Sítio Antas, sobre o Rio Bodocongó, aproximadamente 4 km da antiga estação local.
Obra realizada em 1950 pela Empresa Construtora Camillo Coller S/A, trata-se de um pontilhão construído em concreto armado e base de pedra, com 4,90 metros de comprimento, aproximadamente 6,50 metros de altura e 3,56 metros de largura.
Obra bem construída, mesmo com todo o abandono que o ramal do interior paraibano passa pelos últimos 10 anos, ainda tem bom estado de conservação. No trecho entre as localidades mencionadas, foram construídas dois destes pontilhões, um no Bairro do Araxá em Campina Grande e este do Sítio Antas com características similares e uma pequena ponte nas proximidades do Sítio Lagoa do Teteu, também no município de Puxinanã
Visita realizada em 5 de março do corrente ano entre as ruínas da antiga estação de Puxinanã até este pontilhão. Confira abaixo imagens desta obra durável:

O pontilhão do Sítio Antas sobre o Rio Cruzeiro

Mais uma aspecto do pontilhão

A grande ombreira de um dos lados do pontilhão com 6,50 metros de altura

Aspecto do bom trabalho emprega pela Empresa Construtora Camillo Collier S/A na sua construção

Base de pedra firmando o trabalho sólido do pontilhão

Um dos lados do pontilhão