sábado, 30 de julho de 2022

Jornal da Paraíba - 27 de Junho de 1990 - 'Forroviário': Sucesso na 1° Viagem

Olá amigos do HFPB. Passados os festejos juninos na Paraíba e em todo o Brasil, relembremos um dos fatos mais pitorescos daquele importante evento, uma das primeiras viagens do que ficou conhecido como "Trem do Forró", ao longo dos anos foi mudando de nomenclatura, durante os festejos juninos em Campina Grande no ano de 1990. 
Em matéria realizada pelo Jornal da Paraíba de 27 de junho de 1990, com o título 'Forroviário': Sucesso na 1° Viagem, traz os bastidores daquela histórica viagem do que veria a ser, a partir de então, constituindo um dos principais atrativos da programação do "Maior São João do Mundo".
De acordo com o referido jornal, traz a matéria da seguinte maneira:

Triângulo, sanfona, zabumba, forró e muita animação por parte dos passageiros, foram os ingredientes responsáveis pelo sucesso da primeira Viagem do "Passeio Forroviário/90", que foi realizada, ontem, dentro da programação do "Maior São João do Mundo". Três vagões superlotados, em sua maioria de turistas, além de alguns campinenses, levaram até o município de Ingá, mais precisamente ao Sítio Arqueológico, cerca de 320 passageiros.
Uma aglomeração de passageiros se formou na Estação Velha (local do embarque), onde a animação já era total por parte dos turistas e de muitos curiosos, tendo o trem seguido viagem rumo a Ingá às 10 horas.
No interior da composição a palavra de ordem por parte dos turistas procedentes do Recife, João Pessoa, Fortaleza, Natal, Rio de Janeiro, São Paulo, Maceió, Bahia, e outras cidades brasileiras, era justamente "forrozar". Para tanto, alguns integrantes da Quadrilha Xote Menina se encarregaram de convidar os passageiros e ensinar essa dança típica da região - o forró.
Máquinas fotográficas e câmera portátil foram instrumentos principais nas mãos dos turistas que, a todo instante, documentavam aquele momento de lazer, entretenimento e muita distração, vivido com muito forró e até mesmo a lambada.
 - Na opinião do paulista Miguel Aurélio Soares, que desde o ano passado vem a Campina Grande participar dos festejos juninos, "este passeio está superior que o anterior. Realmente não existe conceito que denomine todo este momento de cultura e lazer", declarou o turista.
CHEGADA A INGÁ - Ao chegaram no município de Ingá, os turistas foram recepcionados por uma banda, e seguiram rumo a três ônibus especiais, no sentido de serem conduzidos até o Sítio Arqueológico, sendo recebidos pela Quadrilha Xote Menina e pelo prefeito do município, Antônio Burity.
Diante das inscrições pré-históricas feitas há mais de cinco mil anos, antes de Cristo, os turistas mão ocultaram as suas surpresas e procuravam ver de perto as inscrições cortadas de forma arredondadas sem ângulos retos, demonstrando desembaraço de quem as elaborou.
- Realmente é um grande enigma e sua beleza indescritível. Acho, particularmente, que estas figuras foram esculpidas da Idade da Pedra Lascada ou polidas por seres extraterrestres". Comentou Elias Ramalho Souto, de Maceió.
O mesmo foi salientado pela carioca e sua amiga campinense, Carla Abreu e Magda Santana, respectivamente, comentando que diante de todo aquele mistério, "resta-nos apenas admirar e torcer para que os estudiosos decifrem estes enigmas".
Após a visitação às Pedras do Ingá, também denominadas de "Itacoatiaras", os turistas presenciaram a apresentação da Quadrilha Xote Menina, além de desfrutarem das belezas da catalogação de todas as árvores existentes, com indicações científicas e nomes regionais, já que algumas estão em extinção, além de plantas medicinais e a beleza do Rio Ingá, que é composto por enormes "pilões" feitos pela erosão.
Dois estandes com trabalhos em rendas, produzidos manualmente pelos artesãos da terra, foram armados para a venda por preços acessíveis.

Na época, as viagens seguiam até o município de Ingá, anos mais tarde, o percurso foi reduzido até o Distrito campinense de Galante, com 21 quilômetros de percurso. 
Continuou periodicamente, com a ampliação de mais viagens a cada ano de festejos juninos, até os festejos de 2019, quando as viagens foram paralisadas após descarrilamento da composição no dia 23 de junho, nas proximidades da Fazenda Santana, a cerca de 2,5 quilômetros de Galante, devido ao estado precário da linha férrea. A partir de então, o passeio tão tradicional durante foi suspenso, até que um dia, não se sabe quando, possa voltar a animar os turistas que apreciam este atrativo tão importante no calendário junino de Campina Grande e de toda a Paraíba.

