sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Horários de Trens de Passageiros da Estação de Campina Grande em 1925

Olá amigos do EFPB. Hoje estou trazendo uma tabela de preços de ida extraídos do ótimo livro Annuario de Campina Grande Para 1926. Os dados são de 1925, já que o referido livro foi lançado neste ano.
Esta consistia em tabelar os preços de trens de passageiros de primeira e segunda classes partindo da estação de Campina Grande para as localidades contempladas pelo serviço ferroviário, nos estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Confira abaixo a tabela completa:





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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Rede de Viação Cearense (RVC)


Olá amigos do EFPB. Hoje trago mais uma super postagem de uma companhia importantíssima que fez parte do cotidiano sertanejo por mais de trinta anos, me refiro a saudosa Rede de Viação Cearense (RVC).
A RVC foi formada pela união em 1910 de duas ferrovias de penetração construídas no Ceará desde o final do século XIX, interligadas posteriormente por uma linha transversal. Foram às linhas E. F. de Baturité e E. F de Sobral.  Em 1909, toda a E. F. de Sobral foi juntada com a E. F. de Baturité para se criar a Rede de Viação Cearense, imediatamente arrendada à South American Railway. Em 1915, a RVC passa à administração federal. 
Com a subida ao poder do paraibano Epitácio Pessoa a Presidência da República em 1919, este tinham planos para amenizar os efeitos das estiagens que assolavam os sertanejos por décadas. 
Então o mesmo convocou o IFOCS (Inspectoria Federal de Obras Contra as Secas) para realizarem obras de impacto nos sertões nordestinos. Entre estas obras podemos citar açudagem, construções de estradas de rodagem, implantações de poços artesianos públicos e construção de linhas férreas. 
Em 1920 os trabalhos em várias frentes foram iniciados. No Sertão paraibano, foram iniciados as construções dos açudes de Pilões, Piranhas e São Gonçalo, açudes estes de grande porte nunca antes construídos no Sertão Paraibano até então. 
A partir deste momento fez-se reconhecimento para o traçado de uma linha entre Paiano, no vizinho estado do Ceará, até Pilões localidade no município de São João do Rio do Peixe. Também tinham a intenção de construir um sub-ramal destinado ao transporte de materiais para a construção da grande barragem no boqueirão de Piranhas. O ramal pretendia se estender até a cidade de Patos.  No total, partindo de Paiano seriam construídos 223 quilômetros até Patos.
De acordo com o Relatório de Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1921, assim foi escrito: 
"A linha principal attinge, no km. 43 o povoado de Alagoinha, escolhido para a bifurcação do subramal; no  km. 54 a baixada do Cajueiro, nos limites  dos dois  ditos Estados; Pilões é alcançado no km. 82.
O dito subramal vem alcançar a cidade de Cajazeiras, da Parahyba do Norte, no km. 31, e o ponto terminal, boqueirão de Piranhas, no km. 50.
A extensão total da linha Paiano a Patos e dos ramaes de Pilões a Cajazeiras é de 256 km, 530. 
Em aviso n.656, de 3 de novembro de 1920, foi dada autorização a mesma Inspectoria para mandar construir essa linha, sem a qual não poderiam ter andamento, com rapidez e efficiencia, as obras das barragens de Piranhas, Pilões e S. Gonçalo, no Estado da Parahyba.
Em janeiro de 1921 já estava sendo executada a linha de Pilões em direção á Alagoinha, bem como o ramal de Cajazeiras a Pilões, conjuntamente com o trecho de Paiano a Alagoinha. 
O serviço de terraplanagem já está prompto até Souza e atacada a construção da linha em toda a extensão de Souza a Patos. Até 31 de dezembro ficaram concluidos 119.361m,33 assim discriminados:

    Trecho Paiano a S. João do Rio do Peixe .      32.000,00 m
    Do Kil. 40 a S.João . . . . . . . . . . . . . . . . . . .         31.966,00 m
    Ramal de Pilões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .          1.660,00 m
    S. João a Souza . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .         24.535,58 m
    Ramal de Cajazeiras . . . . . . . . . . . . . . . . . .         20.269,75 m 
    Souza a Pombal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .         5.800,00 m
    Pombal a Malta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .          1.540,00 m
    Malta a Patos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .         1.540,00 m

