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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Há 70 Anos Chegava o Primeiro Trem à Soledade

Olá amigos do HFPB. Hoje, 21 de janeiro de 2026, é uma data comemorativa para a história da cidade de Soledade. Há exatos 70 anos, ou seja, no dia 21 de janeiro de 1956, chegava na gare da estação o primeiro trem no trecho recém concluído.
Foi um dia de muita festa para a cidade na época, onde a população compareceu em grande número, a fim de prestigiar o histórico evento.
O trecho em questão, correspondente entre Campina Grande a Soledade, foi mais uma etapa concluída do prolongamento Campina Grande - Patos, inaugurado oficialmente no dia 8 de fevereiro de 1958.
Os trabalhos de prolongamento deste trecho de 74 quilômetros entre Campina Grande - Soledade ficaram a cargo do DNEF (Departamento Nacional de Estradas de Ferro) esta contando para sua execução, com a colaboração, através de empreitadas, da RFN (Rede Ferroviária do Nordeste), além das empresas especializadas em construções ferroviárias, Empresa Construtora Camillo Collier Ltda, e Empresa Construtora Castro & Ferreira Ltda.
Quando o primeiro trecho do prolongamento foi inaugurado entre Campina Grande e Puxinanã no dia 4 de abril de 1951, os trabalhos não cessaram e prosseguiram em tamanha rapidez, já que grande parte das obras d'arte já estavam praticamente concluídas em 1954, restando apenas a construção da referida estação e colocação dos trilhos, totalmente concluídos em 1955.
De acordo com a matéria do jornal Diário de Pernambuco de 25 de janeiro de 1956 sobre a importante realização: 
"Sob aclamação dos sertanejos, muitos dos quais viam pela primeira vez uma locomotiva, teve lugar às 12 horas do sábado passado, a chegada do comboio repleto de operários em frente à pequenina estação. Presentes também se achavam o prefeito e vereadores da cidade, engenheiros das construções ferroviárias e suas famílias, jornalistas de Pernambuco e da Paraíba e radialistas da Rádio Borborema e Rádio Caturité.
Representaram a administração da Rede Ferroviária do Nordeste engenheiro Orlando Muniz da Rocha, chefe do Departamento de Obras Novas; e o Distrito de Construção - 3, do DNEF, o engenheiro Lauriston Pessoa Monteiro.
Em frente à estação de Soledade teve lugar a cerimônia de exaltação ao trabalho dos cassacos (denominação dada ao trabalhador da linha férrea), usando da palavra, inicialmente o prefeito do município Sr. José Ferreira Ramos, que agradeceu o esforço dos quantos contribuíram para aquela obra. Seguiram-se com a palavra o engenheiro Lauriston Pessoa Monteiro, chefe do Distrito de Construção - 3, que se congratulou com os colegas e operários, no momento em que venciam mais uma etapa no árduo trabalho de construção de novas estradas de ferro, e, por fim, o engenheiro Orlando Muniz da Rocha que, em nome da alta administração da Rede Ferroviária do Nordeste, saudou o povo da Paraíba pelo acontecimento que acabava de presenciar".
Estas foram as solenidades realizadas naquele dia histórico, porém de forma extraoficial. Oficialmente, o trecho foi aberto ao tráfego de passageiros em fevereiro de 1957, no ano seguinte, quando foi inaugurada a estação do vizinho município de Juazeirinho.
O tráfego entre Campina Grande Juazeirinho passou a vigorar a partir daquela data.
No caso da locomotiva inaugural, ela chegou na estação as 12:00 horas festivamente recepcionada. Tratava-se de uma locomotiva do tipo "mogul", com jogo de rodas 2-6-0, construída pela North British Locomotive Company em 1904, com número de 248, movida a vapor de lenha. 
No referido inaugurado naquele 21 de janeiro de 1956, foram construídas 208 obras d'arte, inclusive 8 grandes pontes, inúmeros bueiros, cortes, aterros, pontilhões e um aterro-barragem na localidade Espírito Santo, servindo esta de abastecimento da população local além de abastecer as locomotivas a vapor na época.
Na localidade Espírito Santo (no atual município de Olivedos, perto com o município de Soledade) foi construída uma pequena parada em concreto armado para a população rural.
A partir de Soledade seriam construídos mais 112 quilômetros até chegar em seu destino final, Patos, no Sertão paraibano, em um total de 186 quilômetros de ferrovia entre Campina Grande e Patos.
Os trens percorreram o ramal até ser totalmente abandonado em princípios da década de 2010. Lamentavelmente, atualmente, a estação está totalmente abandonada e deteriorada.

Fontes: Diário de Pernambuco - 25 de janeiro de 1956
Diário da Borborema - fevereiro de 1958

  Imagem feita através de Inteligência Artificial mostrando a estação na época de sua inauguração em 21 de janeiro de 1956

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Obras D'Artes - Bueiro em Arco do Riacho Serra da Portela - Puxinanã

Olá amigos do HFPB. Em visita recente ao município de Puxinanã, no intuito de seguir pesquisando sobre a linha férrea, me deparei com uma bela obra d'arte, se trata de mais um bueiro em arco. Diferentemente dos outros três registrados (já publicados em postagens anteriores), este tem proporções menores em altura, largura e comprimento, porém idênticos aos demais. Escoando águas do Riacho Serra da Portela, sendo este afluente do Riacho Bodocongó, se encontrando mais adiante.
O referido bueiro está localizado a 2,45 quilômetros da antiga estação, no sentido Puxinanã-Pocinhos, próximo ao Sítio Malhada de Areia. Foi construído logo após a inauguração do primeiro trecho do prolongamento Campina Grande - Patos em 4 de abril de 1951, pela Empreza Construtora Camillo Collier S/A.
Construído com estrutura com base de pedra e concreto armado, a referida obra d'arte não apresenta nenhuma rachadura ou desgaste aparente, prova do material empregado na empreitada, mesmo com o abandono de toda a malha do interior paraibano.
O bueiro tem ao todo 13,32 metros de comprimento (excluindo as ombreiras), 3 metros de largura e 2,70 metros de altura (bocas). 
Geralmente as construções destes grandes bueiros em arco eram para transpor um riacho em um grande aterro construído no local. A maior parte do ano estes ficam completamente secos, porém em períodos chuvosos, as águas destes podem correr com muita força, comprometendo a estrutura do aterro, daí a construção de um grande bueiro para o livre fluxo do riacho.
Confira abaixo imagens do Bueiro em Arco do Riacho Serra da Portela:
Bueiro do Riacho Serra da Portela, face sul (boca sul)

Bueiro do Riacho Serra da Portela, face norte. Com muitos galhos e mato se acumulando na boca, resultado de antigas enxurradas

Interior do Bueiro do Riacho Serra da Portela. Saída para a "boca sul"

Interior do Bueiro do Riacho Serra da Portela e seus 13,32 metros de comprimento

Mais um aspecto do bueiro, face sul. Com muitos galhos e mato se acumulando na boca, resultado de antigas enxurradas

Aspecto do aterro e o bueiro se destacando na imagem. Face sul