A euforia tomou conta dos passageiros no embarque - Jornal da Paraíba - 27-06-1990

Os turistas ficaram encantados com as Pedras de Itacoatiara - Jornal da Paraíba - 27-06-1990

sábado, 4 de junho de 2022

4 de Junho de 2022 - 138 Anos de Inauguração da Estação de Guarabira - Matérias no Jornal Diário da Parahyba de Junho de 1884

Olá amigos do HFPB. Hoje, 4 de junho de 2022, uma data especial, comemora-se 138 anos de inauguração de uma das estações mais importantes do Estado da Paraíba, trata-se da inauguração do trecho até a cidade de Independência, posteriormente denominada Guarabira
Assim como aconteceu nos demais trechos contemplados pelo prolongamento ferroviário na Paraíba, a construção do trecho correspondente entre Mulungu a Independência, ficou a cargo da empresa inglesa Wilson, Sons & Co.
Aquele 4 de junho de 1884 marcou a consolidação da então companhia The Conde D'Eu Railway Company Limited em expandir sua linha em direção ao interior da então Província de Parahyba do Norte, na florescente cidade de Guarabira, denominada a "Rainha do Brejo". Este título foi conquistado através do desenvolvimento decorrente a implantação da linha férrea a localidade, se transformando a partir de então, no mais importante centro polarizador e econômico da região do Brejo paraibano.
Foi um dia de comemorações por parte da população local, que enfim, estava ligada por via férrea, Independência até a Capital da Província, Parahyba. Esta ligação facilitaria aos comerciantes locais exportarem seus produtos dos mais variados tipos, dentre eles, o café, que na época era muito abundante no Brejo paraibano, algodão, fumo, entre outros.
Para celebrar esta data tão importante, trago aqui incríveis reportagens da época. Dentre o órgão que noticiou o ato inaugural com mais conteúdo, destaca-se o jornal Diario da Parahyba. Este saudoso órgão jornalístico, fundado no mesmo ano de 1884, trouxe ótimas matérias, lançadas nos dias 6 de 7 de junho, com detalhes da festa de inauguração do referido trecho principal da The Conde D'Eu Railway Company. Além de trazer uma tabela de horários da companhia, saída na edição de 3 de junho, véspera da inauguração.
Anos se passaram, e vinte anos depois de sua inauguração, em 1 de janeiro de 1904, Guarabira deixou de ser ponta de trilho, quando foi inaugurado o trecho até o Rio Grande do Norte, como ficou conhecido na época de Ramal Natal - Independência.
No final da década de 1970, o trem de passageiros deixou de existir entre Paraíba e o Rio Grande do Norte (neste trecho, já que o Ramal Mossoró a Sousa, no Sertão, funcionou até o início da década de 1990).
Lamentavelmente, segundo consta, o último trem passou por Guarabira em 2000, aproximadamente, levando uma carga de sal provinda do Rio Grande do Norte, para nunca mais voltar, com a linha em completo e total abandono.
O estado da estação local é deplorável e revoltante, sem que os poderes públicos olhassem com mais visibilidade aquela área que trouxe tantas riquezas e alegrias para a "Rainha do Brejo". Torcer para que um dia, a estação local, possa ao menos ser restaurada, como em seu passado de glórias, o que Guarabira realmente merece de fato e de direito.

Estação de Guarabira originalmente, quando foi inaugurada em 1884 

Horários dos trens de passageiros da Estrada de Ferro Conde D'Eu, já mostrando o prolongamento até Independência, inaugurado no dia seguinte. Fonte: Diário da Parahyba, 3 de junho de 1884


Matéria de 6 de junho de 1884 mostrando a extensão até Guarabira. Diário da Parahyba, 6 de junho de 1884

Matéria de 7 de junho de 1884 trazendo com detalhes a inauguração do trecho até Guarabira. Diário da Parahyba, 7 de junho de 1884

quarta-feira, 1 de junho de 2022

1° de Junho de 2022 - 100 Anos da Chegada do Primeiro Trem a São João do Rio do Peixe