Os trilhos chegaram a região contemplada com a chegada dos trilhos na primeira metade de 1922. Em 5 de agosto de 1923 o primeiro trecho do ramal foi inaugurado entre São João do Rio do Peixe e Cajazeiras, que tiveram estações provisórias (as estações destas só seriam construídas algum tempo depois). 
O propósito do prolongamento era a união via férrea entre Ceará e Paraíba, através do Ramal de Penetração entre Alagoa Grande (Brejo) com Patos (Sertão).
No entanto, com o corte de verbas no prolongamento partindo de Alagoa Grande, apenas o ramal sertanejo prosseguiu os trabalhos com mais eficaz.
Em julho de 1926 a estação de Sousa foi inaugurada. Os trabalhos foram interrompidos e só retomados a partir de 1930 quando foi reiniciado o prolongamento Sousa - Pombal, concluídos em março de 1932 quando a estação da última foi inaugurada
Mais uma vez os trabalhos foram interrompidos, até que em 1942 o prolongamento Pombal - Patos foi enfim retomado. A estação de Patos foi inaugurado em abril de 1944, concluindo as obras iniciadas em 1920, vinte e quatro anos antes.
O traçado foi modificado, e o objetivo agora era unir Campina Grande a Patos. Contrapondo todo o projeto inicial da década de 1920 que excluía a mais importante cidade do interior paraibano por puro "revanchismo".
Os trabalhos de prolongamento foram iniciados em 1950 no sentido Campina Grande - Patos , pela construtora Camillo Collier S/A, e em 1955 no sentido Patos - Campina Grande, esta última a cargo da RVC. Finalmente, em 8 de fevereiro de 1958 um sonho de mais trinta anos foi enfim concretizado, a união dos estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco via férrea. 
As companhias nordestinas foram arrendadas pelo Governo Federal em 1957 quando foi criado a Rede Ferroviária Federal RFFSA, ficando a RVC como uma subsidiária regional da companhia estatal até que em 1975 a RFFSA extinguiu a companhia. 
Esta foi um pequeno resumo desta companhia cearense fundamental para o prolongamento férreo no Sertão paraibano.

Estação de São João do Rio do Peixe, primeiro município onde os trilhos adentraram na Paraíba.

Trem de lastro com materiais para a açudagem e prolongamento férreo em 1922. 

Mapa do Sertão e seus prolongamentos em 1922.