Olá amigos do HFPB. Hoje, dia 1 de junho de 2022, uma data muito especial. Trata-se do centenário da chegada do primeiro trem ao Sertão Paraibano, mais especificamente ao município de São João do Rio do Peixe
De acordo com o relatório do de Viação e Obras Públicas do Governo Federal de 1921, traz um pouco da história de construção desta ligação de ambos os estados nos primórdios:

"Afim de facilitar a construcção das grandes barragens localizadas nos Estados do Ceará e Parahyba do Norte, providenciou-se em junho de 1920, pela Inspectoria de Obras contra as Seccas, sobre a ligação ferroviaria destes Estados.
Fez-se então o reconhecimento para o traçado de uma linha entre Timbaúba, hoje Paiano (km. 474 da Estrada de Ferro de Baturité), e Pilões, e de um subramal destinado ao transporte de materiaes para a construcção da grande barragem no boqueirão de Piranhas."

Como foi explanado acima, a linha tinha como objetivo principal a construção de barragens no Sertão paraibano, por parte do IFOCS, esta ligação férrea entre o Ceará e a Paraíba, com a implantação destes reservatórios, como foi o caso das barragens de Pilões, São Gonçalo e Piranhas, facilitaria o transporte de materiais para as mesmas. O mesmo relatório continua dessa maneira:

"Em janeiro de 1921 já estava sendo executada a linha de Pilões em direcção a Alagoinha, bem como o ramal de Cajazeiras a Pilões, conjunctamente com o trecho de Paiano a Alagoinha.
O serviço de terraplanagem já está prompto até Souza  e atacada a construcção da linha em toda a extensão de Souza a Patos."

Ao terminar o ano de 1921, a construção da linha principal já estava bastante adiantada, além dos ramais também com suas respectivas obras recebendo grandes movimentações de terraplanagem e obras d'artes diversas, como a construção de aterros, lastro, cortes, bueiros, pontilhões, pontes, por exemplo. O assentamento dos trilhos no ramal teve início no mês de novembro. 
Iniciou o ano de 1922 com fortes chuvas, nos primeiros meses, o que deixou lenta a construção da linha, o que atrasou o cronograma previsto. Durante os meses de março a maio os trabalhos de construção da linha e dos assentamentos dos trilhos ficaram bastante reduzidos, devidos a concertos em diversos pontos do trecho pelas intensas chuvas. 
Com as diminuições das referidas chuvas, a partir de maio, o assentamento da linha continuou ao mesmo tempo que se desenvolvia a construção.
Em junho, os trilhos chegam a São João do Rio do Peixe, e a partir daí seguiram em direção a Cajazeiras, e no outro lado em direção a Sousa.
No final de 1922 o Governo Federal cortou boa pate das verbas destinadas ao IFOCS, em especial a construção dos grandes reservatórios mencionados anteriormente. No dia 26 de dezembro de 1922, as obras do trecho a partir de Sousa até Patos foram entregues a Rede de Viação Cearense (RVC), para que esta prossiga com a construção do referido trecho. 
Porém, esta construção prosseguiu de forma bem lenta, muito devido a falta de recursos necessários, como por exemplo, a aquisição de trilhos, atrasando e muito a construção da linha a partir de Sousa. Só chegaria em Pombal em 1932, e só em 1944, mais de vinte anos após o início da linha Ceará-Paraíba, chegaria em Patos
A locomotiva a vapor desta primeira viagem era um trem de lastro, que na ocasião transportava materiais para o prolongamento entre o Estado do Ceará e o Sertão paraibano. Não se tem uma informação precisa de qual foi a máquina que fez esta viagem neste trecho da ferrovia já pronta, mas é provável que tenha sido as máquinas que o IFOCS adquiriu dos Estados Unidos na época para os trabalhos de construção dos açudes e da própria linha. Muitas delas vindas das empresas The Baldwin Locomotive Works e ALCO Locomotive Works.
Deixo aqui este singela lembrança deste dia histórico para a ferrovia paraibana, em especial sertaneja.

Trem de lastro levando materiais para a construção dos Açudes São Gonçalo, Pilões e Piranhas há 100 anos atrás. Possivelmente uma locomotiva da marca Baldwin Locomotive Works. Fonte: O Malho - 11 de novembro de 1922. 

Locomotiva 0-4-0ST da IFOCS construída pela Baldwin em abril de 1922. Trabalhou no canteiro de obras dos Açudes São Gonçalo, Pilões e Piranhas. No mês de abril do corrente ano, o exemplar de número 501, do Museu do Algodão de Campina Grande completou 100 anos de existência. 

Ponte provisória sobre o Rio do Peixe, por onde passa a linha para o Açude de Pilões em 1922. Fonte: O Malho - 11 de novembro de 1922. 

Ponte provisória sobre o Rio do Peixe, na entrada de São João do Rio do Peixe com dormentes de madeira servindo de pilares. Fonte: O Malho - 11 de novembro de 1922. 

terça-feira, 31 de maio de 2022

O Chefe de Estação João Alves Correia

Olá amigos do HFPB. Hoje trago informações do saudoso Chefe de Estação João Alves Correia, que foram repassadas gentilmente pelo seu neto Sydney Corrêa.
O Sr. João Alves Correia (sim o “Correia” dele e da família é com "i", de meu pai para baixo, devido a problemas de documentação da época ficou “Corrêa” sem "i", segundo o próprio Sydney) nasceu em Campina Grande em julho de 1895. Ingressou na Great Western of Brazil Railway (GWBR), sendo promovido para Chefe de Estação em Ingá entre 1915 e 1917 (aproximadamente), Campina Grande entre 1917 e 1924 (aproximadamente) e Pedro Velho entre 1926 e 1927 (aproximadamente), no Estado vizinho do Rio Grande do Norte. Sydney me passou que entre 1924 e 1926, aproximadamente, o Sr. João Correia esteve como Chefe em outra estação, mas não obteve informações sobre qual foi esta localidade.
A função de um "Chefe de Estação", é da seguinte maneira: O Chefe de Estação é o responsável da estação e toda sua esplanada. É o coordenador do movimento dos comboios naquele setor e dos empregados da companhia na localidade estabelecida, e normalmente era alojado em uma residência construída para esta função, posta à sua disposição, ou na própria estação em anexo, uma espécie de "puxadinho".
Foi durante a chefia do Sr. João Correia, que ocorreu o grande incêndio no armazém de Campina Grande na madrugada de 11 para 12 de março de 1920, onde cerca de 3.380 sacas de algodão se perderam com as chamas, vindo a também destruir o referido armazém. Se não fosse os grandes esforços tomados pelo Chefe João em conter as chamas, as mesmas teriam chegado também a estação, onde também residia no andar superior, causando uma tragédia ainda maior sem precedentes. 
Por ter se desentendido (por razões ainda pouco conhecidas) com o supervisor da companhia na época e já ter na época estabilidade garantida por lei (a partir de 10 anos de serviço) o mesmo começou a transferi-lo para outras estações, afim de para forçá-lo a pedir demissão.
Casado com Laura Eulália Correia, tiveram três filhos, Orlando Alves Correia, Pedro Alves Correia e Ivonete Alves Correia.
O primogênito do Sr. João, Orlando, nasceu na estação de Pedro Velho em novembro de 1926, e logo depois, quando ia ser novamente transferido para outra estação, já aborrecido, não se apresentou na mesma, saindo então da Great Western em 1927. 
Depois de um tempo de ter saído da GWBR, e ficado sem emprego, seu pai, Honório Correia, arrumou emprego para ele no Escritório de Classificação do Algodão, na época entidade federal, onde permaneceu até por volta de 1938 aproximadamente, devido ao Governo de Argemiro de Figueiredo ter passado o escritório para a administração do Estado e reduzido os salários de seus funcionários, o que acarretou a saída do Sr. João Correa desse trabalho.
Outra informação interessante é que o irmão de meu avô, (meu tio-avô) Carlos Alves Correia, irmão mais novo, nascido em 1903, foi tentar a vida no Rio de Janeiro e entrou na Estrada de Ferro Leopoldina em 1933 onde lá ficou até aproximadamente 1958 ou 1959. Além de suas atribuições internas na ferrovia, era o responsável pelos periódicos (jornais internos) da companhia ferroviária. 
O Chefe João Alves Correia faleceu em agosto de 1951, deixando uma história de amor a família antes de tudo.
Agradeço desde já Sydney Corrêa pelas preciosíssimas informações da incrível história de seu avô. 

O inesquecível Chefe João Alves Correia em 1922. Foto: Sydney Correia

A estação de Campina Grande em 1922, há exatos 100 anos. Vendo a frente dela o Chefe João Alves Correia e outros funcionários da Great Western. Foto: Sydney Corrêa