Rede Ferroviária do Nordeste - RFN

Olá amigos do EFPB. Hoje em mais uma super postagem trago a vocês um resumo de uma das mais importantes companhias ferroviárias nordestinas, me refiro a Rede Ferroviária do Nordeste, ou simplesmente, RFN
A RFN foi criada com o fim da Great Western of Brazil Railway (GWBR) no ano de 1951. Esta companhia agregou as linhas da antiga GWBR. 
Foi durante a jurisdição da RFN que uma das obras mais impactantes da história ferroviária do Nordeste foi realizada, tratava-se do prolongamento ferroviário entre Campina Grande a cidade sertaneja de Patos
O ramal de ligação teve início na década de 1920, uma obra encarregada pelo antigo IFOCS (Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas), e tinha como objetivo a construção de açudes, rodovias, poços artesianos e prolongamento ferroviário. Porém, os trilhos que tinham como objetivo unir o Ramal Ceará - Paraíba com o Ramal de Penetração, este último partindo de Alagoa Grande, no Brejo paraibano, se encontrando com Patos. nunca foi concretizado, por motivos lógicos. O trecho que cortaria o estado "descartaria" a praça de Campina Grande, sufocando o comércio desta em um revanchismo inexplicável. Mas também pelo corte de verbas destinado a este ramal. Apenas o ramal sertanejo seria construído, chagando a Patos somente em 1944, depois de inúmeras paralisações. 
A construtora pernambucana Camillo Collier S/A, contratada para o serviço, se encarregaria na construção do trecho partindo de Campina Grande, cabendo a a Rede de Viação Cearense (RVC) construir o trecho a partir de Patos. As construções iniciaram em 1950, com o primeiro trecho inaugurado em 4 de abril de 1951, até o então Distrito de Puxinanã
Enfim, no dia 8 de fevereiro de 1958, o ramal estava sendo festivamente inaugurado. Foi uma das obras mais importantes já realizadas, tanto na Paraíba, como em todo o Nordeste. Este uniu via férrea os Estados da Paraíba, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
No ano de 1957 foi criada a Rede Ferroviária Nacional (RFFSA) mediante autorização da Lei nº 3.115, de 16 de março de 1957 sendo a RFN uma das formadoras desta companhia estatal. A RFN foi uma seccional regional durante este período, até sua erradicação total em 1975.
foi durante o período da RFN adquiriu no início da década de 1950, uma das maiores locomotivas a vapor presente no Brasil. Tratava-se de uma locomotiva do tipo 'Garrat', com a configuração de rodas 4-8-2+2-8-4, construída em 1952 pela empresa alemã Henschel & Sohn. Incorporadas no início de 1954 num total de seis locomotivas. foram as maiores e mais potentes locomotivas a vapor que já rodaram em trilhos nacionais. Basicamente tinha como função o transporte de cargas.
Também, foi durante a gestão da RFN que foram incorporados as primeiras máquinas movidas a energia diesel-elétricas, a exemplo de três locomotivas construídas pela Indústria Reunidas Ferro & Aço Ltda (IRFA) em 1952. Foram adquiridas também treze locomotivas fabricadas pela The English Electric Co em 1954 (ainda hoje resta um exemplar exposto no Museu do Trem em Recife). 

Logomarca da RFN


The Conde d'Eu Railway Company Limited (Conde d'Eu) - Resumo Histórico

Olá amigos do EFPB. Um trago um pequeno mas singelo resumo da primeira companhia ferroviária a trafegar na Paraíba, trata-se da The Conde D'Eu Railway Company limited, ou simplesmente Conde 'Eu
A Companhia foi organizada na Inglaterra no ano de 1875. Os trabalhos de construção da linha férrea na Paraíba foram iniciados em 1880 com todo o material rodante e metálicos provindos da Inglaterra. Foram adquiridas em princípio 9 locomotivas das marcas Robert Stephenson Co. e Black Hawthorn Co
O primeiro trecho inaugurado foi entre Parahyba do Norte e a localidade de Entroncamento que mais tarde se chamaria Paula Cavalcanti em 1881 de forma provisória. 
Porém apenas com a conclusão dos primeiros trechos inaugurados em 7 de setembro de 1883 entre a Capital da Província com o povoado de Camarazal, posteriormente Mulungu e em 28 de dezembro de 1883 até Pilar.
No ano seguinte, mais precisamente no dia 5 de julho de 1884 foi inaugurado o prolongamento entre Mulungu e Independência, antigo nome de Guarabira. Sendo esta festivamente inaugurada pela locomotiva denominada "Independência".
Na época, pretendia-se estender o ramal Mulungu até Campina Grande no agreste, porém por "pressão" de comerciantes da capital o ramal foi prolongado em direção ao então distrito de Cabedelo, sendo este inaugurado no dia 25 de março de 1889. Este foi o último trecho inaugurado no Império Brasileiro, que foi dissolvido em 15 de novembro de 1889.
Durante este período de República instaurada apenas o pequeno trecho entre Mulungu a florescente cidade de Alagoa Grande foi inaugurada em 1 de julho de 1901. Esta foi o último trecho construído pela Conde D'Eu.  
Após algumas modificações no projeto original, a ferrovia na Paraíba tinha cerca de 140,62 km, em 1900. Em julho de 1901 a companhia foi totalmente encampada pela Great Western of Brazil Railway

Mapa da The Conde D'Eu Railway Company em 1885.

Mapa do Estado da Paraíba no final do século XIX.

Horários de trens de passageiros da Conde D'Eu em 1898.
Fonte: Almanak Administratico, Mercantil e Industrial do Estado da Parahyba, 1899

Dados da companhia. Fonte: Almanak Administratico, Mercantil e Industrial do Estado da Parahyba, 1899